Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Começamos pelas sopas. Há pediatras que preferem começar pelas papas, outros pelas sopas, o nosso achou melhor assim. Fiz então aquela primeira sopa horrorosa sem nada: batata, cenoura, umas folhas de alface, e um fio de azeite em cru.

 

O que é que acontece quando se dá alimentos com consistência de puré a uma criança que só sabe beber leite? Javardice. Muita javardice.

 

No primeiro dia valeu tudo: cantigas, palminhas, iPad com a pequena sereia a bombar. Era uma colher de papa, e chupeta na boca para ele nao cuspir. Ah, mas não se deve fazer isso. Caguei.

 

Acabamos a refeição com metade da sopa na babete, no tabuleiro, no chão, no cabelo dele, no meu cabelo, dentro das orelhas, sei lá. A outra metave ficou-lhe no estômago, e considerei-me vencedora.

 

No segundo dia, tudo mudou! Já engolia melhor, e alambazou-se com um prato de sopa enquanto o diabo esfrega um olho. Sem musica, sem iPad, sem chupeta, sem nada. Desde então tem sido assim, tudo o que lhe damos ele come bem, minha betoneirazinha, e já conseguimos fazer refeições inteiras sem a casa ficar a parecer um campo de batalha.

 

Já provou couve branca, alface, alho francês, couve flor, brócolos, abóbora, repolho, maçã, pêra e banana - para além da batata e cenoura, claro, e por enquanto não se mostra esquisitinho com nada. Diz a minha sogra que nós não merecíamos um bebé tão fácil (tanto eu como o pai eramos um terror para comer). Estou tentada a dar-lhe razão!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Então Mia, como é que ele lidou com a separação?

 

Nem notou.

 

Há uma razão para os pediatras recomendarem a mudança de quarto aos seis meses. Os bebés são ainda tão pequeninos, não têm ansiedade de separação e não sentem a mudança. No nosso caso, a alteração impunha-se por mais um motivo: o berço que temos no quarto só dá até aos 9kg/6 meses, e o monstrinho pesa já 8,5kg. Não podíamos deixá-lo lá muito mais tempo, e não quisemos deixar a mudança para o limite.

 

Então como foi?

No dia, deitamos o bebé na cama de grades do quarto dele, e fomos para o nosso. E ele dormiu. Já eu, passei a noite em claro. Não sei o que me parece, olhar para o berço vazio ao meu lado. Contei as horas todas, sempre atenta ao monitor e a vigiar cada movimento dele. Fui lá três vezes resgatar a chupeta perdida, e de manhã, mal ele manifestou sinais de acordar, levei-o para a nossa cama. Não tenho emenda.

A segunda noite foi melhor. Descansei, e quando lhe caiu a chupeta pela segunda vez rosnei ao pai um vai lá tu, e a coisa resolveu-se. Dormimos os dois tranquilos até às 9h - eu e o pequeno, que o desgraçado do pai teve que ir trabalhar.

 

Entretanto, esta questão da chupeta perdida começa a tornar-se um incómodo. Já era pouco agradável quando ele estava ao alcance de um braço, e agora que nos obriga a levantar o traseiro piorou um pouco. Em conversa com o pediatra, sugeriu-nos tirar a chupeta à noite. Deixá-lo usar de dia, e até para adormecer, mas depois acabar com isso. Ora, o problema é que ele até adormece sem a chupeta, mas depois se dá pela falta dela é o cabo dos trabalhos. Alguém desse lado já passou pelo mesmo? Querem partilhar truques e soluções milagrosas comigo?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Monstrinho foi à natação

por Mia, em 07.02.18

A pediatra autorizou a partir dos três meses, mas queríamos esperar até aos seis e até começar a primavera para dar início, no entanto comecei a fazer pesquisa na semana passada. Queria uma piscina sem cloro, por causa da pele e coisa e tal, e aqui na zona só havia um ginásio com outro tipo de tratamento de água. Fomos então saber condições. 30€ por mês, pareceu-me excessivo mas consideraria, só que depois veio o extra: claro que um dos pais teria que se inscrever também no ginásio, porque vão usar a nossa piscina e tomar cá banho, ora então acresce a módica quantia de 60€, perfazendo um total de 90€ para o menino ir nadar em águas sem cloro. Quatro vezes por mês.

 

Abusivo.

 

Lembramo-nos então que aqui a 2 minutos de casa há piscinas municipais. Fomos perguntar, e a diferença de preços era brutal - 18€/mês, e vai na mesma um de nós com ele para a água. No entanto, disseram-nos que não o inscrevêssemos. Que não ia gostar. Que não ia aguentar a aula. Que era muito pequeno. Que era asneira colocá-lo numa piscina tão novo. Convidaram-nos a experimentar uma vez, e decidir depois se continuavamos ou não, e assim fizemos.

 

Antes de continuar, explico-vos que não decidi por o menino na natação só porque sim. Em primeiro lugar, porque temos uma piscina em casa. E com toda a vigilância, com toda a segurança, com todas as barreiras, basta um momento de distracção que os acidentes acontecem. Em segundo lugar, achei que ele estava preparado. Sim, tem só seis meses. Mas é um menino activo, grande, com muita força muscular. É uma criança que está bem em todo o lado, muito curioso, que não se aborrece com facilidade, e que adora água desde que nasceu. Achei que ele ia delirar com a piscina, senti que era o momento certo, e não me enganei.

 

No sábado lá fomos nós, de fralda impermeável, com os calções de banho mais fofos e uma mini touca. Caguei nos tampões de ouvidos porque não lhos consegui enfiar. Ao entrar na água estranhou, mas 10 segundos depois já estava a chapinhar. Foi ao colo do professor, que o ajudou a boiar, na maior. Brincou com uma menina que lá estava, com os brinquedos da água, e até nadou ao colo de outra mãe. Ficamos imenso tempo os dois na água, ele encostadinho a mim enquanto o deslizava pela água, parecia que estava num spa. Vê-lo tão relaxado fez-me sentir que tomei a decisão certa. O professor explicou-nos que ele não aprenderá a nadar tão cedo, claro, mas o objectivo é que não tenha medo de água. Saímos da aula 10 minutos antes do fim, por recomendação do professor, mas acho que se dependesse do monstrinho ainda lá estávamos.

 

No final, a parte mais complicada: sair da água e tratar dele e de mim em toda a confusão que é um balneário, sem o pai para ajudar. Felizmente as outras mães foram impecáveis e todas deram uma mãozinha, e a coisa compôs-se. Quando o pus no ovo ele estava tão cansado e tão relaxado que aterrou imediatamente! Agora estamos a vigiar se a pele faz alguma reacção ao cloro, mas até ao momento tudo pacífico. Fiz a inscrição, e a partir de agora vamos começar com a natação "a sério".

 

Mães dos blogs, e vocês? Já se meteram nesta aventura?

Autoria e outros dados (tags, etc)

6 meses depois: a mãe

por Mia, em 04.02.18

A mãe está feliz. Nunca fui tão feliz como neste momento. Ser mãe é tudo o que eu imaginava, e mais um pouco. Sim, eu sei, estar em casa ajuda, não ter grandes problemas neste momento ajuda, ter um bebé fácil ajuda. Tenho noção disso, e valorizo a minha sorte todos os dias. Todinhos.

 

Tenho cada vez mais confiança na mãe que sou, e acho que isso se reflete bem no meu filho. Acredito que, em parte, o facto de ele ser uma criança calma e feliz é minha responsabilidade. O resto é sorte, não sei se já disse.

 

A Mia mulher também está diferente. Já aqui tinha falado sobre isso: gosto mais do meu corpo desde que fui mãe. De repente, não me incomoda aquele pneuzinho, ou o pêlo que escapou à depilação. Não deixo de entrar nas fotos porque me sinto gorda. Aliás, não me sinto gorda - mas estou. Já não me visto só de preto nem compro tudo em tamanho L para esconder o corpo. Estou feliz e isso nota-se na minha imagem: dizem-me que estou mais luminosa, e sei que é verdade.

 

Mas gostar de mim não é sinónimo de desleixo! Pelo contrário. Inscrevi-me num ginásio e estou a fazer dieta, seguida por uma nutricionista. Deixo o monstrinho com o pai e faço pilates duas vezes por semana, e surpresa! As minhas dores de costas quase desapareceram. Pela primeira vez na minha vida, estou a fazer as coisas com calma. Não quero perder peso para ontem, não quero planos de treino mirabolantes nem dietas restritas que não vou cumprir. Vamos andando devagarinho, os resultados vão aparecendo, e eu estou bem com isso.

 

Então e o casal? Nunca estivemos tão bem. Falamos muito, fizemos cedências de parte a parte, e conseguimos ultrapassar o afastamento inicial. Sinto que não reencontramos o nosso equilíbrio, mas criamos um novo, melhorado. Temos uma nova dinâmica, somos três agora, mas continuamos a ser um casal. Ter tirado férias no mês de licença dele ajudou a fortalecer o que já estava bom. Foi um mês de namoro a três, e foi maravilhoso. Fosse eu milionária e fazia disto vida. Ele também está mais confiante no papel de pai e isso desarma-me. Derrete-me o coração vê-los juntos, conseguiria passar horas nisso.

 

Confesso que estou surpreendida, e, porque não dizê-lo, orgulhosa da pessoa que sou neste momento. Não me imaginava tão calma, e com a vida tão controlada como está neste momento. Sou feliz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

6 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.02.18

MEIO ANO. Que loucura, parece que foi ontem.

 

Pequeno monstrinho é um bebé feliz. Não há outra forma de o descrever. Sempre risonho, sempre bem disposto. Sorri para estranhos, sorri ao acordar, gargalha com a maior facilidade. É um gosto conviver com esta criança.

Continua a ser um bebé muito calmo e tranquilo. Faz as suas sestas durante o dia e dorme bem à noite. Vamos tentar mudá-lo de quarto hoje, e ver como corre. Já praticamente não mama. Iniciou a alimentação diversificada, e adora tudo o que come, seja sopa - sem sal, blhéc - fruta, papa ou iogurte. Agora que já sabe engolir direitinho, come num instante e sem fazer grande chavascal. A mãe e o pai agradecem. Descobriu que os gatos existem e é o delírio quando os vê: abana braços e pernas e faz barulhinhos. Falando em barulhinhos, não se cala! Está sempre a palrar, nada com sentido, claro, mas tem piada vê-lo a explorar os sons que consegue fazer. Descobriu que tem pés e agora estão sempre na boca. Se tiver sapatos, não descansa enquanto não os tirar e puser os pés na boca. Aliás, tudo o que agarra vai directo para a boca. Não há nem sinal de dentes, por enquanto. Teve a primeira virose aos cinco meses e meio: uma pequena constipação que curou em poucos dias, nada de grave. Senta-se muito bem com apoio, e mais ou menos sem - volta e meia ainda cai. Faz força para se sentar sozinho, tem cada vez menos paciência para estar deitado, e adora por-se de pê. Quando em pé, começa a dar uns passinhos, mas tentamos não incentivar isso porque ainda não tem força suficiente nas pernas. Adora o banho e já brinca com a sua baleiazinha quando vai para a banheira. Tenta dar beijinhos, mas é tão desajeitado que acaba, invariavelmente, por nos comer a cara. Agarra tudo, brinca imenso, carrega em botões, roda as pecinhas de rodar, puxa as alavancas que são de puxar. Está sempre atento a tudo, se estivermos na rua parece um catavento, sempre a querer apanhar tudo o que passa à volta dele. Se estivermos num sítio com pessoas a passar, sorri para cada uma delas. Começa a reclamar quando lhe tiram os brinquedos ou quando não lhe dão o que quer. Quando tem fome, reclama entre colheradas de sopa. Já olha quando o chamamos, apesar de não responder a um nome em específico - mea culpa, chamo-lhe mil coisas diferentes. Se me esconder e depois aparecer, gargalha todas as vezes - dantes se me escondia ele passava a dar atenção a outra coisa qualquer. O homem diz que nos saiu o jackpot, e eu concordo, é um bebé mesmo bom, nem acredito que tem meio ano!

Autoria e outros dados (tags, etc)

5 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.01.18

Está cada dia mais menino e menos bebé. Continua sorridente e bem disposto, distribui sorrisos por toda a gente, seja quem vê todos os dias ou um desconhecido que lhe fale no meio da rua. Palra imenso, e começa a experimentar com a voz: gritinhos, guinchos, sons diferentes. Dá muitas gargalhadinhas, e tem imensas cócegas. Adora o pai e desfaz-se em sorrisos para ele. Já não mama em exclusivo - conversa para outro post - e tem uma paixão pelo biberão: agarra-o com as duas mãos e já o sabe meter na boca. Começou a querer sentar-se e já se aguenta bastante bem sozinho ou a segurar-se com as mãos à frente. Brinca imenso! Bate e puxa os brinquedos suspensos, agarra os que estão à sua volta e abana-os para fazerem barulho. Tenta alcançar quando lhe damos alguma coisa, apesar de nem sempre conseguir. Transfere objectos de uma mão para a outra e tenta comer TUDO. Morde imenso os brinquedos e as pessoas, mas não acha piada aos mordedores. Estando deitado, faz força para se sentar, apesar de ainda precisar de uma pequena ajuda. Também tenta por-se de pé, e se apanha uma superfície dura debaixo dos pés, começa a dar passinhos, um apressado! Dar banho agora é uma aventura: chapinha imenso com as mãos e os pés, e fica tudo molhado. No Natal delirou com os presentes: rasgávamos um bocadinho de papel e dávamos-lhe o resto e, com alguma ajuda, desembrulhou as prendas todas. O preferido do momento é este andador - apesar de ainda não o usar para andar, adora mexer nos botões todos. Já ajuda na hora de mudar da fralda e trocar de roupa: segura nos pezinhos para eu lhe limpar o rabiosque, e estica os bracinhos para vestir as camisolas. Deixou de achar piada a rebolar, e agora quando o deitamos só quer levantar as perninhas e abanar braços e pernas. De barriga para baixo, rasteja para trás que é uma maravilha, meu pequeno caranguejo! Adora ver-se ao espelho. Aprendeu recentemente a baloiçar e é um perigo tê-lo no colo agora. Agora que estamos os dois em casa (o pai de licença e eu de férias), passamos largos momentos os três no mimo. Ele explora as nossas caras com as mãozinhas e tenta agarrar-nos os olhos, o nariz, a boca, os cabelos... uma doçura! Não teve - até ver - regressão de sono, e começa a ter cada vez mais horários e rotinas. Há tempos diziam-me que os miúdos só tinham piada a partir dos 3 anos, e não podia discordar mais: cada dia com este bebé é único e maravilhoso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.12.17

Não me canso de repetir este cliché: o tempo passa a voar. Se por um lado parece que ele sempre fez parte da minha vida, por outro sinto que está tudo a acontecer tão rápido que é assustador.

 

Pequeno monstrinho de monstrinho não tem nada. Continua a ser um bebé adorável, e não é por ser meu, mas juro que nunca vi bebé assim: sempre a sorrir. Está quase sempre bem disposto, e agora além de sorrir "em mute" também começa a dar pequenas gargalhadas cada vez mais frequentemente - parece um bonequinho daqueles que chiam quando se apertam. Adora que lhe deitem a língua de fora e façam barulho, e ultimamente ri-se às gargalhadas quando o pai lhe fala "baleiês" ou quando dançamos em frente ao espelho. Começou neste último mês a agarrar objectos, e às vezes a levá-los à boca. Se lhe estendemos um brinquedo, vai instintivamente buscá-lo com a mão direita. Se lhe coloco algum objecto na mão esquerda fica confuso, mas passa-lhe rápido. Se colocar um brinquedo em cada mão, bloqueia, coitadinho, acho que é demasiada informação ao mesmo tempo. Adora a sua girafa, é sem sombra de dúvida o preferido cá em casa. Também já aprendeu que se bater nos brinquedos suspensos eles fazem barulho, e por isso vai sempre lá com as mãozinhas. Com os pés ainda não consegue, só com uma ajudinha nossa - ri-se imenso se lhe brincarmos com os pés. Ganhou cócegas: vestir é uma alegria agora, porque basta tocar-lhe no pescoço ou debaixo dos braços para se desmanchar a rir. Outra animação ao vestir é o facto de ter começado a dar à perna. Está sempre a "correr" com os pezinhos no ar. Quando está deitado, começa a tentar fazer força para se sentar, e se lhe dermos os dedos ele agarra-os com as mãozinhas e iça-se até ficar quase sentado. Quando o levantamos, tenta sempre por-se em pé, e se o segurarmos aguenta-se bastante tempo. Tem uma obsessão por vermelho - raça do puto ainda vai ser do benfica. É imediatamente atraído para qualquer coisa vermelha que esteja no seu raio de visão, e consegue ficar largos minutos a fixá-la. Adora a pequena sereia - talvez pelo cabelo vermelho? - e se pusermos a música a tocar é certinho que vai ficar caladinho. Começou a ser mais chatinho para comer - aborrece-se a meio e choraminga, afasta a mama, chega mesmo a fazer birras. É um pouco stressante porque às vezes tenho medo que não coma o suficiente. Continua a dormir a noite inteira, mas faz cada vez menos sestas durante o dia - várias micro-sestas de poucos minutos e uma ou duas "grandes" de meia hora, às vezes uma hora. Começa a reagir a caras que não conhece, a pessoas que falam muito alto e a muita gente de volta dele: chora e procura-me com os olhitos. Também começa a atirar-se na minha direcção quando quer colo. Gosto, mas tenho medo que se torne demasiado dependente de mim. Desde o início dos três meses que veste roupa de seis. Não pensem que digo isto com vaidade - aliás, nunca entendi as mães que se gabam de os filhos vestirem acima da idade. Gosto que ele esteja a crescer bem, claro, mas chateia-me que de repente roupa que mal usamos já não lhe sirva. Além disso, tenho roupa de 9 meses / 1 ano que lhe ofereceram e eu fui comprando a pensar na primavera/verão, e pelo andar da carruagem nunca vai ver a luz do dia. Continua a gostar do banho e torna-se cada vez mais difícil usar a banheira pequenina ou mesmo a shantala, no entanto ele ainda não se senta bem o suficiente para começarmos a usar a grande. Começa, por vezes, a reclamar nas viagens de carro. Para já resolvemos o problema com este brinquedo pendurado na almofada do banco - ele distrai-se com as luzes e a música - mas não sei durante quanto tempo vai funcionar. Também durante os passeios por vezes já se aborrece e pede colo. Andamos sempre com o marsúpio atrás, e por enquanto tem resolvido - desde que não fique muito tempo parada. Começamos a ter rotinas, mas nada de muito rígido - quando parece que a coisa entra em piloto automático, acontece sempre qualquer coisa que nos vem baralhar o esquema. Na última consulta deparamo-nos com uma situação que não é normal, e estamos a aguardar por exames para ter um diagnóstico mais acertado, por isso este novo mês está a começar de forma menos tranquila. Eu que estava ansiosa pelo que vem aí: as papas, começar a sentar, começar a interagir mais connosco, etc., agora só quero agarrar o presente e aproveitar o meu pequeno ao máximo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Se eu fosse rica

por Mia, em 09.11.17

Ficava mais tempo com o meu filho. A coisa mais maravilhosa a que assisti em toda a minha vida é esta que acontece aqui em minha casa todos os dias: vê-lo evoluir de bebé para menino. Morro um bocadinho por dentro de cada vez que me lembro que dentro de seis meses ele irá para a creche e eu vou perder tanto. Estar em casa com um bebé é não comer, não dormir, andar sempre de fato de treino e de cabelo apanhado, mas é muito mais. É ter estado lá na primeira gargalhada. É saber de cor o dia em que ele olhou para o mobile com fascínio pela primeira vez. É ter assistido ao primeiro rebolar, ou ao momento em que ele descobriu que tem mãos. Saber que foi ontem - literalmente, ontem - que ele percebeu que se bater na bola com a mão esquerda ela mexe e faz barulho. E ter visto passo a passo, hoje, quando lhe troquei a bola de lado, todo o processo de redescoberta, agora com a mão direita. Ver esta criança a crescer de dia num processo tão simples, tão natural, tem ao mesmo tempo qualquer coisa de magnífico. Ai se eu fosse rica.

Autoria e outros dados (tags, etc)

3 Meses depois: o bebé

por Mia, em 04.11.17

Está cada dia mais bonito e interage cada vez mais connosco. Tem um despertar muito bem disposto quando espontâneo, e gosta de gastar alguns minutos a espreguiçar-se e a fazer caretas. Depois brinda-nos com largos sorrisos. Aliás, ri-se muito e o tempo todo, é um bebé tremendamente bem disposto - não sei a quem sai. Por outro lado, odeia ser acordado, se acontece, fica rezingão o resto do dia. Aprendeu a agarrar coisas: os lençóis, as fraldas, a babete, a mama. Também começa a levar as coisas à boca, principalmente as suas próprias mãos, habilidade que nos trouxe uma nova tarefa: passar o dia a tirar cotão de todo o lado. Está tão comprido que não cabe deitado na banheira pequenina, e já fica com os pés de fora da espreguiçadeira. Continua a adorar o banho e agora choraminga quando o tiramos da banheira. Experimentou a shantala e gostou muito, mas é complicado para nós utilizá-la porque ele é gordinho e temos que lavar bem todas as dobrinhas. Por falar em gordinho: na ultima pesagem, aos 2 meses e meio, já somava 6,150kg. Dorme a noite inteira, desde as 23h/00h até às 7h/8h. Fixa muito o olhar nas pessoas e nos brinquedos, seguindo-os para todo o lado. Também está sempre muito atento aos sons. Gosta que lhe cantem e ri-se muito quando fazemos a bicicleta, lhe comemos os pezinhos ou fazemos caretas. Ri-se imenso quando lhe digo que o pé cheira a chulé, ou que o vou comer. Reconhece a voz da mãe e do pai e arrebita logo as orelhas se, estando com outra pessoa, nos ouve. Já começa a manifestar vontades e preferência por pessoas: se está no colo de outra pessoa e quer vir ao meu, começa a atirar-se na minha direcção e a choramingar (adoro, mas tento dar-lhe espaço quando está com outras pessoas, para não se tornar uma daquelas crianças que só está bem com a mãe). Tem muita força na cabeça mas pouco controlo, o que faz com que tenhamos que ter sempre mil cuidados para não levar uma cabeçada. Já deu algumas mini gargalhadas, mas ainda não o faz com frequência. Deu um salto de crescimento tão grande que já não sei o que lhe serve, o que está pequeno, e o que está grande. O tempo bipolar também não ajuda ao drama da roupa. Continua a adorar andar de carro, fica calminho e observador, e agora já não dorme o tempo todo. Também nos passeios já se mantém bastantes vezes acordado: observa tudo e sorri imenso quando falam com ele, mesmo que sejam desconhecidos. Já saímos mais vezes de casa, aliás, implementamos a rotina de jantar fora uma vez por semana. Adora tummy time, e já consegue rebolar estando de barriga para baixo para a posição de costas no chão. Creio que não entende muito bem o que se passa porque invariavelmente fica ali deitado de costas com ar meio confuso. Todos os dias ao fim da tarde estendo o ginásio no chão da sala e deitamo-nos os dois a brincar. Já começa a tentar chutar os brinquedos suspensos, e, estando deitado com apoio nas costas, faz esforço para se levantar - apesar de não conseguir. Às vezes, quando está de barriga para baixo, ergue o tronco com os braços e, com as pernas, tenta impulsionar-se para a frente - deve querer ir a algum lado. Está mais fiteiro para dormir, e pede muitas vezes colo quando tem sono, para adormecer passado um ou dois minutos. E nós damos, claro. Até há cerca de uma semana, continuava a bolçar imenso e a vomitar algumas vezes. Consultamos outro pediatra para segunda opinião e o veredicto é o mesmo: é um "bolçador", não é motivo para preocupação. Entretanto isso já acalmou, e voltamos ao registo "baba infinita" e bolinhas. Também faz barulhinhos com a língua e ri-se imenso - vai ser lindo quando começarmos com as sopas. Às vezes, durante o dia, faz sestas já na cama de bebé crescido. Entretém-se muito bem sozinho, desde que nos veja por perto. Continua a ser um bebé maravilhoso, somos tão incrivelmente sortudos e felizes que nem consigo acreditar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

2 Meses depois: o bebé

por Mia, em 04.10.17

Tão cliché mas tão verdade: passou a voar.

 

De repente, o bebé tem dois meses e já não é um recém nascido. É um simpático bem disposto (na maioria dos dias). Ri-se imenso, e uma vez juro que dobrou o riso, apesar de ninguém acreditar em mim. Espalha charme por onde passa com o seu sorriso fácil, basta alguém sorrir para ele que recebe logo um de volta. Já vira a cabeça em direcção aos sons. Interessa-se mais pelos brinquedos, apesar de ainda não lhes tentar chegar com as mãos. Consegue ficar imenso tempo a olhar para os bonecos que lhe penduro em cima da cabeça e a "falar" com eles ou a sorrir. Já faz imensos sons: guinchinhos, gritinhos, uis e ais, e aquela espécie de riso que vem da garganta, é amoroso. Aprendeu também a fazer cuspe, e não só se baba imenso como ainda faz bolinhas, o glamour. Deita muito a língua de fora - já lhe disse que me respeite, que sou mae dele! Às vezes arrepia-se. Tivemos que trocar o berço de lado porque dormia sempre para a direita, e agora acho que a coisa já está mais equilibrada. Pesa quase 6kg e continua a engordar a olhos vistos. Já teve cólicas algumas vezes e não foi nada bonito. Ganhou pestanas - tantas e tão compridas! - e está cada dia mais loirinho, alguém adivinhava que eu, tão morena, havia de ter um filho assim tão clarinho?! Tem imensa força nas pernas e braços, o que nos obriga a toda uma outra logística na muda da fralda, para ele não se magoar com o impulso que dá nos pezinhos ou quando tenta atirar a cabeça para a frente. Segura muito bem a cabeça. Já dormiu mais de 6h seguidas por duas vezes, mas o mais normal são dois blocos nocturnos de 4 ou 5h + 3 ou 4h - e não estamos mal. Gosta mais de mim do que de qualquer outra pessoa - digo-o sem falsas modéstias porque se nota a milhas a diferença de expressão quando me aproximo, os sorrisos que faz quando lhe falo, ou simplesmente a forma como se acalma se estiver a chorar no colo de alguém e eu me chegar a ele. Adora que lhe cante, e se acompanhar de coreografia delira e fica meio histérico. Já reconhece o som da caixinha de música e adormece quase instantaneamente quando a ponho a tocar. Dorme com o seu cãozinho "bóbi", um doudou da Primark com nós nas pontas, que ele gosta de apertar para adormecer. Bolça e vomita com mais frequência do que seria expectável, apesar de aparentemente não haver uma causa clínica. Já teve que passar uma noite no hospital por causa disto, um susto a não repetir! Adora tomar banho e eu não vejo a hora de ele se sentar e brincar na banheira. Também gosta muito de andar de carro e de passear - vai sossegadinho a observar tudo, ou a dormir. Continua a ter o narizito entupido regularmente. Já foi ao brunch, jantar fora e ao supermercado com os pais. Está tão crescido que muita roupa já não lhe serve, e nem tivemos oportunidade de usar - vivendo e aprendendo. Já deixamos as chupetas de recém nascido e começou a usar as de "bebé crescido". Começa a passar mais tempo acordado durante o dia, e consequentemente mais exigente de atenção e mais "chatinho". Tem cada vez mais ar de menino malandro, apesar de ainda ser um bebé muito calminho. Adora que lhe digam que está bonito - pelo menos ri-se imenso com isso. A mamã diz-lhe todos os dias que o adora, e ele responde, invariavelmente, com um sorrisão - e todas as partes menos boas são imediatamente apagadas da memória.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Só para saber

por Mia, em 28.09.17

Nota-se muito que tenho vindo a escrever posts para um dia, numa futura gravidez, vir cá ler e recordar-me de como foi este momento?

Autoria e outros dados (tags, etc)

O meu pequeno monstrinho

por Mia, em 20.09.17

Cá em casa também se dá por meu amor. Pintainho. Meu peixinho. Pequeno pónei. Budinha. Gordito. Pequeno buldogue. Bulldoguezinho. Pequeno panda. Texuguinho. Pinguim. Baby boy. Bebé. Amorzinho da mãe. Bochechas. Velhote. Meu velhote desdentado. Babe. Borracholas.

 

Ocasionalmente também o trato pelo nome dele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Derreto-me

por Mia, em 18.09.17

Quando acaba de mamar e fica "bêbado de leite"

 

milk drunk.jpg

(não é o meu, mas é tal e qual)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

1 Mês depois: a mãe

por Mia, em 16.09.17

Este post já vem um pouco depois do mês, mas também isso traduz o que é ser mãe: prioritizar tudo e fazer as coisas quando dá.

 

Então Mia, como te estás a dar com isto de ser mãe?

Bitch please:

Ok, se calhar não está tuuuudo controlado. Não sou a mãe perfeita. Nem a super mulher (um choque, eu sei). Há dias em que não consigo fazer tudo, outros rendem mais. Cada dia é diferente, não existe uma rotina rígida nem bem estabelecida, e eu estou a aprender a lidar com isso.

 

Neste primeiro mês, aprendemos a descomplicar o bebé: amamentar já não custa tanto. Tirar leite já não é dramático. Já lhe visto qualquer coisa sem medo de o partir - até mesmo aquelas camisolas que entram pela cabeça. As fraldas mudam-se em piloto automático. Forço-me a não pensar nos dramas da vida (e se um dia ele tiver uma febre? e quando cair pela primeira vez? e se alguém algum dia o tratar mal?). Aos poucos, as coisas vão sendo menos difíceis.

 

Eu também estou melhor. O corpo recuperou bem do parto, e apesar de ainda não ter reavido a sensibilidade na zona da cicatriz (dizem que pode demorar até um ano), não tive problemas de maior com a parte física da coisa. Emocionalmente também me sinto bem. Já não choro todos os dias. Na verdade não me lembro quando chorei pela última vez, o que só pode ser bom sinal.

 

Morria de medo de estar sozinha em casa com o bebé, mas de repente já estamos nessa vida há mais de duas semanas e tem corrido tudo bem. Ele está bem alimentado, a crescer bem, a cumprir com as metas de desenvolvimento esperadas. É um risonho bem disposto. A casa está limpa e arrumada. A roupa está lavada, passada e arrumada nos armários. As camas são feitas de lavado, as toalhas e tapetes são trocados com a frequência normal. Já consigo tomar banho todos os dias quando estou sozinha com ele (no início era só à noite, quando o pai chegava), e não me esqueço de lavar os dentes (aconteceu). Já fui à depilação e à manicure, e nos melhores dias até me dou ao luxo de gastar algum tempo a esticar o cabelo - lá porque estou sozinha em casa não quer dizer que tenha que parecer um ogre. Já não passo os dias de pijama. Tenho cozinhado o almoço todos os dias, e às vezes o jantar. Já fui às compras. Comecei a organizar o álbum de gravidez. Consegui até ler algumas revistas. Nos melhores dias, sento-me com um café e um chocolate e gasto alguns momentos a escrever aqui no estaminé, e a agendar posts. Não tenho as leituras de blogues em dia, mas lá chegaremos. Aos poucos, a vida começa a ganhar rotinas e uma sensação de normalidade, ainda que seja um novo normal.

 

Acima de tudo, já não tenho tanto medo, o futuro (e o presente) já não me assusta (tanto), e começo a acreditar que tenho a coisa - de alguma forma - controlada.

 

E o casal?

Ainda não reencontramos o nosso equilíbrio. Gostava de dizer que tem sido tudo um mar de rosas, mas não seria verdade. O nascimento do pequeno monstrinho despertou nas pessoas à nossa volta uma ligeira obsessão. Limites foram ultrapassados, e isso mexeu com a nossa estabilidade conjugal. Mas sobre isso falarei, talvez, depois. Por enquanto esforçamo-nos por reagrupar adaptar a nossa relação à nova realidade. E acredito que correrá tudo bem, sei que ambos estamos a dar o nosso melhor, e isso basta-me. O resto vem com o tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Derreto-me

por Mia, em 13.09.17

Quando está a dormir e lhe cai a chupeta, mas ele continua a chupar o ar, sem acordar

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ou, como carinhosamente lhe chamo, o tormento.

 

 

Tudo o que o primeiro trimestre teve de mau, voltou na sua versão revista e melhorada. Azia a toda a hora e momento, cansaço, sono, dores no peito, até enjoos por vezes.

 

 

A barriga começou a pesar, e apesar de só se ter tornado mesmo grande no último mês, revelou-se extremamente desconfortável. Até as movimentações mais simples como apertar os sapatos ou tirar as calças exigiam uma certa perícia e eram suficientes para me deixar corada como se tivesse corrido a maratona. Levantar-me estando deitada também começou a ser um espectáculo giro de se ver.

 

Comecei a ter saudades do meu corpo me pertencer e não ser apenas uma incubadora. Saudades de coisas como conseguir caminhar pelo centro da cidade sem ter medo que me desse o badagaio por abusar. É estranho quando, de um momento para o outro, deixamos de conhecer os limites do nosso corpo, e coisas que dantes eram normais se tornam difíceis. Suponho que, quando começamos a ficar velhinhos, seja qualquer coisa do género. De repente, dei por mim cheia de estrias e odiei olhar-me ao espelho.

 

 

E falando em deitar, então e as noites? Um inferno. Acordar 4/5 vezes para ir à casa de banho não chegava, era preciso começar a falta de ar e vir também o calor ajudar à festa. "Estou tão desconfortável" é capaz de ser a frase que mais disse na recta final da gravidez. E estava. Não pelo bebé, que foi sempre uma paz de alma e dormia quando eu dormia. Muito raras foram as vezes em que me acordou com algum movimento, creio que era mais o contrário, o facto de eu andar às voltas é que lhe interrompia o sono. Mas a barriga pesava, era incómoda, estava calor e eu não conseguia respirar. Aliado a isto, as minhas mãos resolveram mostrar o quanto me odiavam. E acho que este foi o pior sintoma que tive em toda a gravidez. Dores tão intensas que me despertavam. Cheguei a dormir com as mãos ligadas, mas não conseguia aguentar a noite toda por causa do calor. Uma das vezes adormeci com a mão direita fechada, e de manhã não a conseguia abrir. Parecia que tinha paralisado ali, tive que puxar os dedos, um a um, com a mão esquerda, e aguentar as dores horríveis. Achava eu que isto era tudo, que sofria das mãos mas os pés estavam bem, até que um belo dia dei por mim sem tornozelos. Em vez de pés tinha patorras, e foi assustador ver-me neste estado. Em compensação, voltar a ter pés pequeninos depois do parto foi uma experiência espectacular!

 

 

Trabalhar começou a ser incómodo. Os mais de 120km de carro todos os dias, aliados às 8h quase seguidas sentada na mesma posição, começaram a dar sinal, principalmente depois de o bebé dar a volta. A pressão pélvica tornou-se intensa e as contracções começaram a ser diárias, antes das 30 semanas, um valente susto e um sinal de que estava na altura de parar. E assim fiz. No final de Maio vim para casa com baixa por gravidez de risco, e passei as primeiras semanas em serviços mínimos, a tentar que as coisas acalmassem um pouco. Às 33 semanas tive o OK para recomeçar, devagarinho, a ser uma pessoa. Nada de grandes esforços, claro, mas fui autorizada a fazer coisas básicas como ir até ao shopping (desde que não carregasse pesos) ou tomar um café fora de casa de vez em quando.

 

 

Aliado a isto tudo, os nervos começaram a atacar fortemente. Primeiro medo de um parto prematuro: será que o bebé sobrevive? Ai meu Deus que ainda nem terminei a mala. E a casa que não está pronta. E eu, eu não estou preparada para ter esta criança agora, ainda nem decidi em que hospital o vou ter, ainda nem comecei as aulas de preparação para o parto... Um drama, vocês sabem. Quando as coisas acalmaram, o medo acalmou também um pouco. Mas só mesmo um pouco. Nunca me assustou a dor de parir, mas sim o medo de não ser capaz de o fazer, de não aguentar. E gerir os nervos, enquanto se passa os dias sozinha em casa sem nada para fazer, não é tarefa fácil.

 

 

Para além disto, fui acometida de uma tristeza súbita. Não sei explicar, mas de repente aquela alegria inconsciente do segundo trimestre já não estava lá. Tive dias em que me senti miserável, outros em que chorei sem saber bem porquê. Culpo as hormonas. Lembro-me, a meio de Junho, de começar a sentir uma nostalgia imensa da minha barriga de grávida, mesmo que ainda a tivesse, mesmo que 5 minutos antes estivesse a queixar-me dela. O cérebro de uma grávida é uma montanha de cocó, às vezes.

 

 

E falando em cérebro de grávida: nunca mais na minha vida hão de me ouvir a gozar com esse fenómeno que dá pelo nome de pregnancy brain. Ele é real. De repente esquecia-me de coisas, quer fosse aquela frase que comecei e já não me lembrava do final, ou aquela consulta no dentista. O mais absurdo foi quando troquei os cartões de débito e deitei fora o novo, guardando o velho que já não funcionava. Contado ninguém acredita, mas aconteceu.

 

Os últimos dias foram verdadeiramente desgastantes. Estava cansada, gigante, inchada e com dores variadas. Ainda assim, longe de saber as saudades que teria de estar grávida.

 

O twist irónico desta gravidez: depois de tanta ameaça de parto prematuro, o puto chegou quase ao fim e não estava com vontade de sair. Por ser uma criança tão grande, acabamos por agendar a cesariana para as 39 semanas e 1 dia. Fez-me alguma confusão, mas no final, acabou por se revelar a melhor opção.

 

Em resumo, com todos os contras, nervos, dramas, e preocupações variadas, adorei estar grávida. E sei, com toda a certeza, que quero repetir e que me sentirei incompleta se não o puder fazer. Daqui a uns anos, entenda-se!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32

Tréguas.

 

Foi, sem sombra de dúvida, o melhor da gravidez.

De repente, o meu corpo era meu outra vez. Podia comer sem enjoar, a azia deixou-me, já conseguia funcionar o dia todo com os olhos abertos em vez de andar a cair pelos cantos, que maravilha!

 

 

É claro que, ultrapassado o medo inicial, questões mais futeis surgem, e de repente dei por mim a sentir mais a falta daquele copo de vinho, de uma barrigada de sushi, de comer uma salada fora de casa ou até mesmo de presunto - nunca adorei de paixão, mas acho que houve momentos em que matava por melão com presunto.

 

 

Depois, aquela parte gira de contar a toda a gente. Começamos pela família e amigos chegados. Alguns já suspeitavam, outros foram completamente apanhados de suspresa, mas todos reagiram com entusiasmo. Contei a um amigo que nunca mais me falou. Contei às minhas colegas de trabalho, e nunca fui tão apaparicada em toda a minha vida. Contei-vos, e desde então este tasco virou praticamente um baby-blog (desculpem qualquer coisinha!). Ao completar os quatro meses, decidi que estava na hora de contar ao mundo - porque estava farta de esconder, porque não queria ter que contar no emprego, um a um, e acima de tudo porque achei que tinha que enfrentar o meu medo que corresse mal - por isso dei a novidade no facebook.

 

 

Com o segundo trimestre chegou também a minha parte preferida: preparar o enxoval. Fiz a eco das 13 semanas no início de Fevereiro, e no dia seguinte comecei a fazer compras. Ele continuava em viagem, eu tinha um cartão de crédito e estavamos ainda em época de saldos. Agora pensem.

 

Fiz listas infinitas, corremos os restos dos saldos de ponta a ponta. Os três meses que se seguiram foram a verdadeira loucura: compramos roupa, acessórios, móveis. Transformamos o quarto da tralha em quarto do bebé, e o quarto de hóspedes no quarto da tralha. Mais para o fim do trimestre, começamos a lavar e a passar roupa, e partilhei convosco as minhas dúvidas e aquisições.

 

Mas a loucura não foi só nossa! As avós entraram em baby-mode e era raro o fim de semana em que não tinham qualquer coisa para o menino. Família, amigos e até blogo-tias, todos contribuiram com algo, e eu que sou uma pessoa tão fria vi-me envolvida numa onda gigante de carinho. Até mesmo pessoas da nossa infância: aquela senhora velhinha que já raramente vemos mas andou connosco ao colo, a amiga da mãe, a tia da avó, a prima afastada, sei lá... todas essas pessoas tinham um miminho: alguém bordou uma fralda, uma toalha, um babete... há quem tenha feito um casaco, uns carapins, uma manta. O armário do meu filho conta neste momento com 18 mantas, e eu comprei apenas uma. Temos toalhas para ele usar até chegar à faculdade, não conseguiremos, de forma alguma, usar todos os casaquinhos que nos tricotatam, e creio que é humanamente impossível um bebé gastar tantas fraldas de pano como as que nos deram. Mas acima de tudo, temos o coração a transbordar de amor.

 

 

É claro que houve incómodos, há sempre. Comecei a "respirar alto". Ouvi bocas foleiras. Senti-me gorda, enorme, gigante, irritada e impaciente, mas também estupidamente feliz.

 

 

E depois um dia ele mexeu-se. A bem da verdade, ele já se mexia desde sempre, eu é que não o sentia. Mas depois de começar, oh, desde aí tudo foi melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em Maio, pedi-vos conselhos sobre o que levar para a maternidade. Passado o parto, conto-vos o que levei, o que não foi preciso - a maioria das coisas - e o que me salvou a vida.

 

 

Na minha mala:

- 3 camisas de noite: só usei duas. A terceira era cinza claro e foi uma parvoíce tê-la comprado nesta cor porque acabei por não usar com medo de a manchar de sangue. Todas as camisas tinham botões à frente para facilitar a amamentação. Um pormenor totalmente casual mas que foi muito útil: todas tinham um bolsinho no peito que estava mesmo a mão para colocar o cateter da epidural. Comprei na primark, salvo erro a 6€ cada uma. Não são lindas e são gigantes, mas assim não me sinto mal por nunca mais as usar.

 

- 1 pijama de gravidez: pus na mala no ultimo dia e deu um jeitão. Muito mais confortável do que as camisas, e por ser de gravidez (com faixa na barriga e suporte interior para o peito), não apertava em lado nenhum. Também da primark.

 

- Roupão de verão: conforme foi, voltou. Nem o tirei da mala.

 

- Chinelos de quarto e chinelos de banho: para andar no quarto levei uns descartáveis, muito confortáveis e que depois foram directos para o lixo. Para o banho levei umas havaianas que não me serviram porque os pés incharam imenso. Acabei por tomar descalça.

 

- Cuecas: não levei descartáveis por serem tão grandes e desconfortáveis. Comprei dois packs de cuequinhas de algodão na primark e pronto. No final, as que ficaram manchadas foram para o lixo.

 

- Cuecas de incontinência: tinha lido em blogs de maternidade que seria muito útil, mas nem as usei. Talvez por ter sido uma cesariana, a hemorragia não foi muito intensa, e os pensos que o hospital deu foram suficientes.

 

- Pensos para o pós-parto: acabei por não usar também, porque o hospital fornecia. Usei em casa, e recomendo.

 

- Artigos de higiene: levei champô, condicionador, hidratante, leite de limpeza para a cara, creme de dia, discos de algodão, cotonetes, desodorizante, creme para estrias, sérum para estrias, escova e pasta de dentes, escova do cabelo, e sei lá o que mais. Usei apenas o básico, não havia tempo/vontade/moral para mais. O champô seco foi um verdadeiro life saver: no dia do parto não podia sequer levantar-me e o banho foi de esponja, no dia seguinte fui autorizada a tomar um banho rafeiro - não podia molhar as costas nem a zona do corte - só no terceiro dia consegui lavar o cabelo em condições.

 

- Artigos cosméticos: levei bb cream, corrector de olheiras, pó compacto, a prancha do cabelo, perfume, toalhitas, água termal, etc. Não usei nada.

 

- Batom de cieiro: outro salva-vidas no dia do parto. Nas primeiras horas não podia comer nem beber nada, e os lábios estavam tão secos que foi um alívio tê-lo à mão.

 

- Elásticos de cabelo, ganchos, fitas: não sei como teria sobrevivido sem eles.

 

- Revistas e um livro: LOL. Onde estava com a cabeça? Já passou um mês e ainda não os li.

 

- Máquina fotográfica, carregadores, power bank: o carregador de telemóvel é indispensável, claro. A power bank nem me lembrei que tinha. A máquina foi asneira, o telemóvel tem melhor resolução e é mais do que suficiente.

 

- Documentos mãe e bebé: tudo o que eram exames, análises, livro de grávida, devidamente organizado cronologicamente numa capinha de plástico. Entreguei à obstetra antes do parto, e devolveram-me à saída.

 

- Sutiãs de amamentação: comprei e levei vários, mas achei desconfortáveis. Só gostei deste. Tinha levado também uns normais mas de tamanho maior, e foram os que usei mais.

 

Creme para mamilos e discos de amamentação: Não fiquei fã do creme, e acabei por trocar, dias mais tarde, pelo Purelan. Já os discos da Lansinoh são muito bons: feitos de um material semelhante às fraldas, não ficam húmidos e por isso não colam à pele. Falarei mais sobre isto depois.

 

- Chocolate: soube-me pela vida.

 

- Pijama, roupa interior e escova de dentes para o pai: apesar de ele ter passado todas as noites connosco, foi a casa todos os dias garantir que os animais estavam bem, e por isso aproveitou para tomar banho e trocar de roupa, por isso isto foi mais do que suficiente para ele.

 

 

 

Não levei: toalhas (o hospital oferecia), touca para cabelo (não gosto), roupa para a saída (decidi que seria a mesma roupa da entrada).

Fez-me falta: conchas de amamentação (comprei dias mais tarde), cinta pós parto (acabei por não comprar), mais espaço no telemóvel (não há milagres), snacks (as noites são infinitas e a fome ataca), uma luz de presença (dormir no escuro não era opção, e as luzes do hospital são muito fortes. Acabamos por seguir conselho de uma enfermeira e colocar uma toalha por cima da luz superior da cama).

 

 

 

Na mala do bebé:

- Fraldas: levei de várias marcas diferentes, e as que mais gostei foram as dodot sensitive. O indicador de humidade dá um jeitão quando o bebé faz xixis tão pequeninos que não temos a certeza se a fralda está ou não suja, e permite ver o seu estado sem ter que despir o bebé. Levei uma fralda por cada conjunto e mais umas 15 extra.

 

- 8 conjuntos de body interior com abertura à frente + calças interiores + babygrow, de diferentes tamanhos. Tinha dois mais pequenos, um muito grande, um grande e quatro de tamanho intermédio. O pai acabou por ter que ir a casa buscar mais porque os pequenos eram muito pequenos e os grandes eram enormes.

Organizei todos os conjuntos em sacos de congelação do ikea (são enormes). Cada saquinho tinha o conjunto completo e uma fralda, e escrevi por fora com uma caneta daquelas de escrever em CDs o seu conteúdo, para ser fácil de identificar. Fiz o mesmo com a minha roupa.

 

- Saco da primeira roupinha: um saquinho-envelope bordado que foi comigo para o bloco e levava: body interior, calcinhas interiores, primeira roupinha, gorro, luvas, casaquinho e botinhas de lã. Para o bloco foi também uma mantinha.

A primeira roupa que escolhi foi asneira. Era um conjunto calça-jardineira de algodão e camisola, muito fofo mas nada prático. Fica a nota para uma próxima: nenhum bebé precisa que lhe enfiem uma camisola pela cabeça ao nascer. Não usamos o casaquinho nem as luvas - nasceu em Agosto, pelo amor da santa!

 

- Saquinho com babetes: totalmente inútil, nem o abrimos.

 

- Duas chupetas diferentes: usamos uma logo na segunda noite.

 

- Saquinho com botinhas de lã, luvinhas, meias e gorros variados: não usamos nada.

 

- 3 casaquinhos de malha: também não foi necessário, continuava a ser Agosto...

 

- Duas mantinhas: uma foi connosco para o bloco e usamos nos primeiros dois dias, até ele lhe fazer um xixi monumental em cima. A outra usamos até vir para casa.

 

- 6 Fraldas de algodão: úteis para tudo e mais alguma coisa. Não foram suficientes e o pai teve que ir buscar mais a casa.

 

- Toalhitas: levei mas não usei, não é recomendado nas primeiras semanas.

 

- Estojo de higiene do bebé: usamos apenas a escova e as limas da unhas.

 

 

Não levei: toalhas (o hospital oferecia), roupa para a saída (os bebés querem-se confortáveis, por isso saiu de babygrow), produtos de higiene (não é recomendado nas primeiras semanas, e o hospital ofereceu um kit da mustela para o caso de ser preciso), saco de passeio/fraldas (viemos do hospital directos para casa).

Fez-me falta: compressas (as que o hospital deu não chegaram, e o pai teve que ir buscar mais a casa), fraldas (levei poucas), mais roupa, mais fraldas de pano.

 

 

No geral acho que levei demasiadas coisas e me esqueci de outras que poderia ter considerado. Para uma próxima, ficam as dicas ;)

Autoria e outros dados (tags, etc)

1 Mês depois: o bebé

por Mia, em 04.09.17

Parece que foi ontem, e de repente passou-se um mês e nem sei para onde foi o tempo. Oscilo entre a vontade que ele seja maiorzinho e comece a interagir mais connosco, e o desejo de que o tempo pare neste momento que, tenho a certeza, passa num fósforo.

 

Saiu-nos a sorte grande com este bebé. Nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que teria um filho assim. És um bebé tão bom, digo-lhe, todos os dias.

Calhou de ser assim. Não tenho qualquer crédito nisso, não tem a ver com a educação que lhe demos - como se se conseguisse educar um recém nascido - e amanhã até pode virar uma pequena peste. Mas durante este primeiro mês, fez-nos o favor de ser um bebé maravilhoso.

 

 

Ao longo deste mês:

 

O monstrinho mama em exclusivo, e tem crescido uma média de 40g por dia - um dia destes vai ter que fazer dieta. Nos primeiros dias tínhamos que o acordar para comer, mas agora parece um relógio: de 3 em 3 horas (às vezes à noite faz as 4h de intervalo), está a abrir a boca, qual peixinho, e a rabujar com fome. Ainda não teve cólicas. Faz xixi e cocó como gente grande, normalmente depois de comer. Passa os dias na alcofa e as noites na caminha dele. Às vezes pomo-lo na espreguiçadeira, mas é mais por nós (fica tão fofo) do que por ele, que ainda não liga nada. Por norma adormece sozinho, mas quando pede colo também lho damos. Quando acaba de comer fica bêbado de leite e faz as caras mais adoráveis. Sorri muito, tanto a dormir como acordado. Dizem que são gases, mas eu desconfio que o facto de ele rir quando lhe dou beijinhos na barriga ou nos pés já começa a ser intencional. Temos grandes conversas os dois. Pronto, ok, são monólogos. Já consegue fixar o olhar nas pessoas por algum tempo, mas depois inevitavelmente acaba por se distrair. Segue qualquer ruído com a cabeça e com os olhinhos, e se alguém estiver atrás dele contorce-se todo na direcção do som. Assusta-se com barulhos inesperados, mesmo quando está a dormir. Já tem imensa força no pescoço e consegue segurar a cabeça sozinho durante alguns segundos. O mesmo com as perninhas: pontapeia como gente grande e consegue rodar-se no berço. Prefere dormir com a cabeça voltada para o lado direito, e o paizinho dele tem medo que ele fique com o crânio achatado desse lado. Tem soluços todos os dias e parte-me o coração. Às vezes chora ou dá um gritinho - acho que é para mostrar que sabe, porque nunca dura mais do que um ou dois minutos. Tem frequentemente o narizito entupido, e quando o limpamos às vezes chora, com lágrimas e tudo - é horrível - mas depois quando percebe que respira melhor sorri, e assim já vale a pena. Fica calminho quando ouve a voz da mãe, e às vezes falar com ele ou encostar-lhe a mão na cabecinha é o suficiente para ele parar de chorar e adormecer. Usa chupeta e não é esquisito: tanto marcha a da avent, como a da nuk ou a da chicco. Está cada dia mais loirinho e branquinho, tão filho do pai dele. Adora tomar banho, arregala muito os olhos e sorri imenso, e no fim adormece quase de imediato. Também se dá bem a passear de carro. Conquista toda a gente por onde passa, e não se faz de rogado quando lhe oferecem colo, vai a todos. Faz os barulhos mais deliciosos e as caras mais fofas. Já deu alguns passeios: fomos almoçar fora, às compras, lanchar ao café e passear no jardim. Fora todas as visitas ao médico. Não passeou muito mais porque a mamã é uma tola stressada e acha sempre que está muito calor/muita gente/muita confusão. Lá chegaremos. Passou um mês que pareceu um dia, e agora que escrevo apercebo-me de que já tanta coisa mudou e que ele está tão crescido. Não tenhas pressa, pequenote!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Olhando para trás, acho que a palavra que melhor definiu esta altura foi medo.

 

Soube ainda antes das 4 semanas, mas optei por não contar a quase ninguém até fazer a eco das 12 semanas - ou no meu caso das 13 semanas e 4 dias (penso eu). Acho que nem me permiti ficar feliz até essa altura. Aliás, se for completamente honesta, acho que não me permiti nunca em toda a gravidez ficar completamente feliz.

 

 

Logo no início, um pequeno susto: acordei a meio da noite cheia de dores de barriga. Teria umas 5 semanas de gestação, e entrei em pânico absoluto. Fiquei na cama agarrada à barriga, com a certeza de que tinha acabado ali. Estava certa de que assim que fosse ao quarto de banho veria uma hemorragia intensa, e foi preciso toda a minha coragem para ir. Tudo normal. Não se passava nada. Ele perguntava-me se eu queria ir ao hospital, mas naquele momento parecia-me absurdo fazê-lo. Ainda era cedo para procurar um batimento cardíaco, e não tinha mais sinais. Podia perfeitamente ser uma dor de estômago, intestinos ou outra coisa qualquer dentro do género - e provavelmente foi. Deitei-me novamente e senti o pânico a apoderar-se de mim. Nervos, calor, tonturas. Procurei controlar a respiração enquanto massajava a barriga e acalmei-me. Dias depois, na consulta das 6 semanas, vimos um coraçãozinho a bater.

 

 

Apesar de me ter sentido inchadíssima desde o início e achar que toda a gente notava, agora olhando para as fotos isso parece-me absurdo. O único sinal bem visível desde o início foi a minha cara: inchada e cheia de acne, tão invulgar em mim.

 

 

Às 10 semanas comprei as minhas primeiras calças de grávida, que me acompanharam até ao fim. Tive a sorte de não engordar no rabo ou nas pernas, mas nessa altura as calças normais já começavam a apertar a barriga, e o medo de estar a apertar a criança falou mais alto. Apesar de ter mentalmente decidido só começar a comprar coisas para a gravidez e para a criança depois do primeiro trimestre, tive que ceder aqui. Esta atitudezinha de merda também me fez fazer algumas borradas, como foi o caso da prevenção das estrias, tema sobre o qual vos falei aqui, e que acabei por pagar bem caro.

 

 

Agora à distância não me parece que tenha sido um primeiro trimestre terrível, mas sei que não foi fácil. Lembro-me de ter enjoos todas as noites, apesar de não ter vomitado uma única vez. O cheiro do chocolate dava-me náuseas. Em compensação, uma vez comi um prato cheio de brócolos - que odeio - e soube-me maravilhosamente bem.

Sempre adorei comer, e com a gravidez a comida deixou de me satisfazer. E nunca mais voltei ao normal, mesmo após o parto. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que me apeteceu mesmo alguma coisa, a maior parte das vezes comer era só uma necessidade - falei disso aqui, e de como a fome era algo que aparecia subitamente. A azia também foi presença constante neste primeiro trimestre. De manhã, à tarde, à noite, só me abandonou por momentos no segundo trimestre, mas voltou a ser a minha fiel companheira desde o início do terceiro até ao final.

 

 

O cansaço nos primeiros meses tomou conta de mim. Para além de grávida, o primeiro trimestre coincidiu com um pico de trabalho, e não foi fácil. Ninguém te dá abébias quando não sabem que estás grávida, por muito cansada que estejas. Bastava-me encostar uns minutos para adormecer. A par disto, tínhamos acabado de mudar de casa, era inverno, estava frio e chuvoso, a nossa vida estava encaixotada e não tínhamos aquecimento. Nessa altura ele viajava praticamente todas as semanas, e eu tive momentos em que me senti desamparada e miserável. Também o meu sistema imunitário se ressentiu, e fui brindada com uma úlcera na córnea. Os dentes, sempre tão amigos das grávidas, também não me abandoraram, e tive direito a alguns dissabores, como bruxismo, gengivas rebentadas, e mais tarde até mesmo dentes a abanar. Foi giro, pá!

 

 

Passada a eco das 9 semanas e ultrapassado - se é que alguma vez se ultrapassa - o trauma anterior, a gravidez começou a parecer-me real. Permiti-me respirar - às vezes - e pensar num final feliz. Tinha a certeza que esperava uma menina, e não poderia estar mais enganada. Quem disse que a intuição de mãe não falha???

No final do primeiro trimestre fui fazer análises e rastreio bioquímico. O resultado não tardou, mas os números, sem a ecografia, não servem de nada, por isso mais um camadão de nervos. Enquanto esperava pelo dia da consulta, ia olhando de lado os panfletos que me tinham dado no hospital sobre amniocentese e harmony, e opções caso o resultado não fosse bom. Nervos infinitos, sabeis lá.

 

 

Finalmente chegou o dia. Ele estava em viagem, por isso a minha mãe acompanhou-me. E correu tudo bem. Não só vimos um bebé perfeito e saudável, como ficamos a saber que vinha aí um rapazinho. E a partir daí começou a melhor parte... e todo um conjunto de preocupações novas!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Oh, não gostaste do que escrevi?




Quem vem lá

Site Meter