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Sobre o agendamento de posts

por Mia, em 23.10.17

Este blog vive de posts agendados, não é segredo. Desde que fui mãe, o tempo não abunda, e quando me sento em frente ao pc as palavras escorrem-me por entre os dedos e dou por mim a agendar semanas de posts. Há, no entanto, uma questão que me consome: e se me acontece alguma coisa entretanto? E se a vida muda, e se as coisas correm mal, e se - Deus me livre - morro? O blog continua vivo, alheio ao drama, a retratar episódios de quando a vida era boa? Às vezes deixo-me atormentar por coisas parvas - esta é uma delas. Alguém igualmente dramático desse lado?

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publicado às 14:02

O homem regressa hoje ao trabalho, depois de na última semana ter gozado os dias de licença parental inicial que lhe restavam. Não é novo para mim estar sozinha em casa com o monstrinho: o pai já tinha regressado ao trabalho desde o início de Setembro e já estávamos habituados. Mas esta última semana foi maravilhosa. Não fizemos "nada de especial": passamos tempo em família. Com todo o resto do mundo a trabalhar, tiramos estes dias só para nós. Fomos às compras, almoçamos fora, jantamos fora, ficamos em casa. Passamos manhãs a preguiçar na cama e noites abraçadinhos no sofá a ver novela e séries. Dividimos as birras, os cocós e as arrumações. Visitamos família e recebemos amigos em casa. Cozinhamos juntos, conversamos, fizemos palhaçadas. Cantamos para o monstrinho, pegamos um com o outro e rimos muito. Ele desenvolveu uma adoração pelo pai, e o ar fascinado com que olha para ele é qualquer coisa de delicioso. Vivemos (quase) sem horários. Já aqui disse antes: preciso de ficar rica. Não tenho sonhos megalómanos nem quero viver uma vida louca. Queria "" ter todo o tempo do mundo para viver a minha família.

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publicado às 08:23

Chegamos a um aniversário de família, após a sessão fotográfica. Monstrinho tinha pouco mais de um mês, estava cansado e irrequieto de não ter dormido a tarde toda, e claramente a precisar de descansar. Mal entramos, pessoa abeira-se da alcofa e afasta a manta para pegar nele. O pai da criança diz-lhe que não pegue, que estamos a tentar que ele durma. Pessoa fica chateada mas afasta-se. Passado uns dez minutos, vem pedir-me se pode pegar no menino e volto a repetir o mesmo, salientando que ele tem mesmo que descansar porque senão vai entrar depois naquele estado de sobre-estimulação em que nem está bem acordado, nem consegue dormir. Tudo bem. Afasto-me para atender uma chamada deixando o menino acompanhado da dita pessoa, e, minutos depois, olho e vejo a alcofa a um canto, debaixo de uma janela. Tu queres ver que me deixaram o puto sozinho? Aproximo-me, não havia criança. Olho para o lado, está ao colo da dita pessoa, e já rodeado de gente, todos a falar alto e a mexer-lhe. Respiro fundo e vou procurar o homem - afinal de contas é a família dele - para que ponha ordem na pocilga, e eis que ele me diz: ela pediu se podia pegar e eu disse que sim. A ver se nos entendemos. Depois de ter levado duas negas, e de eu - mãe da criança - ter dito explicitamente que não menos de 3 minutos antes, ela vai nas minhas costas e, numa total atitude de desafio pela minha autoridade, pede ao pai?!?! Nunca aquela criança saiu tão rápido de um colo e de volta à alcofa.

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Sentido de oportunidade

por Mia, em 20.10.17

Já vão no quarto dia seguido a limpar bermas. Está ali uma coisa bonita de se ver, trabalham com afinco, o dia todo, e já quase não se vêem ervas em quase lado nenhum. Em quase lado nenhum, excepto nos escoamentos, esses, claro, estão agora cheios de lixo. É bom, acho que sim, agora que o verão parece (finalmente) ter terminado e começaram as chuvas, parece-me uma excelente altura para limpar mato e entupir saídas de água. Quanto tempo até começar agora o drama das inundações?

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O meu filho dorme a noite toda

por Mia, em 20.10.17

O meu gato, não.

Resultado? Eram cinco da manhã e estávamos todos acordados (e mal humorados) porque o sr. gato resolveu fazer uma birra monumental de quem quer atenção.

Haja paciência.

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Aquelas pessoas que não vão acordar o menino, ora essa, claro que não, pois se a mãe pediu para terem cuidado vão lá agora acordar o puto, nada disso. Vão só sentar-se todos à volta do ovo e falar como se estivessem a tentar ser ouvidos na China, abana-lo, fazer festas, puxar pelo pé, tirar a manta para ver como está grande e afins. Depois se o miúdo acorda é lá com ele, quem o manda ter sono leve?

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Choque.
Drama.
Horror.


Calma. Eu adoro os meus bichos, não me vou ver livre deles nem assá-los com batatinhas, sosseguem. Também sei que daqui por uns tempos isto já me passou.


Estou só cansada.


Cansada de ter a casa cheia de pêlo. De não poder por o ginásio do miudo no chão. De ter que arrumar sempre a espreguiçadeira, a almofada de amamentação, a manta, e tudo o que poderia simplesmente ficar pousado no sofá sob pena de virar costas e ter um gato a dormir lá em cima. De nada poder cair ao chão/no sofá/em qualquer sítio sem ficar logo revestido de três milhões de pêlos. De ter constantemente dois gatos a correr pela casa feitos tolos e me acordarem o miúdo. De ter uma gata maluca que se atira - literalmente - para o cesto do carrinho dele. De ter um gato carente que me faz birras e chora se for preciso durante horas até que eu lhe dê atenção - quem diz que os gatos são independentes devia levar com um nas trombas. De ter areia malcheirosa ainda que seja mudada todos os dias, pedacinhos de areia por todo o lado e ainda vómito ocasional.


Estou exausta de ter dois animais que exigem cuidado e atenção constantes, em cima do cansaço que é ter um bebé de dois meses em casa. Provavelmente isto acabará por passar, se calhar quando gatos e bebé puderem conviver alegremente a coisa será mais simples, mas hoje afirmo com toda a certeza: depois destes, não quero mais animais em casa.

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Aquela pessoa que, depois de saber do susto, liga e diz:

- Tens que o deixar vomitar.

 

Ah! Ainda bem que me avisa. Assim sendo vou já tirar a rolha que lhe tinha enfiado na boca, que tolice da minha parte.

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publicado às 07:20

Já agora

por Mia, em 18.10.17

Tenho, aqui nas traseiras de minha casa, um terreno ao abandono. É privado e não é explorado para nada. Tem apenas mato, ervas daninhas, eucaliptos e bichezas variadas. Além de ser uma nojeira - todas as semanas tiramos ratos dos skimmers da piscina - cresce a olhos vistos e já por diversas vezes tivemos que aparar as ervas que insistem em passar para o nosso lado do muro. Se alguém chega ali um fósforo, vamos ter um problema grande, já pensei nisto muitas vezes, e cada vez mais se torna urgente fazer alguma coisa. A minha pergunta é: o que podemos fazer, considerando que nem sabemos a quem pertence, e não me parece que o dono esteja minimamente importado? Alguém sabe?

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Ontem acordei com o som dos corta-relvas a limpar todas as bermas de estrada aqui das redondezas.

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Apresento-me: sou a tola que ligou duas vezes porque o filho fez aquela febre normalíssima após tomar as vacinas dos dois meses. Sou paniquenta, deixem-me.

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E depois há aquele familiar chegado que revira os olhos a tudo o que digo - essas regras desnecessárias que as mães inventam quando ele sabe perfeitamente o que fazer e não precisa de conselhos para nada. Ora é porque eu insisto que não é para pegar porque o puto tem que dormir, ora é porque eu digo que lhe ponha uma manta antes de o tirar do berço - o puto tinha uma semana, pelo amor de Deus - ora é porque exijo a desinfecção das mãos depois de fumar (na verdade por mim não se aproximava do bebé num raio de 3 metros). Enfim. As minhas regras são mariquices e eu já tinha notado o revirar de olhos e o desagrado, mas este fim de semana passamos mesmo às boquinhas foleiras. Quando a esposa lhe passa o miúdo para os braços, atira com esta:

- E o livro de instruções? Tens aí o livro de instruções?

 

Fiz de conta que não ouvi - uma arte que tenho vindo a desenvolver desde que fui mãe, mas ele insiste, olhando para mim com ar de desafio e muito orgulhoso da sua boca rasca:

- Tens o livro de instruções?

 

*inspira*

*expira*

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Bebé tem estado com vómitos, pelo que é preciso ter particular atenção ao tempo que o deixamos arrotar, e garantir sempre que fica pelo menos 15 minutos ao alto, sem grandes abanicos, sossegadinho. Tinha visitas em casa, por isso depois de lhe dar de mamar resolvi ir arrotá-lo para a sala - não podendo andar ao colo de outros, ao menos viam o miúdo e já ficavam contentes, achava eu.

 

Grande erro.

Nunca aprendo, e sempre que tento ter alguma consideração ou dar um pequeno miminho às pessoas, sai-me furado.

 

Entro na sala e estende-se logo um par de braços para pegar nele. Disse que não, que ele estava na hora de arrotar e que precisava de estar sossegado. Pessoa desiste.

 

Dou mais dois passos, novo par de braços para agarrar o miúdo. Digo que não, blá blá blá que tem que arrotar, blá blá vómito, a pessoa ignora-me completamente e começa a retirar a fralda que tenho ao ombro e a pô-la no seu próprio ombro. Continuo: que o puto não pode ser abanado, que tem que estar um bocado sossegado, blá blá blá - pessoa arranca-me literalmente o miúdo dos braços e fica com ele ao colo.

 

Surreal.

 

O total desrespeito pelas minhas vontades enquanto mãe não deixa nunca de me surpreender. Não acho, nem pode ser normal. Tento não me chatear, não armar confusões, não comprar guerras com a família chegada porque é chato, porque não estão muito com ele - estão demasiado!!!! - mas um dia vai-me saltar a tampa. E aí não vai ser bonito.

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À quantidade de barbaridades que oiço e a que assisto, o simples acto de não responder e continuar a manter relações cordiais com a generalidade das pessoas é um verdadeiro milagre. Posto isto, inauguro aqui a rubrica: uma lamparina por dia nem sabe o bem que lhe faria, onde tenciono partilhar momentos particularmente parvos aos quais tenho sido sujeita. Pode ser que ajude a ver-me livre de alguma da raiva que tenho acumulada.

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Não concordo.

 

 

Sou muito a favor da causa animal, nem vocês imaginam o papel que isso desempenha na minha vida. Mas animais são animais, e não pessoas. Enerva-me esta mania de humanizar os animais. Querem tratar os vossos bichos como pessoas? Pois tratem, no conforto do vosso lar, nada contra.

 

Não compraria roupa numa loja onde houvesse pêlos pelo ar - vi em Itália pessoas com os cães pelas lojas e achei no-jen-to. Já me basta a lanugem dos meus, não estou com a mínima vontade de levar com o pêlo dos outros. Além disso, nem todos os animais têm educação ou autocontrole suficiente para não se aliviarem em público. E vacinas? Desparasitações? Doenças em geral? Ficariam surpreendidos com a quantidade de pessoas que não vacina, desparasita ou regista os seis animais. Quanto tempo acham que levará a termos infestações de pulgas como nunca antes vistas?

 

 

E depois há as pessoas.

Nem toda a gente pode estar em sítios com animais. Há quem tenha alergias, há quem tenha medo, há quem tenha verdadeiras fobias e há quem simplesmente não aprecie. Ah, mas não é obrigatório todos os estabelecimentos permitirem, e quem estiver mal pode sempre não ir. Pois com certeza. Como quase tudo na vida: quem não está bem, muda-se. O que não faz com que deixar animais entrar num restaurante ou numa loja de roupa seja mais adequado.

Juízo nessa cabeça.

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 Obrigada Sapo!

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publicado às 10:03

Vai daqui uma grande vénia

por Mia, em 16.10.17

Às mães solteiras, por opção ou imposição. A todas as que enfrentam a maternidade sozinhas ou com menos apoio. Às mães de gémeos. Trigémeos. E nem quero pensar nos múltiplos seguintes. Às que têm bebés difíceis, com muitas cólicas, muitas birras, frequentemente doentes. Não sei como é que vocês se safam, mas mereciam uma estátua.

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publicado às 13:57

E depois houve aquela noite em que eu lhe disse: "olha por ele enquanto eu vou aquecer o leite", e passado uns minutos eu na cozinha ouvia o monstrinho a chorar - ainda fica a uma distância considerável dos quartos. E chorava, chorava, sem parar, e eu resolvi ir ver o que se passava porque não é normal, habitualmente damos-lhe a chupeta e é remédio santo. Dizia eu, fui ao quarto ver o motivo para tanta choradeira, e dou com este belo cenário: monstrinho no berço a chorar desalmado, e o pai ao lado, a dormir profundamente.

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Newborn survival hacks

por Mia, em 11.10.17

Ou "as dicas que eu gostava que alguém me tivesse dado". Ideias, sugestões e outras coisitas que eu fui descobrindo e que me ajudaram nos primeiros dias com o bebé.

 

  1. Fraldas com indicador de humidade. Já falei disso aqui, esqueçam todas as outras, isto é o maior salva-vidas e dá um jeito tremendo, principalmente naqueles primeiros dias em que os bebés urinam duas gotinhas e uma pessoa sabe lá se as fraldas estão sujas ou não.

  2. Arranjar um cestinho com material para a muda da fralda e tê-lo sempre à mão. Não é preciso muito: fraldas, compressas, um resguardo e um frasquinho com água lavante. Em instantes muda-se uma fralda sem ter que ir ao trocador.

  3. Chupeta: esqueçam aqueles fundamentalismos que dizem que o bebé não deve usar chupeta. Lutei contra isso uma noite inteira e depois cedi: pequeno monstrinho usa chupeta e dorme calminho, sem choros. Além disso, diz que ajuda a reduzir o risco de morte súbita.

  4. Amamentar às escuras, ou na penumbra, de noite. Não falar com o bebé. Não fazer contacto visual. Naquela fase em que temos que o acordar para comer, ele come, arrota, muda-se a fralda e está a dormir novamente em menos de nada (quase sempre).

  5. Falando na alimentação nocturna: tirar o leite com a bomba e substituir uma das mamadas pelo biberão, idealmente dado pelo pai. Divisão de tarefas é uma coisa bonita, e a mãe precisa MUITO de dormir mais do que 2h seguidas. Mesmo que não seja o pai a dar: o biberão é imensamente mais rápido de dar do que a mama.

  6. Dormir com uma fraldinha de pano enrolada junto à cabeça: o bebé sente algum conforto e adormece rapidamente. Atenção: só de dia, sob vigilância, e com muito cuidado para não obstruir as vias respiratórias.

  7. Almofada de alfazema para as cólicas: a nossa é da Erva Ursa, e tem ajudado imenso. As instruções dizem para aquecer 30 segundos mas eu acho muito quente para um bebé. Aqueço 18 segundos (sim, assim tão específico) e coloco na barriguinha. No melhor cenário passado um bocado temos uma fralda suja, no pior ele adormece. Nenhum dos dois é mau.

  8. Massagem aos pés para dormir: não funcionará com todos, mas no meu é tiro e queda!

  9. Banho à noite - e quando digo à noite é tipo 22h. Banho, maminha, xixi, cama. Por aqui dá direito a 4h de sono seguidinhas, quase sempre.

  10. Objecto de transição + música para dormir. Sei que ainda é cedo, mas de pequenino é que se torce o pepino. Controlamos muito pouca coisa com um bebé tão pequeno, mas esta não falha: na hora de dormir, aconchegamos o bóbi ao pé dele e ligamos a caixinha de música. Positivo: ele gosta de adormecer a apertar-nos o dedo, e começou a habituar-se a apertar o cão e adormecer assim, deixando-nos a mão livre para outras coisas, por exemplo fazer-lhe festinhas na cabeça; quando ouve aquela música, começa sempre a fechar os olhinhos. Atenção: brinquedos num bebé tão pequeno, sempre sob vigilância. Quando ele adormece, tiramos-lhe o cão.

  11. Chupetas da Avent: vêm com uma tampinha que dá um jeitão.

  12. Usar uma app para controlar os xixis, cocós, mamadas e sonos do bebé. Aqui usamos esta, que ainda tem a grande vantagem de poder ser partilhada por ambos os pais em telemóveis diferentes, apresentar dicas diárias, milestones de cada momento, e controle de peso, altura e perímetro cefálico.

 

 

E vocês? Partilhem comigo as vossas dicas de sobrevivência!

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publicado às 08:49


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