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Aquele estranho à vontade que as pessoas sentem para falar connosco sobre tudo e mais um par de botas. Ontem a menina da caixa do Continente descreveu-me, em detalhe, as alterações de corrimento que lhe aconteceram nos dias que antecederam o parto.

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Aquela pessoa que mal conheces mas que te encurrala no meio da rua e te dá uma seca de 40 minutos enquanto disserta sobre como não deves dar ouvidos às opiniões dos outros, que todos têm a mania que sabem mais do que as mães, e ao mesmo tempo te vai deixando sábios conselhos sobre como deves educar o teu filho...

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Não. Aguento. Este. Calor.

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As mãos.

 

Toda a gente fala dos pés de hipopótamo, mas... e as mãos??

 

Sempre fui extremamente sensível das mãos e pulsos, bastando por vezes fazer um esforço um pouco maior (jogar bowling, ténis ou mesmo descascar batatas são suficientes) para ficar dias sem conseguir mexe-los. O facto de a minha profissão exigir que passe o dia em frente a um computador e a mexer no rato não facilita, bem sei. Em tempos, durante uma crise mais aguda cheguei mesmo a fazer raio-x para verificarem se não teria nada partido porque as dores eram mesmo insuportáveis. Estava tudo, aparentemente, bem.

 

 

Mas agora no terceiro trimestre chegou o verdadeiro tormento. Começou com um formigueiro ligeiro quando acordava, depois alguma dor, e agora tenho dias em que ao acordar nem consigo mexer as mãos. Acordo a meio da noite com as dores e vou enfiar as mãos em água gelada. De manhã é raro conseguir dobrar os dedos, e por vezes mesmo ao longo do dia tenho aquela dorzinha persistente. Um inferno, sabeis lá vós.

 

 

A médica diz que é síndrome do túnel cárpico. Que é normal, é frequente, e na volta até explica as dores pré-gravidez. Qualquer coisa a ver com a retenção de líquidos, sei lá eu. Os pés não estão inchados, as pernas não estão cansadas, a tensão está óptima e a água que bebo daria para encher um pequeno lago. Mas as minhas mãos aparentemente odeiam-me.

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Cãibras. Muitas, principalmente de manhã, dolorosas, e muitas vezes seguidas - o record são 5, até ver.

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Puto:

por Mia, em 22.05.17

Quando digo que funciono bem sob pressão, não é no sentido literal! Sai lá de cima da minha bexiga, sim?

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As malas para a maternidade

por Mia, em 18.05.17

Este fim de semana vou-me dedicar a isso. Não posso adiar mais (poder posso, mas já começo a ficar enervada), e por isso vou lançar mãos à obra e fazer as malas. É engraçado que, se pensar na mala dele me faz sentir alegre, esperançosa e ansiosa, já com a minha a coisa muda de figura, e listar mentalmente o que lá tenho que pôr provoca-me arrepios na espinha, muito provavelmente porque o conteúdo desta segunda mala inclui coisas como fraldas para incontinência ou creme para mamilos gretados (muito visual? Desculpem qualquer coisinha). Tenho comentado com os que me são próximos que estas serão, provavelmente, a mala mais feliz e a mais deprimente que farei na vida.

 

Posto isto, venham a mim os vossos sábios conselhos. Sim, todas aquelas coisas que ficam de fora das listas que os hospitais nos dão, todos aqueles pequenos truques que alguém em tempos vos disse, tudo aquilo que vos salvou a vida na maternidade, tudo o que desejaram ter convosco e vos falhou. Não me escondam nada!

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Aquela pergunta recorrente desde o início da gravidez: "ainda estás a trabalhar?", seguida do olhar de reprovação quando digo que sim, e meia dúzia de sugestões desnecessárias sobre o que dizer à médica para ir para casa com gravidez de risco.

 

 

Tenho quase a certeza que, se dissesse que não, ia na mesma levar com o olhar reprovador e mil histórias sobre como pessoa X, Y e Z trabalharam até parir.

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Agora a sério: esta coisa de estar sempre sem fôlego e com falta de ar como se me estivesse a afogar, é mesmo MESMO até ao final da gravidez????

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Com mais de seis meses e meio de gravidez, nunca me foi oferecida prioridade em qualquer estabelecimento. E não, não  estou a exagerar. Quando digo nunca, quero dizer nem uma única vez.

 


De uma forma geral, sinto que não preciso da prioridade, é verdade, e por isso apenas uma vez a pedi. Normalmente não me sinto pesada, não ando "à pato", não sinto que esteja menos capaz de aguentar uma fila do que as outras pessoas, e por isso tento não me chatear com isto, o que não quer dizer que seja bem sucedida. A prioridade de uma grávida é um direito, e não deveríamos ter que implorar por ele.

 


Não vou falar daquele dia em que, com dois meses de gravidez, estava enjoadíssima e com tonturas e ninguém me deu a vez na fila nem eu tive coragem de pedir porque "não se vê que estou grávida" e não queria ser maltratada, ou daquela outra vez, mais ou menos pela mesma altura, em que me pediram que cedesse lugar na fila do supermercado porque a senhora atrás de mim trazia uma criança que tinha seguramente uns 3 anos e dormia tranquilamente no carrinho, e eu cedi também, pelo mesmo motivo. Ignoremos o facto de ser completamente impossível obter atendimento prioritário nos primeiros meses da gravidez, mesmo sendo por vezes a altura em que estamos pior.

 


Queixo-me do agora.

 


Queixo-me daquele dia em que esperei, seguramente, meia hora na Caixa Geral de Depósitos, enquanto o funcionário atendeu lentamente toda a gente que estava à minha frente e mais uns quantos amigos/conhecidos que chegaram depois de mim, mesmo tendo olhado para a minha barriga, mesmo estando eu com uma mão na barriga e outra nas costas, que me doíam.

Queixo-me de todas as viagens que fiz no metro de Lisboa ao longo de uma semana, em que ninguém me cedeu lugar, apesar de várias pessoas terem olhado. Mais ainda, queixo-me daquela mãe que incentivou, à entrada do metro cheio, a filha a empurrar-me para passar (não estou a gozar, ela disse mesmo "empurra!"), e que ainda me olhou com cara de poucos amigos quando pus o braço de forma a proteger a barriga e lhe disse, furiosa, CUIDADO. No limite do ridículo, queixo-me daquele anormal que, nos 2 segundos que levei a virar-me e posicionar o rabo para me sentar na cadeira, se sentou no meu lugar (!!!!!) - aí não me contive e mandei-o sair. E se não tivesse saído, juro que me sentava no colo dele.

Queixo-me de todos os fins de semana fazer compras no Continente e nunca, uma única vez, me terem chamado para a frente da fila, fosse esta pequena ou gigante.

Queixo-me daquele dia em que fui ao hospital e, numa sala cheia de grávidas e acompanhantes, com todos os lugares ocupados, nenhum acompanhante fez menção de se levantar para me dar o lugar. Pior, queixo-me de, nesse dia, ter tido que pedir a uma das grávidas que fizesse o favor de desocupar a cadeira onde tinha a mala dela, para que eu me pudesse sentar, porque se estivesse à espera que ela tomasse a iniciativa bem que ficava em pé.


Queixo-me de, no mesmo hospital, quase me terem deixado de fora de um elevador com indicação expressa de prioridade, mesmo que a maioria das pessoas que lá entrou fosse apenas subir um andar (eu ia subir 5) e pudesse perfeitamente ir pelas escadas.

 


Queixo-me destas situações, e poderia ficar aqui o dia todo a contar-vos outras semelhantes que acontecem todos os dias. O atendimento prioritário é obrigatório mas não devia ser, deveria ser senso comum. E o mais triste é que, sendo obrigatório, não é respeitado.

 


Mas se não precisas de prioridade, porque te queixas?

 


Porque tenho direito a ela. Não me interpretem mal, se estiver numa fila e me sentir bem, mesmo que me sugiram passar à frente não irei aceitar. Gravidez não é doença, dizem os antigos, e não tenho qualquer intenção de usufruir desse direito se não necessitar. Mas é obrigação, pelo menos, de quem está a atender ao público, questionar.

 

Uma grávida que está cansada, com dores, indisposta, ou simplesmente mais sensível, não devia precisar de mendigar por atendimento prioritário. Não devia precisar de passar à frente de uma fila que por vezes parece infinita enquanto pede licença e leva com olhares de ódio e comentários foleiros, para chegar ao início e pedir se por favor pode usufruir do seu direito. Não devia ter medo de pedir à pessoa da frente que lhe cedesse o lugar - quantas vezes fiquei calada porque tinha quase a certeza de que se pedisse ia dar confusão e me arriscava até a levar uns sopapos? - deviam ser as pessoas responsáveis pelo atendimento a garantir que isso acontece.

Não está bem, e é de uma falta de respeito atroz. Nunca, em toda a minha vida, me senti menos respeitada do que desde que estou grávida. E acho que isso diz muito sobre a nossa sociedade.

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Estou deitada na chaise longue. Viro para um lado. Viro para o outro. Tento dar balanço para me levantar e caio, novamente deitada. Rodo o corpo até ficar atravessada. Paro, já vermelha e ofegante, para pensar como vou fazer a proeza de me levantar, e cruzo o olhar com ele. O desgraçado está sentado no sofá à frente a rir-se até às lágrimas e pergunta: "então, como é que isso te está a correr?". Estupor.

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"Respirar alto" tornou-se o meu novo hábito nocturno.

Há manhãs em que ele conta que "respirei" como um porco, outras mais extremas em que aparentemente "respiro" como um rinoceronte.

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Aquela altura em que estás deitada e, qual tartaruga, não consegues dar a volta, e gritas:

"Traz a grua que preciso de me levantar!"

E ele vem, de sorriso nos lábios e braços estendidos em teu auxílio... enquanto faz "piiii... piii.... piiii..", como se fosse um camião de grande porte....

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O SNS é a ryanair da saúde.

por Mia, em 28.04.17

Estão a ver quando viajamos numa low cost e somos tratados como gado?

 

Não me interpretem mal, não esperava mordomias nem sequer a mesma atenção que recebo no privado. Mas não esperava também ser tratada como um animal.

 

 

Por falhas passadas que agora não interessa dissecar, a minha gravidez apenas começou a ser seguida no centro de saúde após as 13 semanas. Foi uma opção minha, consciente e informada, não ter lá ido mais cedo, no entanto nunca foi um descuido. Todo o processo foi minuciosamente seguido desde a fase de pré-concepção.

 

As coisas funcionam tão bem que, quando finalmente me dirigi ao centro de saúde, me foi negado o direito a ser seguida no SNS. "Devias ter vindo antes, agora se quiseres vai para o privado", disseram-me. Assim.

Não me resignei e bati o pé. Tenho direito a isso. Sempre foi minha pretensão fazer o parto no hospital público, e não me fazia qualquer sentido cair lá de para quedas sem qualquer tipo de acompanhamento, no dia do parto - chamem-me esquisitinha.

 

 

Perdi muitas horas, muita paciência, reclamei MUITO. Duas semanas e uma transferência de centro de saúde depois, finalmente consegui usufruir do meu direito enquanto cidadã, a algo pelo qual pago (demasiado) todos os meses - ser acompanhada no serviço nacional de saúde. A loucura.

 

 

A ecografia morfológica foi marcada já fora da data recomendada, para um dia de semana às 16h - sem qualquer hipótese de negociação. Ninguém se compadece de quem tem patrões mais rígidos ou de quem - como eu - trabalha a 60km de casa. Informaram-me que estava marcada para as 16h mas deveria lá estar com 15 minutos de antecedência, é pegar ou largar. Fui atendida já perto das 18h30, obviamente.

 

 

Chegada ao hospital, que não conhecia, onde nunca tinha estado, dirigi-me à recepção e apresentei a carta que me tinham enviado. A funcionária disse-me, rispidamente, que esperasse na sala 'C'. Olhei à volta e as portas estavam numeradas. Voltei a perguntar onde era, e pela forma como me respondeu tenho quase a certeza que devo ter insultado os antepassados da senhora, porque quase me batia, como se eu tivesse a obrigação de adivinhar que a sala C fica por detrás da porta 10-38.

 

 

Antes de prosseguir, pausa para um apelo sentido: pessoas que atendem ao publico, não sejam bestas com as grávidas. Parecendo que não, estamos pesadas, impacientes, hormonais.  E, se aturar parvalhões no estado normal já não é agradável, grávida piora consideravelmente. Ainda tinha acabado de chegar e apetecia-me chorar - acreditem.

 

 

Continuando.

Duas horas e meia depois, finalmente fui chamada para a ecografia. Sempre achei que a medicina não deveria ser uma carreira acessível apenas aos marrões, mas que a avaliação da vocação e people skills deveriam ser cruciais no processo de admissão. E se há pessoa que não tem a mínima vocação para a coisa foi a médica que me atendeu - e que vim a saber mais tarde ser já famosa pela forma como trata as pacientes.

Um médico não tem "só" que ser competente, tem que saber que lida com pessoas, muitas vezes em momentos difíceis. Uma obstetra TEM que saber que está a lidar com uma pessoa particularmente sensível, e uma obstetra que acaba de ler na ficha da paciente que ela sofreu um aborto há meses TEM que ser minimamente cuidadosa.

 

 

Mas não. Apontou-me para a marquesa e despejou-me um frasco de líquido na barriga, sem dizer uma palavra. Começou o exame, enquanto praguejava porque o miúdo estava de costas e estava a ser inconveniente. Perguntou-me se sabia o que era.

Dizem que é um rapaz” – disse – “confirma-se?”.

“Sim, estou-lhe a ver os tomates."

 

 

OS TOMATES.

 

Adiante. Prosseguiu em silêncio. Bateu-me com a sonda na barriga com força, enfiou-a no meio das costelas, praguejou mais um bocado. Por diversas vezes ocorreu-me levantar e sair. O homem, maior paz de alma que conheço, às tantas irritou-se e perguntou: “mas afinal está tudo bem?”. Legítimo, estávamos há uns 10 minutos a ver imagens que se pareciam mais com um frango do que com um recém-nascido, sem a mínima pista de que algo estaria bem ou mal. “É o que estou a tentar ver”, respondeu, bruta.

 

Terminada a ecografia levantou-se e atirou-me, literalmente, com uns papéis para cima.

Pode sair, o seu rastreio foi negativo."

Negativo é bom ou é mau?” – pergunto. Eu não adivinho!!!!

É bom, claro que é bom”, diz-me agressiva.

 

Agarrei no relatório e saí.

Não ouvimos batimento cardíaco, mal conseguimos identificar partes do nosso filho, não sabemos o que foi examinado, muito menos quais os resultados. Não sabemos nada.

 

Saí do hospital quase em lágrimas, preocupada, ansiosa, revoltada. O homem, para me tentar acalmar, dizia: "sabes que isto é o publico".

 

 

Não aceito.

 

 

A palavra “publico” não deveria nunca ser usada como adjectivo, como sinónimo de algo de má qualidade, rasca, e pouco confiável. A saúde é uma coisa séria, os profissionais que trabalham nos hospitais, centros de saúde e afins, são pessoas instruídas e remuneradas, não há desculpa para este tipo de tratamento.

 

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Depois do dente partido e das gengivas rebentadas, veio a dor. Horrível, sempre que comia, bebia ou... respirava!

O frio fazia-me chorar, o quente despertava em mim instintos assassinos. Fui, mais uma vez, bater à porta da dentista - e deixem-me pausar aqui por um segundo só para vos dizer que juro que, se não sou a melhor cliente que ela tem, não sei quem será.

 

 

Mas dizia eu, fui ao dentista, bla bla bla, de facto tens aqui a gengiva inflamada, e não tens usado a contenção, não é verdade?

 

Pois.

Isso explica porque é que os dentes se mexeram todos. E porque é que tens essa inflamação. E porque é que tens quatro dentes a abanar.

 

E agora? Pois, não sei. Para começar voltar a usar a contenção. Depois, rezar para que quando este puto vier ao mundo ainda conheça uma mãe com os dentes (quase) todos...

 

 

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Ouvir coisas como: "hoje até disfarças bem, não pareces grávida, pareces só gordinha por todo".

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Perdi o meu pipi. Olho para baixo e não vejo nada, só a pança e a pontinha dos pés.

Em compensação, encontrei o fundo do umbigo, algo que julgava quase ser um mito.

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Estão a ver aquilo que dizem sobre as grávidas estarem sempre felizes e luminosas e de bem com a vida? Alguém me diga a partir de que semana é que isso é, porque eu estou só gorda, cheia de acne e com o meu mau humor e impaciência naturais a atingirem mínimos históricos.

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Querida Maria:

por Mia, em 02.03.17

Pois que o puto já tem nome, e toda a gente se refere a ele pelo dito nome, mas eu não consigo. Dou por mim a referir-me a ele como puto, cria, bebé, "o teu filho" (quando falo com o pai), babe (don't ask), miúdo, catraio, e mais sei lá o quê. Serei uma péssima mãe??

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Rebentar as gengivas por estar a comer uma banana...

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publicado às 18:05


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