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No tempo deles, era-se pai nos vintes. Depois de a criança estar cá fora, seguiam-se cegamente as instruções dos pais. Em alguns casos - na nossa família aconteceu com ambos - mudavam-se para casa dos pais, para que estes ajudassem com a criança. Eram os avós quem ditava as regras e os pais obedeciam. E hoje, quando os nossos pais se tornam avós, têm extrema dificuldade em entender que as coisas mudaram. Não somos jovens de vinte anos. Já estamos nos trinta, com tudo aquilo que isso acarreta. Temos vidas bem estruturadas, não estamos a ter filhos em cima do joelho. Lemos muito, temos acesso a muita informação e não só sabemos o que estamos a fazer (pelo menos em teoria), como temos noção de que o que se fazia há 30 anos atrás está ultrapassado e algumas coisas são hoje vistas como prejudiciais. Não precisamos de ir para casa dos nossos pais, nem que nos digam o que fazer, muito menos que queiram ditar leis na nossa vida. Não precisamos que nos passem atestados de incompetência ou que critiquem as nossas "modernices". Precisamos que sejam avós carinhosos e presentes, sem sufocar nem a criança nem os pais. Se fizerem isso, já está bom. Precisamos que oiçam e respeitem as nossas regras e conselhos. Estamos a dispostos a ouvir também os deles, claro que sim, que prepotência seria não o fazer. Mas eles estão dispostos a ouvir os nossos? É muito cansativo estar constantemente a lutar contra velhos do Restelo, sentir que não somos levados a sério. Há tempos disseram-me: "és mesmo uma mãe galinha". O tom era crítico, mas sinceramente não estou a ver onde é que isso está errado. Que seja uma mãe galinha, sou a mãe que quero ser.

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6 comentários

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De Anónimo a 26.10.2017 às 16:04

Como estas palavras me soam familiares Mia! tb eu sofro (ainda hoje) de um rótulo "mãe-galinha", vi mts vezes rirem-se do meu cuidado com higiene em volta da chucha, biberons, colheres etc, vi algumas vezes olhos esbugalhados por não entender o porquê de não deixar minha D. ir passear com este ou com aquele (familiar ou não)... de não comer isto ou aquilo sem dar um testamento justificativo, enfim, dar abébias/satisfação quando nem me devia ter preocupado com isso. Hoje sou mais nariz empinado no que toca ás lides com esses inquéritos, o que na prática significa que me dou o direito de não ter de dar justificações! mas é verdade que os primeiros tempos com um bébé não nos permite esse á vontade, porque é tudo novo e temos MEDO. Mas o que é certo, é que nós mães é que estamos certas, e para além do médico pouca gente saberá mais e melhor da minha D. do que eu! é claro que a confiança com que digo isto vem com a experiência e isso cada uma tem de ganhar por si só, por isso Mia: confie em si antes de todos! Um beijo e boa sorte. SS.
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De Mia a 26.10.2017 às 22:41

E não é triste que tenhamos que ser "nariz empinado" para que a nossa autoridade enquanto mães seja respeitada? Eu acho... Enfim, que seja assim, uma pessoa vai ganhando calo e aprendendo! beijinho
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De T. a 26.10.2017 às 19:41

Estou com muito, muito medo...desta parte!!!!!
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De Mia a 26.10.2017 às 22:42

Pode ser que corra bem :) cada pessoa lida à sua maneira!
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De nervosomiudinho.blogs.sapo.pt a 06.11.2017 às 10:01

Podia ter sido eu a escrever isto. 
 Já falamos disto cá em casa. Não havia net, poucos livros e não havia cursos de preparação para o parto, portanto a palavra dos mais velhos era lei, e como em muitos casos até viviam todos juntos era natural a parentalidade ser assim.
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De Mia a 07.11.2017 às 19:07

Exacto, em muitos casos mesmo. A minha avó, por exemplo, ficou chocada porque a minha mãe não se mudou para cá quando o bebé nasceu! Ela ofereceu, eu não quis. É muito complicado para as gerações anteriores entender que as coisas mudaram.

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