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Simples. É fazer sestas quando conseguirem. No prazo de uma semana hão de ter dormido as tais oito horas. Se correr bem.

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Eu explico. Chegar, abeirar-se do bebé que dorme tranquilamente na alcofa e, de indicador em riste, dar-lhe leves pancadinhas na bochecha enquanto pergunta: "entãaaaaaoooo bebé??? Como estaaaaas???", até ele acordar. Nunca falha.

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Derreto-me

por Mia, em 18.09.17

Quando acaba de mamar e fica "bêbado de leite"

 

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(não é o meu, mas é tal e qual)

 

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1 Mês depois: a mãe

por Mia, em 16.09.17

Este post já vem um pouco depois do mês, mas também isso traduz o que é ser mãe: prioritizar tudo e fazer as coisas quando dá.

 

Então Mia, como te estás a dar com isto de ser mãe?

Bitch please:

Ok, se calhar não está tuuuudo controlado. Não sou a mãe perfeita. Nem a super mulher (um choque, eu sei). Há dias em que não consigo fazer tudo, outros rendem mais. Cada dia é diferente, não existe uma rotina rígida nem bem estabelecida, e eu estou a aprender a lidar com isso.

 

Neste primeiro mês, aprendemos a descomplicar o bebé: amamentar já não custa tanto. Tirar leite já não é dramático. Já lhe visto qualquer coisa sem medo de o partir - até mesmo aquelas camisolas que entram pela cabeça. As fraldas mudam-se em piloto automático. Forço-me a não pensar nos dramas da vida (e se um dia ele tiver uma febre? e quando cair pela primeira vez? e se alguém algum dia o tratar mal?). Aos poucos, as coisas vão sendo menos difíceis.

 

Eu também estou melhor. O corpo recuperou bem do parto, e apesar de ainda não ter reavido a sensibilidade na zona da cicatriz (dizem que pode demorar até um ano), não tive problemas de maior com a parte física da coisa. Emocionalmente também me sinto bem. Já não choro todos os dias. Na verdade não me lembro quando chorei pela última vez, o que só pode ser bom sinal.

 

Morria de medo de estar sozinha em casa com o bebé, mas de repente já estamos nessa vida há mais de duas semanas e tem corrido tudo bem. Ele está bem alimentado, a crescer bem, a cumprir com as metas de desenvolvimento esperadas. É um risonho bem disposto. A casa está limpa e arrumada. A roupa está lavada, passada e arrumada nos armários. As camas são feitas de lavado, as toalhas e tapetes são trocados com a frequência normal. Já consigo tomar banho todos os dias quando estou sozinha com ele (no início era só à noite, quando o pai chegava), e não me esqueço de lavar os dentes (aconteceu). Já fui à depilação e à manicure, e nos melhores dias até me dou ao luxo de gastar algum tempo a esticar o cabelo - lá porque estou sozinha em casa não quer dizer que tenha que parecer um ogre. Já não passo os dias de pijama. Tenho cozinhado o almoço todos os dias, e às vezes o jantar. Já fui às compras. Comecei a organizar o álbum de gravidez. Consegui até ler algumas revistas. Nos melhores dias, sento-me com um café e um chocolate e gasto alguns momentos a escrever aqui no estaminé, e a agendar posts. Não tenho as leituras de blogues em dia, mas lá chegaremos. Aos poucos, a vida começa a ganhar rotinas e uma sensação de normalidade, ainda que seja um novo normal.

 

Acima de tudo, já não tenho tanto medo, o futuro (e o presente) já não me assusta (tanto), e começo a acreditar que tenho a coisa - de alguma forma - controlada.

 

E o casal?

Ainda não reencontramos o nosso equilíbrio. Gostava de dizer que tem sido tudo um mar de rosas, mas não seria verdade. O nascimento do pequeno monstrinho despertou nas pessoas à nossa volta uma ligeira obsessão. Limites foram ultrapassados, e isso mexeu com a nossa estabilidade conjugal. Mas sobre isso falarei, talvez, depois. Por enquanto esforçamo-nos por reagrupar adaptar a nossa relação à nova realidade. E acredito que correrá tudo bem, sei que ambos estamos a dar o nosso melhor, e isso basta-me. O resto vem com o tempo.

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O que me choca mesmo é o ministério público ter aberto o processo, quando nenhum dos plagiados ou representantes dos mesmos se queixou. Estavam a ter um dia calmo e sem mais nada para fazer, e lembraram-se: olha, vamos chatear o Tony. Foi isso?

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Então não se vê logo que com o pijaminha, ficavam mesmo mesmo bem era os chinelitos-pantufa da moda??

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Vá, não precisas de agradecer. Estou sempre aqui para fashion tips das boas.

 

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Derreto-me

por Mia, em 13.09.17

Quando está a dormir e lhe cai a chupeta, mas ele continua a chupar o ar, sem acordar

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Thank you captain obvious

por Mia, em 12.09.17

O meu filho tem um nome que é frequentemente abreviado. Da mesma forma que os Franciscos são Chicos, os Josés são Zés e as Margaridas são Guidas. Imaginemos, para efeitos deste post, que o monstrinho se chama José. Conseguem adivinhar quantas vezes este diálogo (ou equivalente) já se repetiu??

 

- Como se chama?

- José.

- Ah, que nome tão bonito. Sabes que vai de certeza ser conhecido por Zé...

 

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Igual igual não será, é meu e só por isso é para mim o mais maravilhoso, o mais bonito, o mais esperto... vocês sabem. Mas a maternidade não me tirou o discernimento, e tenho perfeita noção de que o meu bebé é... um bebé. Com um mês, não recita os Lusíadas, não dá cambalhotas, não fala quaisquer línguas, e ainda nem aprendeu a programar em java. Vá-se lá entender.

 

Em compensação faz um cocó amarelo com uma consistência de fazer inveja às melhores mostardas. Tem um sentido de oportunidade fenomenal e sabe que o melhor momento para "aquela" mijinha é no segundo entre tirar a fralda suja e colocar a lavada. Sabe pedir colo e mama quando precisa. E faz os sorrisos mais fofos, ainda que às vezes sejam só gases.

 

Chateia-me esta competição desmedida entre mães, familiares e amigos, pelas conquistas dos bebés. É um bebé normal? Tudo bem, não preciso que seja sobredotado ou acima da média. Desde que seja um bebé feliz, estamos bem. Ainda assim, noto que as pessoas à nossa volta procuram todos os sinais de que o bebé seja "muito precoce": mandou um peido barulhento? Tão evoluído, o filho da fulana do café só manda bufas silenciosas; Tem um mês mas pesa 10kg? Maravilhoso, pequeno budinha, a crescer mais do que o esperado.

 

 

Deixem-me a criança em paz. Só se é bebé uma vez na vida, e tudo tem o seu tempo. Não me interessa que ele "salte" fases, que ande/fale/brinque mais cedo do que o normal, há de o fazer ao ritmo dele. Se esse ritmo for o "normal", perfeito. Se for mais tarde, em princípio, também não virá mal nenhum ao mundo. Se tiver que ser mais cedo, pois que seja. Mais importante do que isso é parar de procurar génios nos catraios e de os comparar uns com os outros. O mundo encarregar-se-á de fazer todas as comparações desnecessárias, a seu tempo. Por agora, se calhar, preocupavamo-nos apenas em deixá-los ser bebés.

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Ou, como carinhosamente lhe chamo, o tormento.

 

 

Tudo o que o primeiro trimestre teve de mau, voltou na sua versão revista e melhorada. Azia a toda a hora e momento, cansaço, sono, dores no peito, até enjoos por vezes.

 

 

A barriga começou a pesar, e apesar de só se ter tornado mesmo grande no último mês, revelou-se extremamente desconfortável. Até as movimentações mais simples como apertar os sapatos ou tirar as calças exigiam uma certa perícia e eram suficientes para me deixar corada como se tivesse corrido a maratona. Levantar-me estando deitada também começou a ser um espectáculo giro de se ver.

 

Comecei a ter saudades do meu corpo me pertencer e não ser apenas uma incubadora. Saudades de coisas como conseguir caminhar pelo centro da cidade sem ter medo que me desse o badagaio por abusar. É estranho quando, de um momento para o outro, deixamos de conhecer os limites do nosso corpo, e coisas que dantes eram normais se tornam difíceis. Suponho que, quando começamos a ficar velhinhos, seja qualquer coisa do género. De repente, dei por mim cheia de estrias e odiei olhar-me ao espelho.

 

 

E falando em deitar, então e as noites? Um inferno. Acordar 4/5 vezes para ir à casa de banho não chegava, era preciso começar a falta de ar e vir também o calor ajudar à festa. "Estou tão desconfortável" é capaz de ser a frase que mais disse na recta final da gravidez. E estava. Não pelo bebé, que foi sempre uma paz de alma e dormia quando eu dormia. Muito raras foram as vezes em que me acordou com algum movimento, creio que era mais o contrário, o facto de eu andar às voltas é que lhe interrompia o sono. Mas a barriga pesava, era incómoda, estava calor e eu não conseguia respirar. Aliado a isto, as minhas mãos resolveram mostrar o quanto me odiavam. E acho que este foi o pior sintoma que tive em toda a gravidez. Dores tão intensas que me despertavam. Cheguei a dormir com as mãos ligadas, mas não conseguia aguentar a noite toda por causa do calor. Uma das vezes adormeci com a mão direita fechada, e de manhã não a conseguia abrir. Parecia que tinha paralisado ali, tive que puxar os dedos, um a um, com a mão esquerda, e aguentar as dores horríveis. Achava eu que isto era tudo, que sofria das mãos mas os pés estavam bem, até que um belo dia dei por mim sem tornozelos. Em vez de pés tinha patorras, e foi assustador ver-me neste estado. Em compensação, voltar a ter pés pequeninos depois do parto foi uma experiência espectacular!

 

 

Trabalhar começou a ser incómodo. Os mais de 120km de carro todos os dias, aliados às 8h quase seguidas sentada na mesma posição, começaram a dar sinal, principalmente depois de o bebé dar a volta. A pressão pélvica tornou-se intensa e as contracções começaram a ser diárias, antes das 30 semanas, um valente susto e um sinal de que estava na altura de parar. E assim fiz. No final de Maio vim para casa com baixa por gravidez de risco, e passei as primeiras semanas em serviços mínimos, a tentar que as coisas acalmassem um pouco. Às 33 semanas tive o OK para recomeçar, devagarinho, a ser uma pessoa. Nada de grandes esforços, claro, mas fui autorizada a fazer coisas básicas como ir até ao shopping (desde que não carregasse pesos) ou tomar um café fora de casa de vez em quando.

 

 

Aliado a isto tudo, os nervos começaram a atacar fortemente. Primeiro medo de um parto prematuro: será que o bebé sobrevive? Ai meu Deus que ainda nem terminei a mala. E a casa que não está pronta. E eu, eu não estou preparada para ter esta criança agora, ainda nem decidi em que hospital o vou ter, ainda nem comecei as aulas de preparação para o parto... Um drama, vocês sabem. Quando as coisas acalmaram, o medo acalmou também um pouco. Mas só mesmo um pouco. Nunca me assustou a dor de parir, mas sim o medo de não ser capaz de o fazer, de não aguentar. E gerir os nervos, enquanto se passa os dias sozinha em casa sem nada para fazer, não é tarefa fácil.

 

 

Para além disto, fui acometida de uma tristeza súbita. Não sei explicar, mas de repente aquela alegria inconsciente do segundo trimestre já não estava lá. Tive dias em que me senti miserável, outros em que chorei sem saber bem porquê. Culpo as hormonas. Lembro-me, a meio de Junho, de começar a sentir uma nostalgia imensa da minha barriga de grávida, mesmo que ainda a tivesse, mesmo que 5 minutos antes estivesse a queixar-me dela. O cérebro de uma grávida é uma montanha de cocó, às vezes.

 

 

E falando em cérebro de grávida: nunca mais na minha vida hão de me ouvir a gozar com esse fenómeno que dá pelo nome de pregnancy brain. Ele é real. De repente esquecia-me de coisas, quer fosse aquela frase que comecei e já não me lembrava do final, ou aquela consulta no dentista. O mais absurdo foi quando troquei os cartões de débito e deitei fora o novo, guardando o velho que já não funcionava. Contado ninguém acredita, mas aconteceu.

 

Os últimos dias foram verdadeiramente desgastantes. Estava cansada, gigante, inchada e com dores variadas. Ainda assim, longe de saber as saudades que teria de estar grávida.

 

O twist irónico desta gravidez: depois de tanta ameaça de parto prematuro, o puto chegou quase ao fim e não estava com vontade de sair. Por ser uma criança tão grande, acabamos por agendar a cesariana para as 39 semanas e 1 dia. Fez-me alguma confusão, mas no final, acabou por se revelar a melhor opção.

 

Em resumo, com todos os contras, nervos, dramas, e preocupações variadas, adorei estar grávida. E sei, com toda a certeza, que quero repetir e que me sentirei incompleta se não o puder fazer. Daqui a uns anos, entenda-se!

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publicado às 10:32

... pesas menos 4kg do que antes de engravidar!

 

 

 

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O parto - parte III

por Mia, em 06.09.17

(primeira parte aqui, segunda parte aqui)

 

Chegados ao recobro, volta a analgesista e diz-me: pronto, agora vamos então por o cateter da epidural. Toda eu era confusão, e por momentos duvidei da minha sanidade mental. Explicaram-me então que antes do parto não tinham conseguido dar a epidural porque tinha "entrado em vaso". Para não atrasar a cirurgia, foi-me dada uma raquianestesia. Adorava explicar-vos mais sobre este assunto mas poderia estar a dizer grandes asneiras. Correu tudo bem, apesar de nunca ter perdido a sensibilidade nas pernas não senti qualquer dor, e chegamos então ao ponto, após o parto, em que me foi colocado o cateter epidural - não sem antes me terem dado uma qualquer droga que me fez sentir bêbada, e furado mais duas vezes as costas. Nos dois dias que se seguiram, foi por aí que me injectaram a medicação abençoada que me fez sentir novamente uma pessoa.

 

 

Então e o bebé?

 

 

Estava com o pai, naquele que foi o seu primeiro colinho. Quando eu estava, finalmente, devidamente drogada e estabilizada, a parteira veio pô-lo à mama. Falarei mais sobre amamentação depois, mas para já, conto-vos que não foi mágico, não foi espectacular, nem sequer foi doloroso - isso viria a ser depois - foi só estranho. Mamou um pouco, e adormeceu, acho. Nesta altura em que escrevo as memórias já começam a ficar ligeiramente confusas. Ficamos ali, os três, inebriados pelo momento. Acho que foi a última vez que me senti incondicionalmente feliz, sem medos.

 

 

Penso que passaram horas, mas não sei quantas. Acho que estávamos no inicio da tarde quando me disseram que iria para o quarto, mas nem sei. A pediatra comentou comigo que tinha imensa gente à minha espera no quarto. Achei que ela estaria a exagerar e perguntei quanto era imensa gente, ao que ela me respondeu: umas sete pessoas. E estavam. Sete pessoas à minha espera, depois do parto.

 

Quando pesamos os prós e os contras de um parto no público vs. privado, esta questão das visitas foi imediatamente para a coluna dos contras. No privado não há limite de visitas, quase tudo é permitido, e isso nunca foi visto com bons olhos por nós. Nem sonhávamos o impacto que este factor teria no pós parto. É claro que apreciamos o carinho de todos. E no início nem nos apercebíamos do quão cansados estavamos, até começar a pesar.

 

 

Ao longo dos 4 dias em que estive internada, nunca estivemos sozinhos durante o dia. As visitas vinham e ficavam, nem que estivessem já 5 pessoas no quarto. À boa maneira portuguesa: cabe sempre mais um, e iam ficando, às vezes por horas. Entretanto todos queriam pegar no bebé, falava-se alto, deixava-se aberta a porta que fazia corrente de ar. Entre sacos e embrulhos, flores, balões, duas camas, um berço, um cadeirão, e todas as visitas, aquele quarto começou a sufocar-me. Na segunda noite, fritei.

 

 

Comecei a ter dores, e a medicação de 4 em 4 horas já não estava a ajudar o tempo todo. O enfermeiro de serviço demorou, porque havia uma outra mãe a precisar de assistência. Não tinha a certeza de que estivesse a fazer um bom trabalho com a amamentação: tinha os mamilos em sangue e o miúdo não urinava desde a noite anterior. Não tinha pregado olho o dia todo, e o cansaço começava a abater-se sobre mim. Entrei em desespero.

 

 

Quando o enfermeiro chegou, eu chorava que nem um bebé.

Sentou-se comigo e falamos. Pediu que lhe explicasse o que me atormentava. E uma por uma, fomos desmontando todas as minhas dúvidas e incertezas. A sensação de medo e desespero ainda está tão presente que me custa sequer pensar nessa noite. No dia seguinte, vi-me forçada a pedir ajuda para limitar as visitas. Tirei o som ao telemóvel, deixei de responder a mensagens, pedi que não viessem ao hospital. Ainda assim nem toda a gente respeitou, e continuamos a ter visitas non-stop até ao ultimo minuto que lá passamos. Literalmente - houve um grupo de familiares que insistiu para nos vir ver ao hospital na tarde em que iríamos para casa. Mesmo eu tendo pedido para não virem, fui ignorada e lá apareceram.

 

 

Quando, no primeiro dia, me disseram que teria que ficar quatro dias internada, não fiquei agradada com a ideia. Queria ir para casa e começar a nossa vida a três o mais rapidamente possível. Mas confesso que, à medida que o tempo foi passando, comecei a stressar com a ideia de deixar o hospital. É tão fácil estar internada: temos uma campainha na cama e enfermeiros especializados à distância de um toque. Qualquer dúvida é prontamente esclarecida, e a rede de segurança está sempre ali. Mas em casa não.

 

Gostava de dizer que sou uma pessoa corajosa e sem medo de nada, mas a verdade é que ao segundo dia, a ideia de deixar o hospital aterrorizava-me, e mentiria se dissesse que não me passou pela cabeça a hipótese de pedir mais uns dias de internamento. Mas fomos para casa. E não foi fácil. Tem melhorado, mas não foi o mar de rosas que eu esperava. Se calhar se tivesse tido a criança num hospital pior, com menos condições ou com um mau atendimento a coisa teria sido diferente. Mas não tive, não tenho razão de queixa do hospital, acho que correu tudo muito bem, mesmo as coisas que poderiam ter corrido mal. E a partir daqui é connosco, desejem-nos boa sorte!

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Tréguas.

 

Foi, sem sombra de dúvida, o melhor da gravidez.

De repente, o meu corpo era meu outra vez. Podia comer sem enjoar, a azia deixou-me, já conseguia funcionar o dia todo com os olhos abertos em vez de andar a cair pelos cantos, que maravilha!

 

 

É claro que, ultrapassado o medo inicial, questões mais futeis surgem, e de repente dei por mim a sentir mais a falta daquele copo de vinho, de uma barrigada de sushi, de comer uma salada fora de casa ou até mesmo de presunto - nunca adorei de paixão, mas acho que houve momentos em que matava por melão com presunto.

 

 

Depois, aquela parte gira de contar a toda a gente. Começamos pela família e amigos chegados. Alguns já suspeitavam, outros foram completamente apanhados de suspresa, mas todos reagiram com entusiasmo. Contei a um amigo que nunca mais me falou. Contei às minhas colegas de trabalho, e nunca fui tão apaparicada em toda a minha vida. Contei-vos, e desde então este tasco virou praticamente um baby-blog (desculpem qualquer coisinha!). Ao completar os quatro meses, decidi que estava na hora de contar ao mundo - porque estava farta de esconder, porque não queria ter que contar no emprego, um a um, e acima de tudo porque achei que tinha que enfrentar o meu medo que corresse mal - por isso dei a novidade no facebook.

 

 

Com o segundo trimestre chegou também a minha parte preferida: preparar o enxoval. Fiz a eco das 13 semanas no início de Fevereiro, e no dia seguinte comecei a fazer compras. Ele continuava em viagem, eu tinha um cartão de crédito e estavamos ainda em época de saldos. Agora pensem.

 

Fiz listas infinitas, corremos os restos dos saldos de ponta a ponta. Os três meses que se seguiram foram a verdadeira loucura: compramos roupa, acessórios, móveis. Transformamos o quarto da tralha em quarto do bebé, e o quarto de hóspedes no quarto da tralha. Mais para o fim do trimestre, começamos a lavar e a passar roupa, e partilhei convosco as minhas dúvidas e aquisições.

 

Mas a loucura não foi só nossa! As avós entraram em baby-mode e era raro o fim de semana em que não tinham qualquer coisa para o menino. Família, amigos e até blogo-tias, todos contribuiram com algo, e eu que sou uma pessoa tão fria vi-me envolvida numa onda gigante de carinho. Até mesmo pessoas da nossa infância: aquela senhora velhinha que já raramente vemos mas andou connosco ao colo, a amiga da mãe, a tia da avó, a prima afastada, sei lá... todas essas pessoas tinham um miminho: alguém bordou uma fralda, uma toalha, um babete... há quem tenha feito um casaco, uns carapins, uma manta. O armário do meu filho conta neste momento com 18 mantas, e eu comprei apenas uma. Temos toalhas para ele usar até chegar à faculdade, não conseguiremos, de forma alguma, usar todos os casaquinhos que nos tricotatam, e creio que é humanamente impossível um bebé gastar tantas fraldas de pano como as que nos deram. Mas acima de tudo, temos o coração a transbordar de amor.

 

 

É claro que houve incómodos, há sempre. Comecei a "respirar alto". Ouvi bocas foleiras. Senti-me gorda, enorme, gigante, irritada e impaciente, mas também estupidamente feliz.

 

 

E depois um dia ele mexeu-se. A bem da verdade, ele já se mexia desde sempre, eu é que não o sentia. Mas depois de começar, oh, desde aí tudo foi melhor.

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Aos cinco dias após o parto pesei-me pela primeira vez: tinham-se sumido 10,5 dos 11kg que engordei com a gravidez.

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Em Maio, pedi-vos conselhos sobre o que levar para a maternidade. Passado o parto, conto-vos o que levei, o que não foi preciso - a maioria das coisas - e o que me salvou a vida.

 

 

Na minha mala:

- 3 camisas de noite: só usei duas. A terceira era cinza claro e foi uma parvoíce tê-la comprado nesta cor porque acabei por não usar com medo de a manchar de sangue. Todas as camisas tinham botões à frente para facilitar a amamentação. Um pormenor totalmente casual mas que foi muito útil: todas tinham um bolsinho no peito que estava mesmo a mão para colocar o cateter da epidural. Comprei na primark, salvo erro a 6€ cada uma. Não são lindas e são gigantes, mas assim não me sinto mal por nunca mais as usar.

 

- 1 pijama de gravidez: pus na mala no ultimo dia e deu um jeitão. Muito mais confortável do que as camisas, e por ser de gravidez (com faixa na barriga e suporte interior para o peito), não apertava em lado nenhum. Também da primark.

 

- Roupão de verão: conforme foi, voltou. Nem o tirei da mala.

 

- Chinelos de quarto e chinelos de banho: para andar no quarto levei uns descartáveis, muito confortáveis e que depois foram directos para o lixo. Para o banho levei umas havaianas que não me serviram porque os pés incharam imenso. Acabei por tomar descalça.

 

- Cuecas: não levei descartáveis por serem tão grandes e desconfortáveis. Comprei dois packs de cuequinhas de algodão na primark e pronto. No final, as que ficaram manchadas foram para o lixo.

 

- Cuecas de incontinência: tinha lido em blogs de maternidade que seria muito útil, mas nem as usei. Talvez por ter sido uma cesariana, a hemorragia não foi muito intensa, e os pensos que o hospital deu foram suficientes.

 

- Pensos para o pós-parto: acabei por não usar também, porque o hospital fornecia. Usei em casa, e recomendo.

 

- Artigos de higiene: levei champô, condicionador, hidratante, leite de limpeza para a cara, creme de dia, discos de algodão, cotonetes, desodorizante, creme para estrias, sérum para estrias, escova e pasta de dentes, escova do cabelo, e sei lá o que mais. Usei apenas o básico, não havia tempo/vontade/moral para mais. O champô seco foi um verdadeiro life saver: no dia do parto não podia sequer levantar-me e o banho foi de esponja, no dia seguinte fui autorizada a tomar um banho rafeiro - não podia molhar as costas nem a zona do corte - só no terceiro dia consegui lavar o cabelo em condições.

 

- Artigos cosméticos: levei bb cream, corrector de olheiras, pó compacto, a prancha do cabelo, perfume, toalhitas, água termal, etc. Não usei nada.

 

- Batom de cieiro: outro salva-vidas no dia do parto. Nas primeiras horas não podia comer nem beber nada, e os lábios estavam tão secos que foi um alívio tê-lo à mão.

 

- Elásticos de cabelo, ganchos, fitas: não sei como teria sobrevivido sem eles.

 

- Revistas e um livro: LOL. Onde estava com a cabeça? Já passou um mês e ainda não os li.

 

- Máquina fotográfica, carregadores, power bank: o carregador de telemóvel é indispensável, claro. A power bank nem me lembrei que tinha. A máquina foi asneira, o telemóvel tem melhor resolução e é mais do que suficiente.

 

- Documentos mãe e bebé: tudo o que eram exames, análises, livro de grávida, devidamente organizado cronologicamente numa capinha de plástico. Entreguei à obstetra antes do parto, e devolveram-me à saída.

 

- Sutiãs de amamentação: comprei e levei vários, mas achei desconfortáveis. Só gostei deste. Tinha levado também uns normais mas de tamanho maior, e foram os que usei mais.

 

Creme para mamilos e discos de amamentação: Não fiquei fã do creme, e acabei por trocar, dias mais tarde, pelo Purelan. Já os discos da Lansinoh são muito bons: feitos de um material semelhante às fraldas, não ficam húmidos e por isso não colam à pele. Falarei mais sobre isto depois.

 

- Chocolate: soube-me pela vida.

 

- Pijama, roupa interior e escova de dentes para o pai: apesar de ele ter passado todas as noites connosco, foi a casa todos os dias garantir que os animais estavam bem, e por isso aproveitou para tomar banho e trocar de roupa, por isso isto foi mais do que suficiente para ele.

 

 

 

Não levei: toalhas (o hospital oferecia), touca para cabelo (não gosto), roupa para a saída (decidi que seria a mesma roupa da entrada).

Fez-me falta: conchas de amamentação (comprei dias mais tarde), cinta pós parto (acabei por não comprar), mais espaço no telemóvel (não há milagres), snacks (as noites são infinitas e a fome ataca), uma luz de presença (dormir no escuro não era opção, e as luzes do hospital são muito fortes. Acabamos por seguir conselho de uma enfermeira e colocar uma toalha por cima da luz superior da cama).

 

 

 

Na mala do bebé:

- Fraldas: levei de várias marcas diferentes, e as que mais gostei foram as dodot sensitive. O indicador de humidade dá um jeitão quando o bebé faz xixis tão pequeninos que não temos a certeza se a fralda está ou não suja, e permite ver o seu estado sem ter que despir o bebé. Levei uma fralda por cada conjunto e mais umas 15 extra.

 

- 8 conjuntos de body interior com abertura à frente + calças interiores + babygrow, de diferentes tamanhos. Tinha dois mais pequenos, um muito grande, um grande e quatro de tamanho intermédio. O pai acabou por ter que ir a casa buscar mais porque os pequenos eram muito pequenos e os grandes eram enormes.

Organizei todos os conjuntos em sacos de congelação do ikea (são enormes). Cada saquinho tinha o conjunto completo e uma fralda, e escrevi por fora com uma caneta daquelas de escrever em CDs o seu conteúdo, para ser fácil de identificar. Fiz o mesmo com a minha roupa.

 

- Saco da primeira roupinha: um saquinho-envelope bordado que foi comigo para o bloco e levava: body interior, calcinhas interiores, primeira roupinha, gorro, luvas, casaquinho e botinhas de lã. Para o bloco foi também uma mantinha.

A primeira roupa que escolhi foi asneira. Era um conjunto calça-jardineira de algodão e camisola, muito fofo mas nada prático. Fica a nota para uma próxima: nenhum bebé precisa que lhe enfiem uma camisola pela cabeça ao nascer. Não usamos o casaquinho nem as luvas - nasceu em Agosto, pelo amor da santa!

 

- Saquinho com babetes: totalmente inútil, nem o abrimos.

 

- Duas chupetas diferentes: usamos uma logo na segunda noite.

 

- Saquinho com botinhas de lã, luvinhas, meias e gorros variados: não usamos nada.

 

- 3 casaquinhos de malha: também não foi necessário, continuava a ser Agosto...

 

- Duas mantinhas: uma foi connosco para o bloco e usamos nos primeiros dois dias, até ele lhe fazer um xixi monumental em cima. A outra usamos até vir para casa.

 

- 6 Fraldas de algodão: úteis para tudo e mais alguma coisa. Não foram suficientes e o pai teve que ir buscar mais a casa.

 

- Toalhitas: levei mas não usei, não é recomendado nas primeiras semanas.

 

- Estojo de higiene do bebé: usamos apenas a escova e as limas da unhas.

 

 

Não levei: toalhas (o hospital oferecia), roupa para a saída (os bebés querem-se confortáveis, por isso saiu de babygrow), produtos de higiene (não é recomendado nas primeiras semanas, e o hospital ofereceu um kit da mustela para o caso de ser preciso), saco de passeio/fraldas (viemos do hospital directos para casa).

Fez-me falta: compressas (as que o hospital deu não chegaram, e o pai teve que ir buscar mais a casa), fraldas (levei poucas), mais roupa, mais fraldas de pano.

 

 

No geral acho que levei demasiadas coisas e me esqueci de outras que poderia ter considerado. Para uma próxima, ficam as dicas ;)

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1 Mês depois: o bebé

por Mia, em 04.09.17

Parece que foi ontem, e de repente passou-se um mês e nem sei para onde foi o tempo. Oscilo entre a vontade que ele seja maiorzinho e comece a interagir mais connosco, e o desejo de que o tempo pare neste momento que, tenho a certeza, passa num fósforo.

 

Saiu-nos a sorte grande com este bebé. Nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que teria um filho assim. És um bebé tão bom, digo-lhe, todos os dias.

Calhou de ser assim. Não tenho qualquer crédito nisso, não tem a ver com a educação que lhe demos - como se se conseguisse educar um recém nascido - e amanhã até pode virar uma pequena peste. Mas durante este primeiro mês, fez-nos o favor de ser um bebé maravilhoso.

 

 

Ao longo deste mês:

 

O monstrinho mama em exclusivo, e tem crescido uma média de 40g por dia - um dia destes vai ter que fazer dieta. Nos primeiros dias tínhamos que o acordar para comer, mas agora parece um relógio: de 3 em 3 horas (às vezes à noite faz as 4h de intervalo), está a abrir a boca, qual peixinho, e a rabujar com fome. Ainda não teve cólicas. Faz xixi e cocó como gente grande, normalmente depois de comer. Passa os dias na alcofa e as noites na caminha dele. Às vezes pomo-lo na espreguiçadeira, mas é mais por nós (fica tão fofo) do que por ele, que ainda não liga nada. Por norma adormece sozinho, mas quando pede colo também lho damos. Quando acaba de comer fica bêbado de leite e faz as caras mais adoráveis. Sorri muito, tanto a dormir como acordado. Dizem que são gases, mas eu desconfio que o facto de ele rir quando lhe dou beijinhos na barriga ou nos pés já começa a ser intencional. Temos grandes conversas os dois. Pronto, ok, são monólogos. Já consegue fixar o olhar nas pessoas por algum tempo, mas depois inevitavelmente acaba por se distrair. Segue qualquer ruído com a cabeça e com os olhinhos, e se alguém estiver atrás dele contorce-se todo na direcção do som. Assusta-se com barulhos inesperados, mesmo quando está a dormir. Já tem imensa força no pescoço e consegue segurar a cabeça sozinho durante alguns segundos. O mesmo com as perninhas: pontapeia como gente grande e consegue rodar-se no berço. Prefere dormir com a cabeça voltada para o lado direito, e o paizinho dele tem medo que ele fique com o crânio achatado desse lado. Tem soluços todos os dias e parte-me o coração. Às vezes chora ou dá um gritinho - acho que é para mostrar que sabe, porque nunca dura mais do que um ou dois minutos. Tem frequentemente o narizito entupido, e quando o limpamos às vezes chora, com lágrimas e tudo - é horrível - mas depois quando percebe que respira melhor sorri, e assim já vale a pena. Fica calminho quando ouve a voz da mãe, e às vezes falar com ele ou encostar-lhe a mão na cabecinha é o suficiente para ele parar de chorar e adormecer. Usa chupeta e não é esquisito: tanto marcha a da avent, como a da nuk ou a da chicco. Está cada dia mais loirinho e branquinho, tão filho do pai dele. Adora tomar banho, arregala muito os olhos e sorri imenso, e no fim adormece quase de imediato. Também se dá bem a passear de carro. Conquista toda a gente por onde passa, e não se faz de rogado quando lhe oferecem colo, vai a todos. Faz os barulhos mais deliciosos e as caras mais fofas. Já deu alguns passeios: fomos almoçar fora, às compras, lanchar ao café e passear no jardim. Fora todas as visitas ao médico. Não passeou muito mais porque a mamã é uma tola stressada e acha sempre que está muito calor/muita gente/muita confusão. Lá chegaremos. Passou um mês que pareceu um dia, e agora que escrevo apercebo-me de que já tanta coisa mudou e que ele está tão crescido. Não tenhas pressa, pequenote!

 

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Da injustiça

por Mia, em 04.09.17

Uma pessoa carrega a criança nove meses, qual incubadora humana, e ele nasce parecido com quem? Com o seu rico paizinho. Pois claro.

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O parto - parte II

por Mia, em 01.09.17

(primeira parte aqui)

 

Tinham-me avisado que seria muito rápido. A parteira tinha combinado com o pai que quando estivesse mesmo quase avisaria para ele fotografar o relógio, e em menos de nada lá vinha o aviso: pai, é agora! Não consigo descrever a emoção de saber que o meu filho ia nascer naquele instante. De repente não havia medo de nada.

 

Mas a coisa não estava fácil.

 

Toda eu abanava com o esforço que estava a ser feito para puxarem o bebé - sempre sem qualquer tipo de dor - e não acontecia nada. Olhei para ele e estava pálido. Perdi a conta ao número de vezes que perguntei "estás bem?" e ele dizia que sim, mas eu via-lhe a preocupação nos olhos. Naqueles segundos que pareceram horas, continuava o esforço e o bebé não queria sair. Vi a obstetra fazer sinal a uma das pessoas da equipa, e de repente tinha uma pessoa em cima de mim, a fazer pressão abaixo do peito para empurrar o bebé. Soube mais tarde que foi também necessário recorrer a uma ventosa porque a coisa estava mesmo difícil, e que o pai se apercebeu de tudo, daí o pânico. Mas nem tive percepção do que aconteceu.

 

 

Tenho quase a certeza que o mundo parou por um segundo quando o ouvi chorar pela primeira vez.

 

 

Não chorei, talvez porque o choro fosse uma emoção tão banal quando comparada com a grandiosidade desse momento, mas o que senti foi tão indescritível que não hei de conseguir nunca explicar.

 

 

Do lado de lá da barricada, ouvia-se: "que grande!", e "oh que nenuco!". Mas quando chegou ao pé de mim, a única coisa que consegui dizer foi: é tão pequenino. Encostaram-no à minha cara por uns segundos, e voltaram a levá-lo. Era preciso limpar, pesar, medir, vestir. O pai estava completamente abananado, de sorriso no rosto, e foi preciso dizer-lhe "vai com ele!" para que reagisse. E foi. Lá foram os meus dois homens, enquanto eu era cosida.

 

 

A pediatra voltou num instante e informou-me que estava tudo bem com o bebé, um rapagão de mais de 4kg com uma cabecita tão grande que "nunca na vida sairia por baixo". Acho que só aí senti validada a minha opção de fazer uma cesariana. Foi a melhor opção. Tomamos a melhor decisão, por todos.

 

 

Estava tão em paz, tão feliz, que até dormi um bocadinho.

 

 

Naquilo que me pareceu um instante, ouvi dizer do outro lado: Mia, já está, já vai para o recobro. Trouxeram-me o meu filho - o meu filho, que coisa tão incrível - e lá fomos, os três.

 

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