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Com o coração nas mãos

por Mia, em 02.10.17

Há dias que o monstrinho bolçava imenso. Apesar de ter a máquina sempre a bombar, babygrows e babetes começaram a escassear cá por casa de tantas vezes que trocávamos durante o dia, e, apesar de na última consulta me terem dito que era normal, não sentia que fosse.

 

Na quarta-feira, perdi a conta às vezes que bolçou/vomitou. Apesar de ele estar bem disposto, ter feito xixi e cocó o dia todo e não ter temperatura, estávamos perto da 1h da manhã quando achei que não podia ser normal. Que se lixe se acharem que sou maluquinha. Liguei para a saúde 24.

 

Fizeram-me algumas perguntas, e o resultado não foi animador: melhor ir às urgências pediatricas. Em menos de nada estávamos os três fora de casa, 1h18 da manhã, um frio de rachar, nevoeiro tão espesso que não se via mais de um metro à frente e uma mãe numa mistura de pânico por algo poder estar errado e culpa por tirar o menino de casa naquelas condições quando se calhar não era nada.

 

Contrariamente ao que eu esperava, a pediatra de serviço não desvalorizou, de todo, as minhas inquietações. O facto de o monstrinho ter bolçado e vomitado seis vezes enquanto lá estávamos contribuiu. Aprendi a distinguir o que é bolçar do que é vomitar. Aprendi o que é vómito em jacto, que para mim era apenas regurgitação.

 

Fizemos análise à urina para despistar infecção. Tudo OK.

Melhor tirar sangue para análises, disseram-nos, aproveitamos e deixamos já o cateter para o caso de ter que ficar a soro. Oi?! Como assim tirar sangue? Como assim um cateter? Como assim furar o meu menino?!

 

 

Não fui feita para ser mãe, não tenho estômago para isto.

 

 

Não confiava no enfermeiro das urgências, chamem-lhe implicância, sei lá, e por isso quando vi o enfermeiro D., que nos acompanhou no internamento pós-parto, chegar da maternidade, dei graças a todos os santinhos. Recomendaram-nos que saíssemos da sala, e assim fizemos. Cá fora, chorei até não poder mais, e quando nos mandaram entrar já estava (mais ou menos) recomposta. O meu menino estava calminho.

 

Os resultados não tardaram: tudo OK. Monstrinho apresentava-se bem disposto e sorridente, sem febre, a urinar e defecar normalmente... mas continuava com vómitos. A suspeita que restava era assustadora: estenose hipertrófica do piloro, e foi-nos sugerido que passássemos a noite em observação e de manhã cedo avançássemos com uma ecografia. Assim fizemos.

 

Não foi fácil. Forcei-me a não ir googlar o que significava essa doença de nome tão estranho, e foi o melhor que fiz. Ainda assim,  foi uma noite longa e preocupante. De manhã, depois do que me pareceram anos de espera, lá conseguimos fazer a eco: tudo normal, à excepção de bastante gás no estômago. Dois pediatras, a mesma opinião: pequeno monstrinho está bem. Poderá ser uma virose, poderá não ser nada. Tivemos alta com a recomendação de o fazer comer pequenas quantidades, manter a cabeça elevada face ao estômago e arrotar mais tempo no final. Passaram uns dias, e ele tem estado bem melhor.

 

 

Mas não ganhei para o susto. Que sensação de impotência horrível. Que aflição.

 

 

Nunca mais quero voltar aquele hospital, nunca mais quero ver o meu filho doente, nunca mais o quero ouvir chorar. Sou fraca e o meu coração não aguenta este tipo de tortura.

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publicado às 14:34



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