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E depois ela disse

por Mia, em 20.02.18

Este bebé é tão fácil que se educa sozinho, olha o que te digo.

 

Como se não houvesse aqui horas, dias, semanas, investidos em criar rotinas, incentivar bons hábitos. Como se não tivesse devorado mil livros sobre o tema para conseguir entender o meu filho e guiá-lo pelo melhor caminho. Como se fosse tudo sorte, um acaso, uma criança que nasceu ensinada.

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publicado às 08:02

Era sexta feira à noite, e eu estava sentada ao balcão da cozinha, com um copo de vinho, enquanto conversava online com ela. Cortávamos na casaca de uma terceira pessoa, há lá melhor, e de repente apercebi-me:

- quem ler esta conversa pensa que não temos o que fazer, nem filhos para criar.

ao que ela responde:

- o pai está a adormecê-lo.

- aqui também. Escolhemos bons pais.

 

E escolhemos.

 

Ah e tal, mas o pai tem tanta obrigação como a mãe, beca beca beca. Isso é tudo muito bonito e concordo muito. Mas tendo os mesmos deveres, quantos o fazem? Quantos não se limitam a empurrar as tarefas para a mãe?

 

Em tempos uma amiga contou-me que, numa festa, uma outra amiga ficou chocada porque a filha tinha cocó na fralda e o pai foi mudá-la. A rapariga ficou chocada por ele saber como o fazer, imagine-se!

 

Na semana passada, numa festa de família, o meu filho começou a choramingar. Eu ainda estava a almoçar, por isso o pai pegou nele ao colo e foi adormecê-lo. Naturalmente, não foi preciso pedir, é necessário fazer alguma coisa e o que está mais liberto faz. De imediato uma tia veio perguntar-me se ele era mesmo assim ou se estava a fazer aquilo apenas para o show off.

 

Tens muita sorte.

 

O tanas. Escolhi-o.

Escolhi o homem que olha para o nosso filho como nunca o vi olhar para ninguém. Escolhi o homem que muda fraldas, dá banhos, canta, faz palhaçadas. O homem que chega a casa, depois de um dia de trabalho, e dá a sopa ao menino para me poupar as costas. Que o adormece praticamente todas as noites. O homem que me atura as neuras, que assume quando erra, que conversa comigo, que diz que me ama todos os dias sem excepção.

 

Não foi sorte, escolhi-o. E escolhi tão bem.

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Começamos pelas sopas. Há pediatras que preferem começar pelas papas, outros pelas sopas, o nosso achou melhor assim. Fiz então aquela primeira sopa horrorosa sem nada: batata, cenoura, umas folhas de alface, e um fio de azeite em cru.

 

O que é que acontece quando se dá alimentos com consistência de puré a uma criança que só sabe beber leite? Javardice. Muita javardice.

 

No primeiro dia valeu tudo: cantigas, palminhas, iPad com a pequena sereia a bombar. Era uma colher de papa, e chupeta na boca para ele nao cuspir. Ah, mas não se deve fazer isso. Caguei.

 

Acabamos a refeição com metade da sopa na babete, no tabuleiro, no chão, no cabelo dele, no meu cabelo, dentro das orelhas, sei lá. A outra metave ficou-lhe no estômago, e considerei-me vencedora.

 

No segundo dia, tudo mudou! Já engolia melhor, e alambazou-se com um prato de sopa enquanto o diabo esfrega um olho. Sem musica, sem iPad, sem chupeta, sem nada. Desde então tem sido assim, tudo o que lhe damos ele come bem, minha betoneirazinha, e já conseguimos fazer refeições inteiras sem a casa ficar a parecer um campo de batalha.

 

Já provou couve branca, alface, alho francês, couve flor, brócolos, abóbora, repolho, maçã, pêra e banana - para além da batata e cenoura, claro, e por enquanto não se mostra esquisitinho com nada. Diz a minha sogra que nós não merecíamos um bebé tão fácil (tanto eu como o pai eramos um terror para comer). Estou tentada a dar-lhe razão!

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Hum.

 

A sério? Mas isso é errado porquê?

Leio muito. Muito mesmo. O desenvolvimento da criança e psicologia infantil são temas que me interessam, e mais do que isso, que me dão prazer explorar. Neste primeiro ano do meu filho, sei as guidelines para cada mês, o que se está a passar com o corpo dele, como se está a desenvolver o seu cérebro, e que mudanças esperar. E gosto de saber isso, para o poder estimular da melhor forma.

 

Por exemplo: nos primeiros tempos da criança, não tem qualquer interesse colocá-lo no ginásio de chão, apresentar-lhe bonecos coloridos, enfiá-lo na espreguiçadeira. O melhor nessa altura são contrastes preto/branco, e foi isso que ofereci ao monstrinho nesse momento.

Não tenho o propósito de criar um Einstein, já aqui disse milhões de vezes. Mas se hoje em dia temos imensa informação ao nosso dispor e podemos ajudar a que os nossos filhos se desenvolvam da melhor forma, porque não fazê-lo?

Se eles aprendem a um ritmo mais rápido ou mais lento, isso é outra história. Há coisas que seriam expectáveis aos quatro meses que o meu filho não faz, e por outro lado faz algumas que só esperava mais lá para a frente. Como todas as crianças. Não há mal nenhum nisso. Mas eu sinto que é meu dever enquanto mãe, incentivá-lo e estimula-lo de acordo com a idade.

 

A pessoa que disse a frase do título acha que eu sou obcecada. Que não deveria ler tanto. Que não há qualquer interesse em procurar saber o que é melhor para a criança em cada idade. Que se deve deixar os putos sentados em frente à televisão e esperar pelo melhor.

 

Eu acho que ela está errada.

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Então Mia, como é que ele lidou com a separação?

 

Nem notou.

 

Há uma razão para os pediatras recomendarem a mudança de quarto aos seis meses. Os bebés são ainda tão pequeninos, não têm ansiedade de separação e não sentem a mudança. No nosso caso, a alteração impunha-se por mais um motivo: o berço que temos no quarto só dá até aos 9kg/6 meses, e o monstrinho pesa já 8,5kg. Não podíamos deixá-lo lá muito mais tempo, e não quisemos deixar a mudança para o limite.

 

Então como foi?

No dia, deitamos o bebé na cama de grades do quarto dele, e fomos para o nosso. E ele dormiu. Já eu, passei a noite em claro. Não sei o que me parece, olhar para o berço vazio ao meu lado. Contei as horas todas, sempre atenta ao monitor e a vigiar cada movimento dele. Fui lá três vezes resgatar a chupeta perdida, e de manhã, mal ele manifestou sinais de acordar, levei-o para a nossa cama. Não tenho emenda.

A segunda noite foi melhor. Descansei, e quando lhe caiu a chupeta pela segunda vez rosnei ao pai um vai lá tu, e a coisa resolveu-se. Dormimos os dois tranquilos até às 9h - eu e o pequeno, que o desgraçado do pai teve que ir trabalhar.

 

Entretanto, esta questão da chupeta perdida começa a tornar-se um incómodo. Já era pouco agradável quando ele estava ao alcance de um braço, e agora que nos obriga a levantar o traseiro piorou um pouco. Em conversa com o pediatra, sugeriu-nos tirar a chupeta à noite. Deixá-lo usar de dia, e até para adormecer, mas depois acabar com isso. Ora, o problema é que ele até adormece sem a chupeta, mas depois se dá pela falta dela é o cabo dos trabalhos. Alguém desse lado já passou pelo mesmo? Querem partilhar truques e soluções milagrosas comigo?

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Acabou-se a mama

por Mia, em 09.02.18

Não há leite fraco.

O teu corpo produz sempre o necessário para o teu filho.

Não desistas da amamentação.

 

 

Sabem onde podem enfiar estas e as outras frases feitas relativamente à amamentação? Aí mesmo.

 

Planeei amamentar em exclusivo o meu filho até aos seis meses, e depois tirar. Entretanto ele nasceu, e eu considerei prolongar a amamentação, não porque gostasse, mas por ser melhor para ele. Tudo a correr bem, ultrapassados os problemas iniciais entramos em piloto automático e a coisa fluía naturalmente.

 

Um belo dia - ou não tão belo quanto isso - a pequena criatura começou a mamar menos. E menos. E menos. Se habitualmente mamava 10 a 15 minutos de cada lado, de repente começou a mamar 10 minutos no total, e depois era uma choradeira de proporções épicas e me fazer dar graças a todos os santinhos por não termos vizinhos.

 

Falei com a pediatra - é normal, é porque ele agora consegue mamar de forma mais eficaz. E sosseguei por uns dias. Até que, numa consulta de rotina no centro de saúde, verificamos que ele em duas semanas tinha aumentado apenas 30 gramas de peso. Na minha cabeça, todos os alarmes dispararam, mas à minha volta as pessoas diziam que não. Que era normal. Que os bebés aumentam menos de peso conforme avançam na idade. Que dar mama é que é bom. Disse a enfermeira, disse a médica de família, disseram os sabichões de serviço, mas eu não estava bem com isso. Nessa noite não dormi. O meu filho está a passar fome, tenho a certeza, era o pensamento que me pairava na cabeça.

 

Esperei pela manhã, e liguei à pediatra. Outra vez a mesma conversa, que era normal, que não tinha nada de mal ganhar pouco peso, que era um menino saudável, blá blá blá, mas pronto, se a mãe se sentir melhor com isso, faça assim: tire leite com a bomba e no fim de ele mamar experimente dar-lhe com o biberão, para ver se ainda tem fome. Dito e feito, e claro, a criança estava faminta. Mamou o biberão, e mamava mais se houvesse.

 

Voltei a ligar: vamos começar a dar suplemento imediatamente.

 

É por situações destas que fico frustrada com a obsessão pela amamentação. Com esta brincadeira, o meu filho esteve a passar fome semanas. Era mesmo necessário? Eu não sei se o meu leite era fraco, ou era pouco, ou o que raio se passou. Mas para quê insistir em algo que não está a ser benéfico para a criança? Se eu não tivesse insistido que algo não estava bem, todos os profissionais de saúde que nos acompanham teriam deixado passar esta situação.

 

Começamos a suplementação com leite artificial aos quatro meses e meio, e o monstrinho atirou-se ao biberão como se não houvesse amanhã. Continuei a amamentar - primeiro mama, depois biberão, até ao dia em que decidi parar. Assim, sem floreados: aos cinco meses e meio, escolhi parar.

 

Não o fiz de ânimo leve. Amamentar estava a ser uma tortura para ambos. Chegava a hora de comer, ele cheio de fome, mamava dois ou três minutos, forçado, entre lágrimas e gritos. Para quê?! Falei com a pediatra, expliquei a situação e concordamos que era melhor parar. É claro que me senti culpada, nostálgica, falhada, má mãe. Mas ultrapassei. O meu filho bebe leite artificial. E não há mal nenhum nisso.

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Acho tão giro

por Mia, em 08.02.18

Não sei o que estou a fazer. Ora agasalho demasiado o puto, ora tem roupa a menos. Arranhou-se na cara porque sou uma incompetente a cortar as unhas. Tem sempre fome. Tem sempre sono. Chora quando acaba de acordar e mil pessoas o sufocam? Culpa minha. Tenho a mania que sei tudo. Tenho a mania das modernices, como usar compressas para limpar o rabo, dar-lhe banho num balde, não usar talco, não lhe dar chá, usar produtos de uma marca específica. Leio demasiados livros e faço demasiadas pesquisas. Não deixo que o abanem, chateio-me se andam sempre com ele no colo. Obrigo as pessoas a lavar as mãos antes de lhe pegar, e não deixo que lhe dêem beijos nas mãos. Não falo baixo nem deixo de fazer barulho durante o dia, e incentivo a que ele faça sestas nessas condições. Sou uma péssima mãe. Mas depois é ouvi-los dizer à boca cheia: "o meu" menino é tão bem disposto; é tão saudável, nunca ficou doente; tem uma pele tão limpinha; tem boas rotinas; dorme a noite toda; nunca vi um bebé assim; está tão gordinho; é tão cheiroso; tem um ar tão feliz. Sou uma mãe terrível, e ainda assim, sendo eu sozinha responsável por uma boa percentagem da educação desta criança, parece que as coisas correm bem. Imagino se fosse uma boa mãe.

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Monstrinho foi à natação

por Mia, em 07.02.18

A pediatra autorizou a partir dos três meses, mas queríamos esperar até aos seis e até começar a primavera para dar início, no entanto comecei a fazer pesquisa na semana passada. Queria uma piscina sem cloro, por causa da pele e coisa e tal, e aqui na zona só havia um ginásio com outro tipo de tratamento de água. Fomos então saber condições. 30€ por mês, pareceu-me excessivo mas consideraria, só que depois veio o extra: claro que um dos pais teria que se inscrever também no ginásio, porque vão usar a nossa piscina e tomar cá banho, ora então acresce a módica quantia de 60€, perfazendo um total de 90€ para o menino ir nadar em águas sem cloro. Quatro vezes por mês.

 

Abusivo.

 

Lembramo-nos então que aqui a 2 minutos de casa há piscinas municipais. Fomos perguntar, e a diferença de preços era brutal - 18€/mês, e vai na mesma um de nós com ele para a água. No entanto, disseram-nos que não o inscrevêssemos. Que não ia gostar. Que não ia aguentar a aula. Que era muito pequeno. Que era asneira colocá-lo numa piscina tão novo. Convidaram-nos a experimentar uma vez, e decidir depois se continuavamos ou não, e assim fizemos.

 

Antes de continuar, explico-vos que não decidi por o menino na natação só porque sim. Em primeiro lugar, porque temos uma piscina em casa. E com toda a vigilância, com toda a segurança, com todas as barreiras, basta um momento de distracção que os acidentes acontecem. Em segundo lugar, achei que ele estava preparado. Sim, tem só seis meses. Mas é um menino activo, grande, com muita força muscular. É uma criança que está bem em todo o lado, muito curioso, que não se aborrece com facilidade, e que adora água desde que nasceu. Achei que ele ia delirar com a piscina, senti que era o momento certo, e não me enganei.

 

No sábado lá fomos nós, de fralda impermeável, com os calções de banho mais fofos e uma mini touca. Caguei nos tampões de ouvidos porque não lhos consegui enfiar. Ao entrar na água estranhou, mas 10 segundos depois já estava a chapinhar. Foi ao colo do professor, que o ajudou a boiar, na maior. Brincou com uma menina que lá estava, com os brinquedos da água, e até nadou ao colo de outra mãe. Ficamos imenso tempo os dois na água, ele encostadinho a mim enquanto o deslizava pela água, parecia que estava num spa. Vê-lo tão relaxado fez-me sentir que tomei a decisão certa. O professor explicou-nos que ele não aprenderá a nadar tão cedo, claro, mas o objectivo é que não tenha medo de água. Saímos da aula 10 minutos antes do fim, por recomendação do professor, mas acho que se dependesse do monstrinho ainda lá estávamos.

 

No final, a parte mais complicada: sair da água e tratar dele e de mim em toda a confusão que é um balneário, sem o pai para ajudar. Felizmente as outras mães foram impecáveis e todas deram uma mãozinha, e a coisa compôs-se. Quando o pus no ovo ele estava tão cansado e tão relaxado que aterrou imediatamente! Agora estamos a vigiar se a pele faz alguma reacção ao cloro, mas até ao momento tudo pacífico. Fiz a inscrição, e a partir de agora vamos começar com a natação "a sério".

 

Mães dos blogs, e vocês? Já se meteram nesta aventura?

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6 meses depois: a mãe

por Mia, em 04.02.18

A mãe está feliz. Nunca fui tão feliz como neste momento. Ser mãe é tudo o que eu imaginava, e mais um pouco. Sim, eu sei, estar em casa ajuda, não ter grandes problemas neste momento ajuda, ter um bebé fácil ajuda. Tenho noção disso, e valorizo a minha sorte todos os dias. Todinhos.

 

Tenho cada vez mais confiança na mãe que sou, e acho que isso se reflete bem no meu filho. Acredito que, em parte, o facto de ele ser uma criança calma e feliz é minha responsabilidade. O resto é sorte, não sei se já disse.

 

A Mia mulher também está diferente. Já aqui tinha falado sobre isso: gosto mais do meu corpo desde que fui mãe. De repente, não me incomoda aquele pneuzinho, ou o pêlo que escapou à depilação. Não deixo de entrar nas fotos porque me sinto gorda. Aliás, não me sinto gorda - mas estou. Já não me visto só de preto nem compro tudo em tamanho L para esconder o corpo. Estou feliz e isso nota-se na minha imagem: dizem-me que estou mais luminosa, e sei que é verdade.

 

Mas gostar de mim não é sinónimo de desleixo! Pelo contrário. Inscrevi-me num ginásio e estou a fazer dieta, seguida por uma nutricionista. Deixo o monstrinho com o pai e faço pilates duas vezes por semana, e surpresa! As minhas dores de costas quase desapareceram. Pela primeira vez na minha vida, estou a fazer as coisas com calma. Não quero perder peso para ontem, não quero planos de treino mirabolantes nem dietas restritas que não vou cumprir. Vamos andando devagarinho, os resultados vão aparecendo, e eu estou bem com isso.

 

Então e o casal? Nunca estivemos tão bem. Falamos muito, fizemos cedências de parte a parte, e conseguimos ultrapassar o afastamento inicial. Sinto que não reencontramos o nosso equilíbrio, mas criamos um novo, melhorado. Temos uma nova dinâmica, somos três agora, mas continuamos a ser um casal. Ter tirado férias no mês de licença dele ajudou a fortalecer o que já estava bom. Foi um mês de namoro a três, e foi maravilhoso. Fosse eu milionária e fazia disto vida. Ele também está mais confiante no papel de pai e isso desarma-me. Derrete-me o coração vê-los juntos, conseguiria passar horas nisso.

 

Confesso que estou surpreendida, e, porque não dizê-lo, orgulhosa da pessoa que sou neste momento. Não me imaginava tão calma, e com a vida tão controlada como está neste momento. Sou feliz.

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6 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.02.18

MEIO ANO. Que loucura, parece que foi ontem.

 

Pequeno monstrinho é um bebé feliz. Não há outra forma de o descrever. Sempre risonho, sempre bem disposto. Sorri para estranhos, sorri ao acordar, gargalha com a maior facilidade. É um gosto conviver com esta criança.

Continua a ser um bebé muito calmo e tranquilo. Faz as suas sestas durante o dia e dorme bem à noite. Vamos tentar mudá-lo de quarto hoje, e ver como corre. Já praticamente não mama. Iniciou a alimentação diversificada, e adora tudo o que come, seja sopa - sem sal, blhéc - fruta, papa ou iogurte. Agora que já sabe engolir direitinho, come num instante e sem fazer grande chavascal. A mãe e o pai agradecem. Descobriu que os gatos existem e é o delírio quando os vê: abana braços e pernas e faz barulhinhos. Falando em barulhinhos, não se cala! Está sempre a palrar, nada com sentido, claro, mas tem piada vê-lo a explorar os sons que consegue fazer. Descobriu que tem pés e agora estão sempre na boca. Se tiver sapatos, não descansa enquanto não os tirar e puser os pés na boca. Aliás, tudo o que agarra vai directo para a boca. Não há nem sinal de dentes, por enquanto. Teve a primeira virose aos cinco meses e meio: uma pequena constipação que curou em poucos dias, nada de grave. Senta-se muito bem com apoio, e mais ou menos sem - volta e meia ainda cai. Faz força para se sentar sozinho, tem cada vez menos paciência para estar deitado, e adora por-se de pê. Quando em pé, começa a dar uns passinhos, mas tentamos não incentivar isso porque ainda não tem força suficiente nas pernas. Adora o banho e já brinca com a sua baleiazinha quando vai para a banheira. Tenta dar beijinhos, mas é tão desajeitado que acaba, invariavelmente, por nos comer a cara. Agarra tudo, brinca imenso, carrega em botões, roda as pecinhas de rodar, puxa as alavancas que são de puxar. Está sempre atento a tudo, se estivermos na rua parece um catavento, sempre a querer apanhar tudo o que passa à volta dele. Se estivermos num sítio com pessoas a passar, sorri para cada uma delas. Começa a reclamar quando lhe tiram os brinquedos ou quando não lhe dão o que quer. Quando tem fome, reclama entre colheradas de sopa. Já olha quando o chamamos, apesar de não responder a um nome em específico - mea culpa, chamo-lhe mil coisas diferentes. Se me esconder e depois aparecer, gargalha todas as vezes - dantes se me escondia ele passava a dar atenção a outra coisa qualquer. O homem diz que nos saiu o jackpot, e eu concordo, é um bebé mesmo bom, nem acredito que tem meio ano!

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Meu pequeno monstrinho

por Mia, em 02.02.18

Na fila do Ikea, o bebé à nossa frente chorava desalmado. Monstrinho apercebe-se e faz o quê? Começa a rir-se às gargalhadas. Nível de empatia: zero - temos serial killer em potência.

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Repitam todos comigo:

 

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

não podes deixar que o medo te impeça de fazer as coisas

 

a ver se me acalmo um bocadinho...

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Explico. Adoro estar em casa com o meu filho, e por mim fazia disto vida. Quando voltar a trabalhar, ele vai ter que ir para o colégio, e acho que, com 6 meses, ainda é cedo para entregar a minha criança a um estranho.


MAS.


Há sempre um mas.


Nesta fase ele desconhece o significado de ansiedade de separação. Fica com qualquer pessoa. Não estranha ninguém. És um fácil, digo-lhe tantas vezes, dá conversa a todos e se estivermos com muita gente nem quer saber de mim ou do pai, é imediatamente atraído para as caras novas. Seria mais fácil habitua-lo à rotina de infantário neste momento? Será que o prolongar da licença foi realmente por ele, ou terá sido mais uma forma de tentar adiar a minha própria ansiedade de separação? Dúvidas, toda eu sou dúvidas.

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5 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.01.18

Está cada dia mais menino e menos bebé. Continua sorridente e bem disposto, distribui sorrisos por toda a gente, seja quem vê todos os dias ou um desconhecido que lhe fale no meio da rua. Palra imenso, e começa a experimentar com a voz: gritinhos, guinchos, sons diferentes. Dá muitas gargalhadinhas, e tem imensas cócegas. Adora o pai e desfaz-se em sorrisos para ele. Já não mama em exclusivo - conversa para outro post - e tem uma paixão pelo biberão: agarra-o com as duas mãos e já o sabe meter na boca. Começou a querer sentar-se e já se aguenta bastante bem sozinho ou a segurar-se com as mãos à frente. Brinca imenso! Bate e puxa os brinquedos suspensos, agarra os que estão à sua volta e abana-os para fazerem barulho. Tenta alcançar quando lhe damos alguma coisa, apesar de nem sempre conseguir. Transfere objectos de uma mão para a outra e tenta comer TUDO. Morde imenso os brinquedos e as pessoas, mas não acha piada aos mordedores. Estando deitado, faz força para se sentar, apesar de ainda precisar de uma pequena ajuda. Também tenta por-se de pé, e se apanha uma superfície dura debaixo dos pés, começa a dar passinhos, um apressado! Dar banho agora é uma aventura: chapinha imenso com as mãos e os pés, e fica tudo molhado. No Natal delirou com os presentes: rasgávamos um bocadinho de papel e dávamos-lhe o resto e, com alguma ajuda, desembrulhou as prendas todas. O preferido do momento é este andador - apesar de ainda não o usar para andar, adora mexer nos botões todos. Já ajuda na hora de mudar da fralda e trocar de roupa: segura nos pezinhos para eu lhe limpar o rabiosque, e estica os bracinhos para vestir as camisolas. Deixou de achar piada a rebolar, e agora quando o deitamos só quer levantar as perninhas e abanar braços e pernas. De barriga para baixo, rasteja para trás que é uma maravilha, meu pequeno caranguejo! Adora ver-se ao espelho. Aprendeu recentemente a baloiçar e é um perigo tê-lo no colo agora. Agora que estamos os dois em casa (o pai de licença e eu de férias), passamos largos momentos os três no mimo. Ele explora as nossas caras com as mãozinhas e tenta agarrar-nos os olhos, o nariz, a boca, os cabelos... uma doçura! Não teve - até ver - regressão de sono, e começa a ter cada vez mais horários e rotinas. Há tempos diziam-me que os miúdos só tinham piada a partir dos 3 anos, e não podia discordar mais: cada dia com este bebé é único e maravilhoso.

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Tudo começou quando descolei o meu aparelho de contenção. Para quem não sabe, trata-se de um pequeno arame que é colocado por detrás dos dentes de baixo, para os manter no sítio após tratamento ortodôntico. Ora, dizia eu, descolei a contenção e andava com um ferro solto na boca há coisa de três semanas. Desagradável, mas não tanto que me incentivasse a ir ao dentista - tinha consulta em Janeiro e estava a ver se aguentava a coisa até lá.

 

Passo a explicar: ir ao dentista agora não é propriamente simples porque tenho que levar o miúdo comigo. Como iria aproveitar a consulta para fazer a limpeza semestral, poderia demorar algum tempo, e não é a coisa mais confortável ter um bebé a meu cargo nesse momento.

 

Entretanto, e porque as minhas gengivas já imploravam por piedade, acabei por agendar a consulta para um sábado - assim os meus homens poderiam ir comigo. Sábado chegou, e acordamos todos às 7h30 para estar na consulta às 9h. Amamentei o miúdo e enquanto o pai o punha a arrotar, comecei a abrir as persianas todas. Lá fora um dia de inverno horrível: chuva, frio, nevoeiro. Voltei para o quarto e nem queria acreditar nas palavras que me saíram da boca: eu vou sozinha à consulta, e vocês ficam aqui em casa.

 

Choque.

 

Nestes quatro meses, nunca tinha saído sem o meu filho. É claro que ele fica ao cuidado do pai quando estamos em casa e eu vou fazer qualquer coisa para outra divisão. Mas separados por mais do que alguns metros? Nunca tinha acontecido. O máximo foi aquela vez em que eu tive que ir à Primark e o deixei com o pai na Fnac, mais do que isso jamais. Mas no sábado tinha que ser. O meu medo, a ansiedade que sentia por me separar dele, estavam a levar a melhor sobre a racionalidade. Que parvoíce teria sido tirar a criança de casa, num sábado de manhã tão cedo, com frio e chuva, e ainda por cima para o levar para ambiente hospitalar, sem necessidade nenhuma? Seria egoísmo, estaria a fazê-lo por mim, e por isso fui sozinha.

 

Não vou mentir, custou, mas se calhar não tanto como pensei que custaria. No espaço de 2h em que estive fora consegui enviar apenas duas sms a perguntar se estava tudo bem, e no fim da consulta ainda aproveitei para dar um saltinho às compras. Não sei se se nota, mas estou bastante orgulhosa de mim própria. Para alguns parecerá simples, sair e deixar o filho com o pai, grande coisa. Para mim foi um grande feito. Deixar aquilo que tenho de mais precioso com outra pessoa, ainda que seja o pai dele, e ainda que confie totalmente nos seus cuidados, exigiu muita força mental da minha parte. E acho que o facto de ter colocado o bem estar dele à frente dos meus medos, fez de mim uma melhor mãe. Sinto que dei um primeiro passo muito importante, e um dia destes, quem sabe, até conseguirei voltar a ser uma pessoa e não "apenas" uma mãe.

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Não acho. Mesmo. Nem por sombras.

 

Mentiria se dissesse que nunca tive dúvidas quanto a isso. Houve um momento em que questionei a competência dele enquanto pai.

 

 

{O monstrinho tinha poucas semanas de vida e estava a fazer uma pequena birra e constantemente a cuspir a chupeta para o chão, e ele repreendeu-o, zangado. E eu mais zangada fiquei. Concedo que o pai estivesse cansado, exausto, impaciente, mas não se repreende um recém nascido que não tem qualquer controle sobre as suas acções. Aquilo perturbou-me de tal forma que ficou a marinar na minha cabeça durante dias, até que acabei por me sentar com ele e por as coisas em pratos limpos: assim não. Não tolero que descarreguem frustrações no meu filho, muito menos o pai dele. É suposto sermos o seu porto de abrigo, e farei todos os esforços para que isso aconteça, nem que isso implique abrir mão da minha relação - dose extra de drama para provar um ponto. Ele reconheceu o erro, pediu desculpa, prometeu não repetir, e desde então tem sido exemplar.}

 

 

Mas eu queixo-me, claro.

 

Queixo-me de ele se apoiar demasiado em mim, de contar comigo para tudo. Sei que ele não conseguiria responder a perguntas básicas como "qual é o nome da vitamina que ele toma?" ou "quando foi a ultima vez que trocamos os lençóis do berço?" ou ainda "onde estão os gorros?". Sei que isso se deve ao facto de não ser preciso ele saber essas coisas, porque a vitamina é dada de manhã e eu assumi a responsabilidade de a dar para evitar sobredosagem, porque os lençóis são trocados à quarta-feira de manhã, e porque toda a organização do quarto dele é minha responsabilidade - para além de ter mais tempo, faço gosto nisso.

 

Sei que há um motivo lógico para eu saber essas coisas e ele não. Sei que ele não precisa de as saber, porque estou cá eu. Mas assusta-me pensar: e se eu falhar?

 

Ele contrapõe: se tu falhares eu arranjo-me. Sei o essencial, e o resto aprenderia se fosse necessário.

 

Tem lógica, mas às vezes ainda me incomoda, e queixo-me, claro, não sei se já disse. Sou pessoa de se queixar muito de barriga cheia.

 

Nunca tinha pensado no impacto que as minhas palavras teriam nele.

O meu homem é uma pessoa muito pouco dada a queixas e dramatismos. E isso faz com que, por vezes, seja muito fácil esquecer que ali dentro daquela carapaça também há um coração. Nunca me passou pela ideia que ele assumisse as minhas queixas como um atestado de incompetência. E partiu-me o coração que ele pudesse pensar que era um mau pai, por minha causa.

 

Basta ver a reacção que o monstrinho tem quando ele chega a casa todos os dias, para perceber que há ali uma paixão assolapada pelo pai. Derreto-me a ver a forma como ele brinca com o filho, como lhe inventa canções, como faz aviãozinho. Como, sendo ele uma pessoa pouco dada a demonstrações de afecto, lhe mostra diariamente que o adora. Aquece-me a alma ver o cuidado com que o embala, o veste e lhe troca a fralda - mesmo que demore três vezes mais tempo do que eu.

 

O meu homem é o melhor pai que o meu filho poderia ter. E entristece-me a ideia de ele poder pensar de outra forma.

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Está tudo bem, por agora.

por Mia, em 05.12.17

Sendo que por agora são as palavras dominantes, que me tiram o sono e não me deixam sossegar.

 


Já aqui tenho dito várias vezes: não quero um bebé precoce, quero um bebé normal e saudável. Mas o meu filho trocou-me as voltas.
Na consulta dos quatro meses, a pediatra verificou que a fontanela anterior estava já praticamente fechada. E isso é mau? Pode ser. E num bebé de quatro meses, tudo o que pode ser mau, é assustador.


A fontanela anterior localiza-se no alto da cabeça e é uma zona membranosa onde, tendencialmente, as pessoas evitam tocar por se pensar ser frágil. Este espaço "aberto" entre os ossos do crânio ajuda à passagem do bebé pelo canal de parto, bem como ao desenvolvimento do cérebro e crescimento do crânio.


Normalmente o encerramento da fontanela anterior ocorre entre os 6 e os 9 meses, sendo que apenas solidifica completamente já perto dos dois anos. Ora, tendo a moleirinha quase fechada aos quatro meses, não é difícil de entender que o cenário não é motivador. A cabeça tem que crescer juntamente com o cérebro, caso contrário pode acontecer a sua compressão e possíveis danos neurológicos. A juntar à festa da preocupação: um aumento de apenas 0,5cm de perímetro cefálico nos últimos 2 meses, não era animador.

 

Cranioestenose. A palavra que está em loop na minha cabeça há uma semana. O tratamento é só um: cirurgia. O mundo caiu-me aos pés, e forcei-me a não pesquisar mais sobre o assunto. Não que não quisesse saber - oh se quero, quero saber tudo - mas porque o exame que seria o passo seguinte foi marcado para uma semana após a consulta, e sei que consigo facilmente entrar numa espiral destrutiva e derrotista, se me propuser a isso.

Aguardamos, pacientemente ou não, a tal semana. Não sei quantas vezes olhei para ele e me desfiz em lágrimas, quantos pensamentos horrorosos me passaram pela cabeça, quantas vezes rezei e desejei com tanta força que estivesse tudo bem.

 

 

O exame foi ontem, e, neste momento, está tudo bem. O desenvolvimento do cérebro do monstrinho está a acontecer conforme expectável para a idade, e para já não é necessário fazer exames adicionais. É vigiar que a cabeça continua a crescer - nunca desejei tanto ter um bebé cabeçudo - e esperar pelo melhor.

 

Por aqui já se respira, mais ou menos, mas ainda sinto o perigo ali ao virar da esquina. Obrigada a todos pelas boas vibrações, parecendo que não, ajuda.

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4 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.12.17

Não me canso de repetir este cliché: o tempo passa a voar. Se por um lado parece que ele sempre fez parte da minha vida, por outro sinto que está tudo a acontecer tão rápido que é assustador.

 

Pequeno monstrinho de monstrinho não tem nada. Continua a ser um bebé adorável, e não é por ser meu, mas juro que nunca vi bebé assim: sempre a sorrir. Está quase sempre bem disposto, e agora além de sorrir "em mute" também começa a dar pequenas gargalhadas cada vez mais frequentemente - parece um bonequinho daqueles que chiam quando se apertam. Adora que lhe deitem a língua de fora e façam barulho, e ultimamente ri-se às gargalhadas quando o pai lhe fala "baleiês" ou quando dançamos em frente ao espelho. Começou neste último mês a agarrar objectos, e às vezes a levá-los à boca. Se lhe estendemos um brinquedo, vai instintivamente buscá-lo com a mão direita. Se lhe coloco algum objecto na mão esquerda fica confuso, mas passa-lhe rápido. Se colocar um brinquedo em cada mão, bloqueia, coitadinho, acho que é demasiada informação ao mesmo tempo. Adora a sua girafa, é sem sombra de dúvida o preferido cá em casa. Também já aprendeu que se bater nos brinquedos suspensos eles fazem barulho, e por isso vai sempre lá com as mãozinhas. Com os pés ainda não consegue, só com uma ajudinha nossa - ri-se imenso se lhe brincarmos com os pés. Ganhou cócegas: vestir é uma alegria agora, porque basta tocar-lhe no pescoço ou debaixo dos braços para se desmanchar a rir. Outra animação ao vestir é o facto de ter começado a dar à perna. Está sempre a "correr" com os pezinhos no ar. Quando está deitado, começa a tentar fazer força para se sentar, e se lhe dermos os dedos ele agarra-os com as mãozinhas e iça-se até ficar quase sentado. Quando o levantamos, tenta sempre por-se em pé, e se o segurarmos aguenta-se bastante tempo. Tem uma obsessão por vermelho - raça do puto ainda vai ser do benfica. É imediatamente atraído para qualquer coisa vermelha que esteja no seu raio de visão, e consegue ficar largos minutos a fixá-la. Adora a pequena sereia - talvez pelo cabelo vermelho? - e se pusermos a música a tocar é certinho que vai ficar caladinho. Começou a ser mais chatinho para comer - aborrece-se a meio e choraminga, afasta a mama, chega mesmo a fazer birras. É um pouco stressante porque às vezes tenho medo que não coma o suficiente. Continua a dormir a noite inteira, mas faz cada vez menos sestas durante o dia - várias micro-sestas de poucos minutos e uma ou duas "grandes" de meia hora, às vezes uma hora. Começa a reagir a caras que não conhece, a pessoas que falam muito alto e a muita gente de volta dele: chora e procura-me com os olhitos. Também começa a atirar-se na minha direcção quando quer colo. Gosto, mas tenho medo que se torne demasiado dependente de mim. Desde o início dos três meses que veste roupa de seis. Não pensem que digo isto com vaidade - aliás, nunca entendi as mães que se gabam de os filhos vestirem acima da idade. Gosto que ele esteja a crescer bem, claro, mas chateia-me que de repente roupa que mal usamos já não lhe sirva. Além disso, tenho roupa de 9 meses / 1 ano que lhe ofereceram e eu fui comprando a pensar na primavera/verão, e pelo andar da carruagem nunca vai ver a luz do dia. Continua a gostar do banho e torna-se cada vez mais difícil usar a banheira pequenina ou mesmo a shantala, no entanto ele ainda não se senta bem o suficiente para começarmos a usar a grande. Começa, por vezes, a reclamar nas viagens de carro. Para já resolvemos o problema com este brinquedo pendurado na almofada do banco - ele distrai-se com as luzes e a música - mas não sei durante quanto tempo vai funcionar. Também durante os passeios por vezes já se aborrece e pede colo. Andamos sempre com o marsúpio atrás, e por enquanto tem resolvido - desde que não fique muito tempo parada. Começamos a ter rotinas, mas nada de muito rígido - quando parece que a coisa entra em piloto automático, acontece sempre qualquer coisa que nos vem baralhar o esquema. Na última consulta deparamo-nos com uma situação que não é normal, e estamos a aguardar por exames para ter um diagnóstico mais acertado, por isso este novo mês está a começar de forma menos tranquila. Eu que estava ansiosa pelo que vem aí: as papas, começar a sentar, começar a interagir mais connosco, etc., agora só quero agarrar o presente e aproveitar o meu pequeno ao máximo.

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...

por Mia, em 28.11.17

O pior da maternidade não são as noites sem dormir. Não é o choro incessante, as dores de costas, o cansaço nem mesmo a fome. O que me mata um bocadinho por dentro todos os dias são as dores dele. É a angústia de que algo possa estar errado. De cada vez que se coloca a hipótese de alguma coisa não estar bem, é como se me arrancassem um órgão a sangue frio, e hoje sinto que me tiraram um pulmão. Custa-me tanto respirar como se estivesse submersa, estou tão preocupada que nem as lágrimas me saem. O meu menino pode não estar bem, e vamos ter que esperar (pelo menos) uma semana para saber. Venham daí essas vibrações positivas, que a coisa está difícil por aqui.

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O final de uma era

por Mia, em 28.11.17

Este ano, aos 30 anos, e pela primeira vez desde que sou gente, decidi: não vou comprar um calendário do advento de chocolates para mim. Pode ou não estar relacionado com o facto de o meu irmão ter comprado um para o monstrinho, que, não podendo comer, não há de se estragar...

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