Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Se eu fosse rica

por Mia, em 09.11.17

Ficava mais tempo com o meu filho. A coisa mais maravilhosa a que assisti em toda a minha vida é esta que acontece aqui em minha casa todos os dias: vê-lo evoluir de bebé para menino. Morro um bocadinho por dentro de cada vez que me lembro que dentro de seis meses ele irá para a creche e eu vou perder tanto. Estar em casa com um bebé é não comer, não dormir, andar sempre de fato de treino e de cabelo apanhado, mas é muito mais. É ter estado lá na primeira gargalhada. É saber de cor o dia em que ele olhou para o mobile com fascínio pela primeira vez. É ter assistido ao primeiro rebolar, ou ao momento em que ele descobriu que tem mãos. Saber que foi ontem - literalmente, ontem - que ele percebeu que se bater na bola com a mão esquerda ela mexe e faz barulho. E ter visto passo a passo, hoje, quando lhe troquei a bola de lado, todo o processo de redescoberta, agora com a mão direita. Ver esta criança a crescer de dia num processo tão simples, tão natural, tem ao mesmo tempo qualquer coisa de magnífico. Ai se eu fosse rica.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este até é daqueles que toda a gente fala, uma pessoa prepara-se psicologicamente e aguarda, serenamente, que o cabelo comece a cair às manadas. Passa um mês e nada. Passam dois, e nada. A pessoa acha que foi bafejada pela sorte, porreiro pá, em 9 meses de gravidez perdi literalmente três cabelos, e agora retomou a queda normal, mas que sorte. Até que chega o terceiro mês após o parto, e é a puta da loucura. Cabelo por todo o lado, é só passar a mão e caem às dezenas. Temo pelo futuro da minha cabeleira não muito farfalhuda.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Como sabem, gosto de planear as coisas imensamente cedo - quem, eu?? que já tenho alinhavado o moodboard para o primeiro aniversário do monstrinho??? OH YEAH. Dizia eu que sou o exagero do planeamento, e ando já aqui a magicar quais serão as próximas compras que vou precisar de fazer para o piqueno. Sim, talvez precisar não seja o termo, mas vocês entendem. Ora, como toda a gente, gosto de aproveitar os saldos, e sei que após o natal não só começam os saldos de inverno como, tendencialmente, os brinquedos ficam mais barato, por isso eis as coisitas que estão na minha wishlist:

 

 

Parque infantil para jardim:

Children-fashion-plastic-slide-and-swing.jpg

O ideal seria qualquer coisa deste género: um tudo em um. Mas se for escorrega de um lado e baloiço de outro também não vem mal nenhum ao mundo.

 

 

Piscina infantil:

piscina-c-escorregador-playcenter-playground-infla

No verão, monstrinho terá perto de um ano, ou seja, muito pequenino para se poder divertir à vontade na nossa piscina, por isso gostava de arranjar um brinquedito destes.

 

 

Triciclo:

images.jpg

Mas Mia, ele não tem ainda só três meses?! Shhh. Eu disse-vos que gostava de planear com tempo. Agora o que realmente importa: o que se usa, em termos de triciclos, hoje em dia? No meu tempo era qualquer coisa como o que pus ali em cima, mas hoje há mil modelos de todos os feitios possíveis e imaginários. Help!

 

 

Parque:

895597075_1_1000x700_parque-bebe-chicco-cantanhede

Antevejo vir a precisar disto brevemente. Pequeno panda já rebola e mexe-se bastante, e está cada vez mais crescido. A alcofa não vai durar muito mais, nem ele terá paciência para passar os dias deitado.

 

 

Casinha de jardim

O meu sonho de infância era qualquer coisa como isto:

casa-na-arvore-3.jpg

 

Mas nem as nossas árvores têm (ainda) robustez para isto, nem ele tem idade, para além de que será mil vezes mais interessante construí-la com ele quando for mais crescido e efectivamente pedir uma casa na árvore. Portanto por agora, gostava de qualquer coisa à medida dele:

casinha-minha-casa.jpg

Agora, vamos ao que interessa: contem-me tudo o que sabem. O que comprar? O que evitar? Onde? Quero saber tudo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:24

"Nasce uma mãe, nasce um coque"

por Mia, em 08.11.17

coques-bagunçados.jpg

Quem nunca?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cenário: jantar de família, monstrinho acordado há horas a socializar com todos e a passar de colo em colo enquanto distribui sorrisos, até que começo a notar-lhe os sinais de cansaço: coçar os olhos, bocejar constante, ar de quem fumou umas ganzas potentes. Pego nele e aconchego-o deitado no meu colo, chupeta na boca, festinhas na testa, e ele começa a fechar os olhos e a adormecer quase imediatamente. Acto contínuo:

 

- Estás a adormecer o menino?!

- Sim.

- Porquê??

 

*faço de conta que não ouvi*

 

- Para que é que estás a adormecer o menino? Se ele quisesse dormir dormia!

 

*viro costas e saio*

 

 

Alguns dirão que a maternidade me deixou mais mal educada. Claramente são os que não sabem o que me apeteceu dizer nesse momento, caso contrário entenderiam que sair foi a atitude mais polida que alguma vez poderia ter tido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Centopeias. Grandes, gordas e nojentas. Como se acaba com isto?

(gasolina e um fósforo não é opção)

Autoria e outros dados (tags, etc)

E agora, digo-lhe, ou deixo andar?

por Mia, em 07.11.17

Em criança, tive um cão chamado Putchi (eu e meio mundo, eu sei). Ora adivinhem lá qual foi a alcunha que a minha sogra arranjou para o pequeno monstrinho?

Autoria e outros dados (tags, etc)

- Saquinhos de dormir. Não é recomendado que se utilizem edredões para aconchegar o bebé à noite, e os lençóis/cobertores/mantas não devem passar da altura do peito. Ora, aqui no campo, as noites são ge-la-das. Muitas vezes não queremos ligar o aquecimento para o ar não ficar demasiado saturado, mas atormenta-me que o miúdo tenha frio. Por isso os saquinhos são uma excelente ideia. Temos alguns sem braços que apertam nos ombros. Pela forma como estão desenhados, ficam aconchegados ao pescoço e não sobem daí, ou seja, por muito que o bebé se mexa, não ficará com o nariz tapado, e mantém-se quentinho. Também temos um ao estilo saco-cama que aparenta ser imensamente confortável (este). Uso desabotoado na alcofa, e quando ele adormece transporto-o para a cama. Como não prende nos ombros, entalo o excesso no colchão para que não suba. Temos também este, mas ainda está grande.


- Next-to-me. Não há melhor do que tê-lo ao meu lado durante a noite sem o stress de o ter na minha cama. Se a chupeta cai e ele choraminga, em 2 segundos volto a pô-la. Se ele se engasga, imediatamente consigo acudir-lhe - já aconteceu, e foi assustador. O colchão não me parece ser demasiado mole, e tem a opção de reclinar. Acima de tudo: ele parece gostar de lá dormir, é, de todos os sítios, onde tem os sonos mais tranquilos e prolongados.


- Babetes. Continuo a comprar mais e mais, não tinha ideia que um bebé usasse tantas babetes antes de começar a comer sólidos, mas é um absurdo como nunca temos suficientes. Gosto das da primark porque são leves, mas quando ele se baba muito fica rapidamente com a roupa molhada. As do Ikea também são giras e confortáveis.


- Saquinho de sementes. Já falei aqui sobre isso. É tudo de bom, e vale bem a pena.


- Intercomunicador. Estava indecisa entre comprar com câmera ou apenas som, ainda estava em fase de pesar prós e contras quando o padrinho ofereceu este, e é maravilhoso. À distância consigo ver se está tudo bem (absurdo quantas vezes ligo só para o ver respirar), controlar a posição da câmera e a temperatura do quarto. Ainda não usamos muito, só quando vou tomar banho ou se ele adormece no berço durante o dia, mas antevejo que terá muito uso no futuro.


- Mini toalhinhas. Para secar o rabo depois da muda da fralda. Nunca o monstrinho ficou com o rabinho assado, e raramente temos necessidade de por creme.


- Espreguiçadeira. Temos esta. Tem várias posições, inclusive deitada. Permite que ele fique sentado - sempre deitado faz-me muita impressão - e sossegadinho ao nosso lado.


- Almofada de amamentação. Compramos uma no toys'r'us que não tinha muito enchimento e me ajudou imenso a dormir durante a gravidez. Quando comecei a amamentar, no entanto, a falta de enchimento revelou-se um problema. Adicionamos mais espuma e as minhas costas ficaram eternamente gratas. Mesmo como suporte, quando estou com ele ao colo, ajuda IMENSO.


- Mobile. Comprei a estrutura e caixa de música no ebay e fiz estrelinhas, nuvens e uma lua em feltro. Ficou qualquer coisa parecida com isto:

il_fullxfull.923082384_mk5s.jpg

Ele adora. Quando preciso de arrumar roupa deito-o na cama de grades e ele fica a rir e a "falar" com a bonecada durante imenso tempo.


- Luz de presença. Não dormimos sem. Não é muito forte mas dá luz suficiente para o ver. E ainda por cima é gira.

- Este brinquedo que lhe ofereceram há dias. Tem tudo: cores apelativas, diferentes formas e materiais, um espelho, luz e imagens com movimento, música e som de animais. Tem um modo de dia com melodias alegres e um modo nocturno com melodias mais calmas cujo som vai ficando progressivamente mais baixo. Para além disto, tem um suporte para pousar no chão durante o tummy time e fitas para prender ao berço/carrinho. Ele adora, aliás, enquanto escrevo isto está há mais de uma hora deitado aqui ao lado a examinar atentamente os bonecos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:23

Uma pessoa actualiza o iOS, e: não chegava o novo interface ser feio, com ar foleiro, como ainda tem que levar com mudanças em coisas importantíssimas, como o facto de terem invertido a ordem dor botões "stop" e "snooze" no temporizador. Como se isso não fosse suficiente: no temporizador o stop é o botão grande e o snooze é o pequeno... no despertador é ao contrário. Falta de coerência! Sabeis lá o stress que isto já me tem provocado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

3 Meses depois: o bebé

por Mia, em 04.11.17

Está cada dia mais bonito e interage cada vez mais connosco. Tem um despertar muito bem disposto quando espontâneo, e gosta de gastar alguns minutos a espreguiçar-se e a fazer caretas. Depois brinda-nos com largos sorrisos. Aliás, ri-se muito e o tempo todo, é um bebé tremendamente bem disposto - não sei a quem sai. Por outro lado, odeia ser acordado, se acontece, fica rezingão o resto do dia. Aprendeu a agarrar coisas: os lençóis, as fraldas, a babete, a mama. Também começa a levar as coisas à boca, principalmente as suas próprias mãos, habilidade que nos trouxe uma nova tarefa: passar o dia a tirar cotão de todo o lado. Está tão comprido que não cabe deitado na banheira pequenina, e já fica com os pés de fora da espreguiçadeira. Continua a adorar o banho e agora choraminga quando o tiramos da banheira. Experimentou a shantala e gostou muito, mas é complicado para nós utilizá-la porque ele é gordinho e temos que lavar bem todas as dobrinhas. Por falar em gordinho: na ultima pesagem, aos 2 meses e meio, já somava 6,150kg. Dorme a noite inteira, desde as 23h/00h até às 7h/8h. Fixa muito o olhar nas pessoas e nos brinquedos, seguindo-os para todo o lado. Também está sempre muito atento aos sons. Gosta que lhe cantem e ri-se muito quando fazemos a bicicleta, lhe comemos os pezinhos ou fazemos caretas. Ri-se imenso quando lhe digo que o pé cheira a chulé, ou que o vou comer. Reconhece a voz da mãe e do pai e arrebita logo as orelhas se, estando com outra pessoa, nos ouve. Já começa a manifestar vontades e preferência por pessoas: se está no colo de outra pessoa e quer vir ao meu, começa a atirar-se na minha direcção e a choramingar (adoro, mas tento dar-lhe espaço quando está com outras pessoas, para não se tornar uma daquelas crianças que só está bem com a mãe). Tem muita força na cabeça mas pouco controlo, o que faz com que tenhamos que ter sempre mil cuidados para não levar uma cabeçada. Já deu algumas mini gargalhadas, mas ainda não o faz com frequência. Deu um salto de crescimento tão grande que já não sei o que lhe serve, o que está pequeno, e o que está grande. O tempo bipolar também não ajuda ao drama da roupa. Continua a adorar andar de carro, fica calminho e observador, e agora já não dorme o tempo todo. Também nos passeios já se mantém bastantes vezes acordado: observa tudo e sorri imenso quando falam com ele, mesmo que sejam desconhecidos. Já saímos mais vezes de casa, aliás, implementamos a rotina de jantar fora uma vez por semana. Adora tummy time, e já consegue rebolar estando de barriga para baixo para a posição de costas no chão. Creio que não entende muito bem o que se passa porque invariavelmente fica ali deitado de costas com ar meio confuso. Todos os dias ao fim da tarde estendo o ginásio no chão da sala e deitamo-nos os dois a brincar. Já começa a tentar chutar os brinquedos suspensos, e, estando deitado com apoio nas costas, faz esforço para se levantar - apesar de não conseguir. Às vezes, quando está de barriga para baixo, ergue o tronco com os braços e, com as pernas, tenta impulsionar-se para a frente - deve querer ir a algum lado. Está mais fiteiro para dormir, e pede muitas vezes colo quando tem sono, para adormecer passado um ou dois minutos. E nós damos, claro. Até há cerca de uma semana, continuava a bolçar imenso e a vomitar algumas vezes. Consultamos outro pediatra para segunda opinião e o veredicto é o mesmo: é um "bolçador", não é motivo para preocupação. Entretanto isso já acalmou, e voltamos ao registo "baba infinita" e bolinhas. Também faz barulhinhos com a língua e ri-se imenso - vai ser lindo quando começarmos com as sopas. Às vezes, durante o dia, faz sestas já na cama de bebé crescido. Entretém-se muito bem sozinho, desde que nos veja por perto. Continua a ser um bebé maravilhoso, somos tão incrivelmente sortudos e felizes que nem consigo acreditar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gostei, partilhei

por Mia, em 03.11.17

Coincidências do catano. No dia em que postei isto, um colega de faculdade partilhou isto no facebook. Eu identifiquei-me tanto, que achei que devia partilhar também convosco.

 

Sem Título.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O meu coração não aguenta

por Mia, em 03.11.17

Eram três da manhã e dormíamos todos. Acordei com um barulho, o bebé estava engasgado. Mas não era o engasgado normal - tem demasiada saliva e não sabe o que lhe fazer, tosse, vira para o lado e dorme. Não era isso, era qualquer coisa diferente, tão diferente que me fez levantar como se tivesse uma mola e, imediatamente, colocar o miúdo na vertical. Não sei o que me fez perceber que era mais grave do que o normal, não sei o que me impulsionou a agir desta forma com tanta rapidez, e não quero pensar no que poderia ter acontecido se ele já estivesse a dormir no quarto dele.

 

Segurei-o ao alto e começou a cuspir leite e saliva. Dei-lhe palmadinhas nas costas, limpei-lhe a cara, achei que ia passar, mas não passou. Sentia-o aflito, uma respiração difícil, algo não estava bem. Não respirava bem ele, e não respirava bem eu. O pai pegou-lhe e virou-o ao contrário. Eu gelada, sentia o coração a bater-me na boca. Ele, calmamente, dava-lhe pancadinhas nas costas enquanto o mantinha de barriga para baixo. Chamo uma ambulância? - a âmbulância não vai chegar a tempo, pensava - diz-me o que fazer, estou bloqueada, não consigo pensar!! Fez-me sinal que olhasse para o bebé, que começava a respirar normalmente. Do nariz e da boca saía-lhe uma espécie de espuma, uma misturada de leite, saliva e ranho. Voei para o quarto dele e trouxe o aspirador nasal, e desobstruí-lhe as narinas. Vamos ao hospital na mesma, prefiro pecar por excesso de zelo, disse, enquanto me vestia. Trocamos o miúdo de colo e o pai, por sua vez, vestiu-se. Talvez seja melhor antes disso limpar-lhe o nariz com soro, só para ele respirar mesmo bem? Sim. Limpamos o nariz, e de imediato voltamos a ter um bebé sorridente e bem disposto. "A mama é conforto", dizem, por isso resolvi que lhe ia dar de mamar antes de sairmos de casa com ele. Não quis. Assim que lhe peguei, aninhou-se no meu colo e dormiu, e acabamos por decidir que o melhor seria não o tirar de casa, a meio da noite gelada, por uma situação que estava resolvida. Passei a noite deitada ao lado dele a observá-lo, e os dias seguintes sem conseguir dormir em condições. Não tenho estaleca para isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Agora que - finalmente - temos cortinados nos quartos, abro as persianas sem medos. Dantes, por uma questão de privacidade, não o conseguia fazer, e por isso só agora pude reparar a sério na vista. O quarto do meu filho, como todos, aliás, dá para o jardim. Da cama conseguimos ver o relvado verdinho e o azul da piscina. Dou por mim a pensar em como foi tortuoso o caminho até chegar aqui, mas como sabe bem esta sensação de dever cumprido.

 

Obviamente, seríamos igualmente felizes num apartamento, ou numa casa mais modesta. Nunca tive a mania das grandezas, nem coisa que o valha. Mas para entender a importância que isto tem para mim, precisamos de recuar até à minha infância.

 

Os meus pais foram-no demasiado cedo. Um acidente de percurso que atirou dois adolescentes para um casamento forçado e uma vida remediada. Não tivemos luxos, mas nunca me faltou amor. Sei que o dinheiro não traz felicidade porque fui uma criança feliz, apesar de às vezes não haver dinheiro para comprar pão. Não pensem que alguma vez me faltou o que quer que fosse, longe disso. Mas fui desde cedo uma criança perspicaz, e sempre tive consciência de que vivíamos "à rasca".

 

Admiro, do fundo do meu coração, o esforço e ginástica que os meus pais fizeram para nos dar uma infância memorável. Nunca saímos do país no verão, mas íamos passar dias à praia aqui ao lado. O meu pai fazia as melhores construções na areia, e todas as crianças das redondezas vinham brincar connosco. Nunca tive festas de aniversário dignas de pinterest, mas a minha mãe fazia-me os bolos mais originais e nunca esquecerei o ano em que o meu pai encheu dezenas de balões até que o chão do sótão ficasse completamente coberto, ou das luzinhas de natal que ele espalhou pelas paredes e que criaram o cenário mais mágico de sempre. Não tinha um brinquedo caro no natal, mas tinha vários da loja dos trezentos, e delirava com cada um deles. Mesmo após o divórcio dos meus pais, durante a minha adolescência, nunca deixaram que o falhanço no casamento impactasse o nosso bem estar.

No entanto, desde que me lembro que me preocupo com dinheiro. Recordo-me de ser criança, e no café me perguntarem se queria um bolo e dizer que não, por não querer que gastassem dinheiro comigo. Ou de escolher o gelado mais barato em vez do que realmente queria. Ou de não contar aos meus pais que a mochila estava rasgada, para não terem que comprar outra.

 

 

Tracei, desde cedo, um plano para a minha vida. Havia de me formar. De arranjar um bom emprego. De estabilizar as minhas finanças. E depois teria filhos. Planeei recriar com eles tudo de bom que os meus pais fizeram comigo, com um pequeno twist: estabilidade financeira. Não quero que os meus filhos tenham preocupações, quero que sejam apenas crianças, felizes e seguras. Quero corrigir neles a única coisa que falhou na minha infância. Certamente cometerei outros erros.

 

 

As coisas demoraram mais do que eu previa. Gostava de ter sido mãe aos 25, mas a vida não mo permitiu. Olhando para trás, sinto-me grata por ter tido o discernimento para não dar esse passo. Não era sequer emocionalmente estável o suficiente para ser mãe. Atrasamos a decisão de ter filhos por nós, pelo nosso emprego, pela casa - um sonho que nunca pensei ver sair do papel e que de repente se realizou. Houve alturas em que me arrependi dessa decisão, mas neste momento sinto que as coisas aconteceram quando tinham que acontecer. Olho lá para fora e penso como seremos ainda mais felizes na próxima primavera quando estender uma manta na relva e nos sentarmos os três a brincar. Nas memórias que criaremos quando no verão estivermos os três na piscina, ao fim de um dia de trabalho. Em como vão ser espectaculares as festinhas de anos no jardim, crianças a correr por todo o lado, quem sabe não alugaremos um insuflável. Penso neste natal que se aproxima e em como ele já adora luzinhas e tenho a certeza que vai delirar com a árvore de natal gigante que colocaremos na sala. Nos domingos em frente à lareira. No quentinho da nossa casa, de onde podemos ver a chuva a cair lá fora.

 

Demorou, mas sinto que cheguei onde queria. E isso é maravilhoso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Chegou a cadeira da papa!

por Mia, em 02.11.17

Mas... ele já come papas?

Não.

Vai comer papas/sopas em breve?

Não.

Então?

Deixem-me. Chegou a cadeira da papa e é linda.

 

597b41218799e80712a3d552.500x426.jpg

597b41218799e80712a3d553.500x426.jpg

597b41218799e80712a3d54f.500x426.jpg

 

 Para além de ser linda:

- Tem duas posições: cadeira alta ou de tamanho "normal".

- Permite colocar uma bandeja, em três posições possíveis.

- O assento é de fácil limpeza, muito macio e confortável.

- Tem um emaranhado de cintos de segurança que certamente serão uma mais valia, assim que conseguir descobrir o que encaixa onde.

- Super fácil de montar e desmontar.

- Quando o bebé crescer, pode ser usada como uma cadeira normal.

- É linda, não sei se já disse? E condiz na perfeição com a minha sala de jantar e cozinha.

 

 

Comprei aqui, mas se quiserem pagar um preço escandalosamente mais caro, também a encontram aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ter que mentir à família porque estão todos doentes com uma virose contagiosa e não queremos correr riscos com o monstrinho, mas se dissermos a verdade sobre o motivo pelo qual esta semana não estaremos com eles temos quase a certeza que não só aparecerão cá em casa para o ver, como passarão a omitir-nos quando estiverem novamente doentes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

- O carrinho. É verdade que não saímos para passear assim tantas vezes, mas menosprezei o uso que lhe daria em casa. As sestas diárias são, invariavelmente, feitas na alcofa, pela facilidade que é tê-lo ao nosso lado. Criamos o hábito de dormir, durante o dia, com luz, barulho e ao pé de nós, e de noite em silêncio, no quarto e às escuras. Tudo óptimo, tudo pacífico, não fosse a situação de, quando visitamos familiares, termos que ir com a alcofa atrás. É chato, é pesado, e ocupa imenso espaço. Para terem uma noção: temos um SUV com uma mala bastante espaçosa, e ainda assim, entre alcofa, estrutura do carrinho e saco das fraldas, sobra pouco espaço. A isto acresce que, quando vamos a qualquer lado, estamos constantemente a contar o tempo porque o monstrinho não deve ficar mais de 2h no ovo - já aconteceu termos que o acordar. Se fosse hoje compraria um duo convertível, como o da Cybex ou o da Jané. Acho que o conforto de não ter que andar com a alcofa às costas compensa largamente a diferença de preço.


- A shantala. Já aqui contei que não usamos durante muito tempo. Entretanto experimentamos e o monstrinho adorou. Mas. Uma das desvantagens de ter um bebé gorducho são as dobrinhas. Monstrinho tem milhentas dobras, e têm que ser cuidadosamente lavadas e secas, porque acumulam imeeeenso cotão. Na shantala, com o bebé todo enroladinho, não dá jeito nenhum. Acabamos por usar apenas para banhos mais rápidos quando ele se suja todo ou para quando está pior da barriga, mas não justificou o investimento.

- Saquinho para swaddle. Outra coisa que não usamos por aí além. Foram duas vezes, para ser exacta. O monstrinho nasceu em Agosto, estava muito calor, e enrola-lo num burrito não seria a coisa mais agradável. Tentamos duas vezes, não correu mal mas também não encontramos vantagens significativas. Ele nem gostou nem desgostou. Acabamos por não usar mais, e agora ele já está demasiado crescido para achar piada.


- Sling e pano. Comprei os dois, o sling parecia-me perfeito para aconchegar um bebé recém nascido na posição deitada, e o pano para quando ele começasse a querer ficar mais acordado. Dizia eu que comprei ambos, e usei muito pouco, tanto um como outro. Mais uma vez, ele não desgostou, mas não adorou também. Neste momento sinto que o sling é pequeno para o transportar deitado e ele ainda não tem estabilidade suficiente na cabeça para ir sentado, por isso está encostado. Já o pano, vou usando quando ele está mais irrequieto, mas demora tanto tempo a colocar que normalmente ele vai ficando mais choroso e mais chatinho e depois não há como o acalmar. Entretanto também comprei um marsúpio, mas ainda não tivemos oportunidade de usar muitas vezes, por isso para já não sei se foi uma boa ou má compra.

- Biberões. Comprei o set de recém nascido da avent, e até usamos quando comecei a tirar leite com a bomba, mas desde que comprei o calma da medela nunca mais quis outra coisa.


- Roupa. Foi um exagero. Eu comprei demasiada, e o que nos ofereceram foi absurdo - ainda que tenha trocado/devolvido muita. Não fosse o verão tardio, e tenho a certeza que metade da roupa ficava por estrear. Ainda assim houve peças que só usamos uma vez, e outras que nem isso. Acabamos por estar quase sempre por casa, e os bebés querem-se confortáveis, por isso praticamente só usamos babygrows e macacões de manga curta.


- Redutor para o ovo. Compramos este, porque me fazia impressão a cabecita dele abanar de um lado para o outro. Acabamos por usar muito raramente, porque a curvatura do ovo associada à elevação de cabeça proporcionada pelo redutor faz com que fique com o queixo demasiado inclinado sobre o peito, o que não é, de todo, uma posição segura.


Rede mosquiteira para o carrinho. Achava eu que íamos continuar a ser pessoas normais, a fazer caminhadas nocturnas, churrascos com os amigos ou noites na esplanada. Que fofa que eu sou, tão ingénua. Nunca esta criança esteve mais de 2 minutos na rua à noite, portanto a mosquiteira nunca saiu sequer da caixa.


- Teepee. Onde é que eu estava com a cabeça?! É óbvio que o bebé não liga nenhuma, e agora temos aquele monstro a ocupar espaço no quarto. Sim, ele provavelmente vai adorar quando começar a brincar, mas como sempre planeei cedo demais. Além disso, se calhar devia dar-lhe a oportunidade de sentir falta das coisas para que as possa apreciar, em vez de ter logo tudo à cabeça.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:36

Não suporto

por Mia, em 01.11.17

Que falem à bebé com o meu filho. A chupeta é a chupeta, não é a pupa, a pé nem a pêta. É a chupeta. O carro não é o popó. O cão não é o auau. E o gato não é o miau. Eduquem os vossos filhos como quiserem, mas o meu ouve as palavras como elas são. Depois, a seu tempo, fará as suas adaptações.

Autoria e outros dados (tags, etc)

De repente, já Novembro

por Mia, em 01.11.17

cute-goodbye-love-month-Favim.com-1211503.jpg

 

Já posso começar a comprar prendas de Natal, ou ainda é escandalosamente cedo?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Oh, não gostaste do que escrevi?