Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Pregnancy brain is real

por Mia, em 23.06.17

Imaginem o seguinte cenário, que pode ou não ser real: uma pessoa recebe um novo cartão de débito, porque o antigo está a aproximar-se do fim da validade. Cumprindo as instruções, vai à ATM mais próxima e activa o novo, inactivando automaticamente o velho. Ainda assim, por razões que desconhece, vai mantendo ambos na carteira, até que um dia, 8 meses de gravidez, em casa e sem nada para fazer resolve fazer uma limpeza e deitar fora todo o lixo que foi acumulando nos últimos tempos. Pega em ambos os cartões - que são iguais - e examina atentamente para ver qual é o mais antigo. Corta-o em pedacinhos, deita fora e segue alegremente com a sua vida. Dias mais tarde, pessoa tenta fazer um pagamento com o dito cartão e este é declinado. Assume que é problema da loja. Dias depois a mesma coisa acontece numa loja diferente. De repente cai a ficha: pessoa esventrou e deitou fora o cartão novo e manteve um cartão inactivo e fora da validade...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Continuando no tema da mama

por Mia, em 23.06.17

Não sei se dá para reparar, mas é mesmo um assunto que me mexe com os nervos.

 

Conheço uma pessoa que embarcou numa depressão pós-parto porque não conseguia amamentar. Culpo a nossa sociedade, e acima de tudo os nossos profissionais de saúde, por isto.

No hospital, somos ensinados que não há outro caminho que não a amamentação. Que não podemos desistir. Que é a única forma de o nosso filho criar vínculo com a mãe. Que temos que gostar. Que uma mulher é menos mãe se não amamentar. Não se coloca a hipótese de a mãe não conseguir, de o leite ser fraco, de o bebé ou a mãe não o poderem fazer, ou - heresia - de a mãe não querer.

A nossa lei não permite a publicidade a leite artificial - porquê?! Quando foi que voltamos à época da censura? Quem foi que decidiu que esse assunto é tabu e não se pode falar sobre ele sob pena de as nossas crianças ficarem todas subnutridas?

Há tempos fui a um workshop de amamentação, e a responsável pela marca que patrocinava o evento explicou-nos que não nos podia mostrar os biberões e chupetas da marca porque eram "amigos da amamentação". Portanto, eu posso passar uma hora e meia a ver exemplos práticos de como utilizar todos os modelos de bomba de extracção de leite, fazer testes a discos de amamentação, experimentar creme para mamilos gretados... mas não posso ter noção de que existe um plano B se as coisas não correrem tão bem? Faz algum sentido? Como é que uma marca "amiga da amamentação" não é uma marca amiga do bebé? Como é possível defender que é preferível uma criança chorar horas a fio do que utilizar uma chupeta? E quem diz marca diz hospitais, médicos, enfermeiros. Que espécie de profissionais são estes que parece que têm palas nos olhos e não admitem soluções alternativas quando as ditas ideais não estão a fazer bem ao bebé ou à mãe?


A minha amiga nunca foi uma extremista da mama, assim como eu não sou. Mas interiorizou que seria o melhor para o seu bebé, e mentalizou-se de que o faria, no mínimo, pelo tempo recomendado pela OMS. Quando a criança nasceu, não mamava. As enfermeiras tentaram ajudar, corrigiu-se a pega, desfizeram-se as pedras causadas pela subida do leite, comprou-se uma bomba, tentou-se de tudo. E o bebé perdia peso a olhos vistos. Não dava. A insistência estava a por em risco a saúde do bebé, e ela foi forçada a desistir, e enterrou-se num buraco de desespero profundo. Porque toda a gente lhe apontava o dedo. Porque era péssima mãe. Porque não fez o que era suposto. Porque não foi suficientemente boa para o filho dela. Aquele que tinha tudo para ser o momento mais feliz da vida dela foi negro, marcado pelo falhanço, pela insegurança e pela solidão.


Gritamos aos quatro ventos que as mulheres devem ser livres de fazer o que quiserem com o seu corpo. Defende-se, por exemplo, o aborto como opção válida em qualquer circunstância, e qualquer pessoa que questione o porquê ou verbalize qualquer julgamento de valor é um insensível para com a mulher, o corpo é dela e ninguém a pode obrigar a gerar uma vida. Mas obrigar a amamentar é aceitável?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não quero ser má, mas.

por Mia, em 23.06.17

Em tempos tive um namorado que me disse que quando eu um dia engravidasse ia ser daquelas mulheres que engordam imenso e nunca mais recuperavam. Isto foi há mais de uma década, mas eu nunca mais me esqueci. Perguntei porquê, e ele respondeu-me que não sabia, apenas achava isso. Tempos antes tinha-me dito que achava que eu não seria uma boa mãe. E depois isto. O absurdo de tempo que passei a chorar por estes dois comentários (e pelo sujeito em questão) é isso mesmo - um absurdo.

 

Eu gostava mais dele do que de mim própria, e naquela ilusão típica do primeiro amor, tudo o que ele dizia era lei. Pois então eu não valeria nada como mãe, era o meu destino. E seria gorda depois de engravidar, uns 120kg, que nunca mais recuperaria.

 

Anos mais tarde, durante uma discussão e numa tentativa de recuperar a relação, disse-me que estava enganado. Que eu seria uma excelente mãe e não tinha dúvidas disso. Mas nessa altura ele já não era a autoridade máxima à face da terra para mim. E ainda que tenha amenizado, não curou a ferida anterior.

 

Estou grávida de oito meses e uns trocos e engordei 6kg. E vou ser uma excelente mãe. E tu estás sozinho. Chupa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eu explico.

por Mia, em 22.06.17

O único argumento que aceito e que me leva a planear amamentar o meu filho é o factor nutricional e as defesas que ele vai obter através do meu leite, nos primeiros meses de vida. Ponto final. Não acredito que uma criança, depois de estar nove meses dentro da barriga da mãe, precise que se lhe enfie uma mama na boca para criar um vínculo com ela. Acho que dar amor e dar mama não são sinónimos. Parece-me absurdo que se permita que uma criança faça da mama uma chupeta, e abomino as teorias das mães que amamentam até a criança ir para a escola. Acho ridículo, e acredito piamente que após uma certa idade, essa dedicação à mama não é pela criança, mas pela própria mãe. E isso parece-me sintoma de outros problemas bem mais profundos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Obrigada por mais este, Sapo!

por Mia, em 22.06.17

Sem Título.png

 Ainda que tenha tido um sabor mais amargo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ainda na aula sobre amamentação aprendi que devemos amamentar sempre e nunca desistir, dê por onde der. Mamilos gretados e ao dependuro? Continuem a amamentar. Mastites? Continuem a amamentar. Sangue e lágrimas a escorrer-vos só de pensar na hora da mama? Não desistam. A criança tem dentes? Continuem a amamentar. O puto come de garfo e faca já? Mama em pé? É continuar sempre a amamentar, é a melhor bênção da vida e a única forma de o vosso filho vos amar.

 

Fundamentalistas da mama, adoro 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O palhaço já saiu (a criança nasceu entretanto) mas foi prontamente substituído por outro. A aula sobre amamentação foi um fartote, com o cromo a desfazer-se a rir sempre que a enfermeira dizia coisas como: "mamilos duros", "apertar bem a mama", "mamas gigantes" e afins.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um dos casais apareceu com uma miúda de uns 8 anos. Achei parvo, porque não me parece que aquele seja o sítio ideal para uma criança, mas pensei que poderiam não ter com quem a deixar. Quando alguém referiu que eles já não eram pais de primeira viagem desfizeram-se em gargalhadas, que não, que aquela era apenas a sobrinha deles e foi lá só "para ver". Revirei os olhos.

 

Na aula seguinte lá estavam eles, outra vez, com uma nova criança. Mais uma sobrinha, explicaram, que "quis vir connosco para ver como era". Calhou de não ser a aula em que vimos o filme de um parto porque o projector não funcionava, mas pergunto-me: e se fosse? Será que é mesmo apropriado que uma criança veja isto? Será mesmo necessário sujeitar uma miuda daquela idade ao tipo de conversas que se têm naquela sala? Já nem falo do incómodo que é para quem está no curso ter que aturar uma criança impaciente a mexer em tudo, a falar, completamente irrequieta o tempo todo. O que é que esta gente tem na cabeça?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pedrógão Grande

por Mia, em 19.06.17

Não é muito habitual verem-me a falar dos flagelos da humanidade no blog. Não que me passe ao lado, longe disso. Não que não queira saber. Mas sinto, na maioria das vezes, ou não sei o suficiente sobre o assunto, ou que já tudo foi dito e não tenho nada de válido a acrescentar.

 

 

Ah, porque tu só falas de temas sérios, e de forma extremamente calma e ponderada - dirão alguns enquanto reviram os olhos.

Nada disso. Mas há assuntos que são, efectivamente, graves. E como tal não devem, a meu ver, ser abordados em tom de brincadeira.

 

 

Desde sábado à noite que me custa respirar - mais do que o habitual. Esta tragédia abalou-me como nenhuma outra alguma vez o fez. Tirou-me o sono, deu-me pesadelos, pos-me num estado depressivo sem explicação. Não consigo sequer imaginar o horror que aquelas pessoas terão passado, nem o inferno dos que ficaram.

Faltam-me as palavras, e sinto que qualquer outro tema que aqui aborde é demasiado pequenino. Também eu tenho as minhas teorias sobre o estado da nação e o quão evitável poderia ter sido este desfecho, mas não me parece que seja o momento de apontar dedos.

 

 

É altura de chorar os mortos, curar os feridos e fazer o luto, por isso, este blog ficará em silêncio por um bocadinho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não. Aguento. Este. Calor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há aquele pai que tem a mania que é engraçado. Que interrompe discussões sobre temas sérios para fazer piadinhas sem graça, que brinca com todas as situações, que corta a palavra às pessoas que estão a falar de coisas interessantes para dizer uma parvoíce qualquer. Aposto que quando andava na escola era o palhaço da turma. A grávida que está com ele vai dizendo "desculpem, ele é mesmo assim" mas noto o orgulho nos olhos dela como se ele fosse uma grande coisa. Os outros pais riem-se, as enfermeiras acham-lhe piada e vão pegando com ele. Eu? Cada aula com ele enjoa-me mais do que todo o resto da gravidez.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Viver no campo

por Mia, em 16.06.17

Moscas. Larvas. Borboletas. Gafanhotos. Minhocas. Aranhas. Melgas. Aranhiços. Formigas. Centopeias. Lagartixas. Mosquitos. Formigas mutantes que não morrem quando as piso. Insectos cujo nome desconheço.

 

Estou pelos cabelos, sabeis lá vós da minha vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Entre as grávidas e acompanhantes, um casal com o filho recém nascido. Se calhar alguém lhes devia dizer que vieram um nadinha tarde demais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O contrato com a empresa "chave na mão" finalmente terminou na semana passada. E adivinhem?

 


* pausa para suspense *

 



A casa não está pronta.
Aposto que nenhum de vós esperava por isto.

 

 

Já agora, e totalmente não relacionado: alguém conhece um bom advogado cá pelo norte??

Autoria e outros dados (tags, etc)

A frase caiu-me como uma bomba, e sei que nunca me vou esquecer dela:

 

 

Estás a pensar só em ti.

 

 

Assim, a frio. 

Era um almoço de domingo normalíssimo, ela estava-me a servir, eu disse que a quantidade que estava no prato era suficiente. A resposta não se fez tardar, gelada, crítica, como que a chicotear-me por ser uma péssima mãe. A frase foi esta mas bem que podia ter sido "és uma merda de mãe" ou "sua egoísta, estás a deixar o menino à fome", que ia dar ao mesmo.

 

 

Acho que não há coisa pior que se possa dizer a uma mãe do que acusá-la de descurar a cria.

 

 

Acaso achará esta alminha que ela ou qualquer outra pessoa zelam mais pelo meu filho do que eu? Será que passaram assim tantos anos que se tenha esquecido de todos os sacrifícios que uma grávida faz para garantir que a criança nasce bem? Terei eu escrito "INCOMPETENTE" na testa?

 

 

Nem o meu filho passa fome, nem tampouco eu sou estúpida.

 

Calhou de não ter engordado muito até agora. Quando engravidei estava acima do meu peso ideal, e fui tendo alguns cuidados não só para não ficar obesa, mas para garantir que o bebé tinha tudo aquilo de que necessitava. Só. Gostava de vos dizer que fui muitas vezes ao ginásio, mas seria mentira. Gostava de vos dizer que comi de forma exemplar, mas não haveria nada mais falso. Aconteceu de perder o apetite, aconteceu de enjoar de coisas como chocolate e doces, aconteceu de nada me saber bem, e acima de tudo aconteceu de este pequeno leitãozinho que carrego ser arraçado de ténia e me roubar tudo o que meto para o bucho.

Não estou a ser inconsciente, não estou a fazer dieta, calhou de ser assim.

 

E não há mal nenhum nisso.

 

Já vos disse aqui que não tenho uma barriga socialmente aceitável. Ora, se a minha barriga é relativamente pequena - que nem é, mas pronto - e o meu filho é enorme, não é preciso ser um génio para perceber que o espaço aqui não abunda, não é verdade?

 

O terceiro trimestre não está a ser meigo comigo, e um dos novos sintomas que me trouxe foram umas belas de umas dores de estômago, quando tenho mais olhos que barriga. Por vezes como muito depressa, ou como mais por gula do que por fome. E o meu estômago comprimido chega rapidamente à sua capacidade máxima. Juntem a isto um bebé com jeito para o sapateado, e dá para entender facilmente que, se como muito, fico muito mal. E se eu fico mal, será que ele fica bem?? Se eu passar o dia a contorcer-me com dores, estômago dilatado, em stress porque sei lá o que é normal e o que não é, fará bem à criança?

 

Não me parece.

 

Então se calhar, só se calhar, não estou a pensar "só" em mim. Mas também estou. E isso não é errado.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As mãos.

 

Toda a gente fala dos pés de hipopótamo, mas... e as mãos??

 

Sempre fui extremamente sensível das mãos e pulsos, bastando por vezes fazer um esforço um pouco maior (jogar bowling, ténis ou mesmo descascar batatas são suficientes) para ficar dias sem conseguir mexe-los. O facto de a minha profissão exigir que passe o dia em frente a um computador e a mexer no rato não facilita, bem sei. Em tempos, durante uma crise mais aguda cheguei mesmo a fazer raio-x para verificarem se não teria nada partido porque as dores eram mesmo insuportáveis. Estava tudo, aparentemente, bem.

 

 

Mas agora no terceiro trimestre chegou o verdadeiro tormento. Começou com um formigueiro ligeiro quando acordava, depois alguma dor, e agora tenho dias em que ao acordar nem consigo mexer as mãos. Acordo a meio da noite com as dores e vou enfiar as mãos em água gelada. De manhã é raro conseguir dobrar os dedos, e por vezes mesmo ao longo do dia tenho aquela dorzinha persistente. Um inferno, sabeis lá vós.

 

 

A médica diz que é síndrome do túnel cárpico. Que é normal, é frequente, e na volta até explica as dores pré-gravidez. Qualquer coisa a ver com a retenção de líquidos, sei lá eu. Os pés não estão inchados, as pernas não estão cansadas, a tensão está óptima e a água que bebo daria para encher um pequeno lago. Mas as minhas mãos aparentemente odeiam-me.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O meu umbigo não revirou

por Mia, em 01.06.17

umbigo-saltado-gravidez1.jpg

Quando a barriga começou a crescer até parecia que sim, comecei a ver-lhe o fundo, mas depois parou. E continua a ser um buraquinho, não é aquele umbigo saído para fora, de grávida.

 

Mas Mia, querias ter o umbigo para fora?

 

Sei lá! Acho que não. Não sei. Mas não me parece uma barriga de grávida assim...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Minto.

 

Pensei que ao escrever aqui ganharia um pouco de paz de alma. Mas para além disso recebi mais, muito mais, tanto mais que é absolutamente incrível. Já vos disse que ando lamechas, mas como não hei de estar assim quando sou constantemente acarinhada? O ultimo exemplo disso foi esta blogo-tia, que como se não bastasse vir aqui dar atenção à mãezinha da criatura, ainda me fez chegar um miminho para o pequeno monstrinho:

 

IMG_5344(1).JPG

 

 Gostamos tanto, tanto! Muito obrigada

Autoria e outros dados (tags, etc)

... mas o destaque do sapo trouxe-me aqui ao estaminé uns quantos carrapatos, chatinhos chatinhos. Não falo de quem tenha opiniões diferentes, nada disso, mas daqueles que estão numa de insultar e que aparentemente ainda não perceberam que eu sou uma grávida mal humorada e sem pachorra para tolinhas.

 

Xôooo, voltem lá para o buraco de onde sairam!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

D.png

Obrigada, sapinho

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Oh, não gostaste do que escrevi?




Quem vem lá

Site Meter