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Monstrinho chora se saio da divisão onde está, mesmo que um minuto antes estivesse a gargalhar. Chora copiosamente - com lágrimas infinitas - se for o pai a adormecê-lo, mesmo que um segundo antes estivesse a brincar feliz no colo dele. Andamos nesta brincadeira há dois dias: só está bem quando eu estou, e eu não estou nada bem com isto. Vamos acreditar que é só uma fase.

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O romance foi o que fodeu isto tudo. A vida era boa, eu estava feliz, os passarinhos cantavam e o sol brilhava. Ou assim parecia na minha cabeça.

 

Desde o primeiro mês após o parto que tomo a pílula de amamentação. "Dra, mas isto é um contraceptivo como outro qualquer?" "É sim, não se preocupe". E não me preocupei, pois está claro. Monstrinho deixou de mamar ia eu no início de uma caixa, e decidi levar até ao fim, evidentemente. E depois um dia tive uma coisa que não interessa falar num blogue assim em bom como este, mas vá, chamemos-lhe um inconveniente intestinal, daqueles que cortam o efeito da pílula, mas quem é que pensa nessas merdas?

 

Passam uns dias, sei lá, uma semana e uns trocos, e estou eu em casa tranquilamente a ver fotos quando sinto aquela dorzinha básica no útero. Ora, contextualizemos: há duas coisas que me levam a sentir esse tipo de dor - ou estou naquela altura do mês, ou estou grávida. Oh que diabo. É que, não sei se vocês sabem, mas a pílula de amamentação inibe a menstruação.

 

Tudo a suster a respiração desse lado? Daqui também.

 

Passo então a tarde toda com dores - de útero e de alma. Mas que raio, na volta é algum desarranjo aqui por todas as alterações hormonais, sei lá eu. Ao fim do dia, uma ou duas gotinhas de sangue. Não sei se estão todos familiarizados com o conceito de sangramento de implantação, mas se não estão, ide procurar. Vá, eu espero.

 

Todos a bordo?

Daqui também, com o bónus de, neste momento, já termos uma Mia em pânico a pensar que se calhar há mais um a bordo e isso não estava mesmo nos planos.

Conto ao homem e instalo o caos, evidentemente. Dias de pânico, drama, horror. Ele, que dias antes tinha proferido a frase "se não fosse um risco para a tua saúde eu gostava de ter outro filho já", descobriu que afinal se calhar não gostava assim tanto que fosse já já. Eu, que andava com saudades da barriga e de um bebé pequenino, descobri que se calhar não eram assim tantas saudades que não pudessem esperar dois anitos.

 

Faz um teste, repetia ele incessantemente, mesmo que lhe tenha explicado 2573 vezes que mesmo se estivesse grávida, era muito cedo para um teste dar positivo.

 

Daí a uns dias tinha consulta de rotina na ginecologista, pensamos então esperar até lá. Entretanto, dias de pânico, não sei se já disse. É que entre o parto e a amamentação, eu recuperei o poder sobre o meu corpo há cinco minutos, e já vem outro pequeno ditador tomar posse?? E vocês já pensaram bem na logística de ter duas crianças com um ano e pouco de diferença?! Compram-se dois trocadores? Dois carrinhos? E partilham quarto, ou nem por isso? Ai valha-me Deus o que fomos nós fazer.

 

Contei a uma amiga que só se ria e dizia: ai monstrinho que tu dás demasiado tempo livre aos teus pais. Muita piada.

 

Chegado o dia da consulta, claro, grávidas aos magotes na sala de espera. Começa-me a dar aquela nostalgia. Começo a pensar que se calhar nem é assim tão dramático.

Entro no consultório e começo a explicar a historinha  toda. A cada nova coisa que eu dizia, a Dra. fazia aquela cara de "estás tão fodida". Explicou-me que seria melhor fazer exame de sangue, porque a ecografia tão cedo poderia não ser conclusiva, mas teria de esperar até ao fim do dia pelos resultados.

 

Tudo bem. Mais uma picadela, mais uma voltinha, e vai a Mia para casa aguardar pela chamada com o resultado enquanto pensa que se calhar até não é assim tão mau ter mais um monstrinho agora.

 

Três da tarde o telefone toca:

- estou, Mia? Boas notícias. Não está grávida.

- que bom, obrigada.

 

E agora estou aqui, um bocado triste, porque sei lá, sou parva.

 

 

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Às compras, encontro uma colega de trabalho. Para quem não sabe, eu e o homem trabalhamos juntos cerca de 7 anos, portanto os colegas de trabalho conhecem os dois. Fomos então cumprimentar a colega, e levávamos o monstrinho connosco. De imediato, sorriu para ela.

 

- É tão simpático! Também não tinha a quem sair antipático.

Ao que eu respondo aquela graçola básica:

- Ora, podia ter saído ao pai.

 

Silêncio.

 

Cara séria.

 

Levantar de sobrancelha.

 

 

Ok, não foi a piada do ano - nem era para ser - mas caramba. Era a brincar. A BRINCAR.

 

Já me tinha esquecido deste sentido de humor... peculiar, chamemos-lhe asim, das pessoas com quem trabalho. Voltar vai ser tão difícil.

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Sad but true

por Mia, em 21.02.18

Chegamos aquele ponto da vida em que passar a ferro e ver séries se tornou num momento de relax.

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E depois ela disse

por Mia, em 20.02.18

Este bebé é tão fácil que se educa sozinho, olha o que te digo.

 

Como se não houvesse aqui horas, dias, semanas, investidos em criar rotinas, incentivar bons hábitos. Como se não tivesse devorado mil livros sobre o tema para conseguir entender o meu filho e guiá-lo pelo melhor caminho. Como se fosse tudo sorte, um acaso, uma criança que nasceu ensinada.

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Era sexta feira à noite, e eu estava sentada ao balcão da cozinha, com um copo de vinho, enquanto conversava online com ela. Cortávamos na casaca de uma terceira pessoa, há lá melhor, e de repente apercebi-me:

- quem ler esta conversa pensa que não temos o que fazer, nem filhos para criar.

ao que ela responde:

- o pai está a adormecê-lo.

- aqui também. Escolhemos bons pais.

 

E escolhemos.

 

Ah e tal, mas o pai tem tanta obrigação como a mãe, beca beca beca. Isso é tudo muito bonito e concordo muito. Mas tendo os mesmos deveres, quantos o fazem? Quantos não se limitam a empurrar as tarefas para a mãe?

 

Em tempos uma amiga contou-me que, numa festa, uma outra amiga ficou chocada porque a filha tinha cocó na fralda e o pai foi mudá-la. A rapariga ficou chocada por ele saber como o fazer, imagine-se!

 

Na semana passada, numa festa de família, o meu filho começou a choramingar. Eu ainda estava a almoçar, por isso o pai pegou nele ao colo e foi adormecê-lo. Naturalmente, não foi preciso pedir, é necessário fazer alguma coisa e o que está mais liberto faz. De imediato uma tia veio perguntar-me se ele era mesmo assim ou se estava a fazer aquilo apenas para o show off.

 

Tens muita sorte.

 

O tanas. Escolhi-o.

Escolhi o homem que olha para o nosso filho como nunca o vi olhar para ninguém. Escolhi o homem que muda fraldas, dá banhos, canta, faz palhaçadas. O homem que chega a casa, depois de um dia de trabalho, e dá a sopa ao menino para me poupar as costas. Que o adormece praticamente todas as noites. O homem que me atura as neuras, que assume quando erra, que conversa comigo, que diz que me ama todos os dias sem excepção.

 

Não foi sorte, escolhi-o. E escolhi tão bem.

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As minhas desculpas.

por Mia, em 18.02.18

Fiz agora um scroll rápido pelo blog e reparei que ultimamente só escrevo textos de metro e meio. Credo. Eu que só leio textos grandes em blogs dos quais gosto mesmo, tornei-me nessa pessoa.

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publicado às 10:47

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Obrigada Sapo, por mais estes dois!

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Começamos pelas sopas. Há pediatras que preferem começar pelas papas, outros pelas sopas, o nosso achou melhor assim. Fiz então aquela primeira sopa horrorosa sem nada: batata, cenoura, umas folhas de alface, e um fio de azeite em cru.

 

O que é que acontece quando se dá alimentos com consistência de puré a uma criança que só sabe beber leite? Javardice. Muita javardice.

 

No primeiro dia valeu tudo: cantigas, palminhas, iPad com a pequena sereia a bombar. Era uma colher de papa, e chupeta na boca para ele nao cuspir. Ah, mas não se deve fazer isso. Caguei.

 

Acabamos a refeição com metade da sopa na babete, no tabuleiro, no chão, no cabelo dele, no meu cabelo, dentro das orelhas, sei lá. A outra metave ficou-lhe no estômago, e considerei-me vencedora.

 

No segundo dia, tudo mudou! Já engolia melhor, e alambazou-se com um prato de sopa enquanto o diabo esfrega um olho. Sem musica, sem iPad, sem chupeta, sem nada. Desde então tem sido assim, tudo o que lhe damos ele come bem, minha betoneirazinha, e já conseguimos fazer refeições inteiras sem a casa ficar a parecer um campo de batalha.

 

Já provou couve branca, alface, alho francês, couve flor, brócolos, abóbora, repolho, maçã, pêra e banana - para além da batata e cenoura, claro, e por enquanto não se mostra esquisitinho com nada. Diz a minha sogra que nós não merecíamos um bebé tão fácil (tanto eu como o pai eramos um terror para comer). Estou tentada a dar-lhe razão!

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...mas também quero dar o meu bitaite sobre educação. Li muito por esses blogs e redes sociais variadas, opiniões sobre um tema sobre o qual a minha opinião tem vindo a mudar ao longo dos anos: bater nas crianças. Não espancá-las, valha-me Deus, mas aquela palmada educativa no momento certo que, dizem, faz maravilhas. E eu também dizia. Não raras vezes saiu da minha boca a frase: fosse meu filho e já tinha um par de estalos.

 

E depois fui mãe.

 

Tenham em atenção que esta coisa da maternidade é uma aprendizagem constante, e o que hoje é uma verdade absoluta amanhã já não é bem assim. Perdoem-me a incoerência se daqui a uns tempos lerem aqui uma opinião completamente diferente. Hoje, a minha opinião é esta.

 

Não tenciono bater no meu filho. Gostava de o conseguir educar de forma a que não seja necessário recorrer à violência física para fazer valer a minha vontade, e não considero que isso seja tarefa assim tão complicada. Acho que muitas vezes falta tempo, vontade, e paciência para se educar de forma diferente. Assim de repente, lembro-me de os meus pais me terem batido duas vezes, em toda a minha vida. Ambas foram, a meu ver, injustificadas. Sempre fui uma criança obediente e educada, não foi à base do estalo e, garanto-vos, não me fizeram falta nenhuma.

 

E depois há a questão do que isso ensina aos miúdos. Monkey see monkey doo, aplica-se também às crianças. Se ensinamos os nossos filhos a usar um castigo fisico para fazer valer as nossas vontades, como podemos pedir que não façam o mesmo? Tenho uma amiga que anda preocupadíssima porque o filho lhe bate. A mesma pessoa que, sempre que o miúdo faz asneiras, lhe dá uma palmada na fralda. Ora, será assim tão estranho que a criança tenha este comportamento?

 

Estás a ser ingénua - dizem-me - quando o teu filho começar com as birras falamos. Aceito. Concedo, claro, que isto é uma opinião meramente teórica. Mas gostava mesmo de conseguir ter a paciência e resiliência suficientes para educar o meu filho de outra forma.

 

E vocês? O que pensam deste assunto?

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Hum.

 

A sério? Mas isso é errado porquê?

Leio muito. Muito mesmo. O desenvolvimento da criança e psicologia infantil são temas que me interessam, e mais do que isso, que me dão prazer explorar. Neste primeiro ano do meu filho, sei as guidelines para cada mês, o que se está a passar com o corpo dele, como se está a desenvolver o seu cérebro, e que mudanças esperar. E gosto de saber isso, para o poder estimular da melhor forma.

 

Por exemplo: nos primeiros tempos da criança, não tem qualquer interesse colocá-lo no ginásio de chão, apresentar-lhe bonecos coloridos, enfiá-lo na espreguiçadeira. O melhor nessa altura são contrastes preto/branco, e foi isso que ofereci ao monstrinho nesse momento.

Não tenho o propósito de criar um Einstein, já aqui disse milhões de vezes. Mas se hoje em dia temos imensa informação ao nosso dispor e podemos ajudar a que os nossos filhos se desenvolvam da melhor forma, porque não fazê-lo?

Se eles aprendem a um ritmo mais rápido ou mais lento, isso é outra história. Há coisas que seriam expectáveis aos quatro meses que o meu filho não faz, e por outro lado faz algumas que só esperava mais lá para a frente. Como todas as crianças. Não há mal nenhum nisso. Mas eu sinto que é meu dever enquanto mãe, incentivá-lo e estimula-lo de acordo com a idade.

 

A pessoa que disse a frase do título acha que eu sou obcecada. Que não deveria ler tanto. Que não há qualquer interesse em procurar saber o que é melhor para a criança em cada idade. Que se deve deixar os putos sentados em frente à televisão e esperar pelo melhor.

 

Eu acho que ela está errada.

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Compramos uma Yammi

por Mia, em 12.02.18

Terminada a amamentação exclusiva, foi-nos recomendada a introdução de outros alimentos entre o 5º e o 6º mês. Eu andava aterrorizada com isso porque faço as piores sopas de sempre. Sim, eu sei, antigamente não havia robôs de cozinha e todos sobrevivemos. Sim, uma varinha mágica faz maravilhas. Mas não tenho fé na minha aptidão para sopas e purés, por isso, num momento de distracção do homem, convenci-o a comprar uma Yammi.

 

 

Então Mia e agora, vais ser uma dessas evangelizadoras dos robôs de cozinha? Não, meus amores. Cada um vive como quer, como pode, e como lhe dá prazer. Mas querem saber a minha opinião? (vamos todos assumir que sim) A Yammi veio melhorar muito a minha vida.

 

 

Faço sopas frescas para o miúdo a cada 2/3 dias, em 30 minutos. Atiro com tudo lá para dentro e vou à minha vida, sem stresses, sem preocupações, sem ai meu Deus que a panela transbordou ou eish queimei a sopa. Purés de fruta? Idem. E só por isso já valia o investimento, mas há mais. Cozinho imenso para nós, de forma rápida e saudável. A bandeja de vapor é a minha nova melhor amiga. A família também agradece, porque passei a levar sempre uma sobremesa para todos os almoços e jantares, afinal, faz-se um bolo num instante. Para terminar o rol de vantagens, três palavrinhas para vocês: maravilha de chocolate. Ide pesquisar e depois contem-me coisas.

 

 

Desvantagens? Ora bem, claro que dar 300 e tal euros por uma maquineta doi na carteira, mas se compararmos com os 1000€ de uma bimby é bem mais suave (bimbólicos, escusam de vir dizer que a bimby é melhor, pois com certeza que é melhor, mau seria). O barulho. Esperava um bichinho mais silencioso, e acho que faz um chiqueiral. Mas já ouvi dizer que a anterior era pior. A espátula: aquela porra daquela peça no meio até pode dar muito jeito para pousar, mas não é minimamente prática para usar. O sistema de fecho: já por duas vezes fechei mal o copo e depois fiquei com a tampa empancada. Not cool.

 

 

Fora estes pequenos inconvenientes, somos grandes amigas, eu e a yammi. E creio que esta relação está para durar.

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Então Mia, como é que ele lidou com a separação?

 

Nem notou.

 

Há uma razão para os pediatras recomendarem a mudança de quarto aos seis meses. Os bebés são ainda tão pequeninos, não têm ansiedade de separação e não sentem a mudança. No nosso caso, a alteração impunha-se por mais um motivo: o berço que temos no quarto só dá até aos 9kg/6 meses, e o monstrinho pesa já 8,5kg. Não podíamos deixá-lo lá muito mais tempo, e não quisemos deixar a mudança para o limite.

 

Então como foi?

No dia, deitamos o bebé na cama de grades do quarto dele, e fomos para o nosso. E ele dormiu. Já eu, passei a noite em claro. Não sei o que me parece, olhar para o berço vazio ao meu lado. Contei as horas todas, sempre atenta ao monitor e a vigiar cada movimento dele. Fui lá três vezes resgatar a chupeta perdida, e de manhã, mal ele manifestou sinais de acordar, levei-o para a nossa cama. Não tenho emenda.

A segunda noite foi melhor. Descansei, e quando lhe caiu a chupeta pela segunda vez rosnei ao pai um vai lá tu, e a coisa resolveu-se. Dormimos os dois tranquilos até às 9h - eu e o pequeno, que o desgraçado do pai teve que ir trabalhar.

 

Entretanto, esta questão da chupeta perdida começa a tornar-se um incómodo. Já era pouco agradável quando ele estava ao alcance de um braço, e agora que nos obriga a levantar o traseiro piorou um pouco. Em conversa com o pediatra, sugeriu-nos tirar a chupeta à noite. Deixá-lo usar de dia, e até para adormecer, mas depois acabar com isso. Ora, o problema é que ele até adormece sem a chupeta, mas depois se dá pela falta dela é o cabo dos trabalhos. Alguém desse lado já passou pelo mesmo? Querem partilhar truques e soluções milagrosas comigo?

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Acabou-se a mama

por Mia, em 09.02.18

Não há leite fraco.

O teu corpo produz sempre o necessário para o teu filho.

Não desistas da amamentação.

 

 

Sabem onde podem enfiar estas e as outras frases feitas relativamente à amamentação? Aí mesmo.

 

Planeei amamentar em exclusivo o meu filho até aos seis meses, e depois tirar. Entretanto ele nasceu, e eu considerei prolongar a amamentação, não porque gostasse, mas por ser melhor para ele. Tudo a correr bem, ultrapassados os problemas iniciais entramos em piloto automático e a coisa fluía naturalmente.

 

Um belo dia - ou não tão belo quanto isso - a pequena criatura começou a mamar menos. E menos. E menos. Se habitualmente mamava 10 a 15 minutos de cada lado, de repente começou a mamar 10 minutos no total, e depois era uma choradeira de proporções épicas e me fazer dar graças a todos os santinhos por não termos vizinhos.

 

Falei com a pediatra - é normal, é porque ele agora consegue mamar de forma mais eficaz. E sosseguei por uns dias. Até que, numa consulta de rotina no centro de saúde, verificamos que ele em duas semanas tinha aumentado apenas 30 gramas de peso. Na minha cabeça, todos os alarmes dispararam, mas à minha volta as pessoas diziam que não. Que era normal. Que os bebés aumentam menos de peso conforme avançam na idade. Que dar mama é que é bom. Disse a enfermeira, disse a médica de família, disseram os sabichões de serviço, mas eu não estava bem com isso. Nessa noite não dormi. O meu filho está a passar fome, tenho a certeza, era o pensamento que me pairava na cabeça.

 

Esperei pela manhã, e liguei à pediatra. Outra vez a mesma conversa, que era normal, que não tinha nada de mal ganhar pouco peso, que era um menino saudável, blá blá blá, mas pronto, se a mãe se sentir melhor com isso, faça assim: tire leite com a bomba e no fim de ele mamar experimente dar-lhe com o biberão, para ver se ainda tem fome. Dito e feito, e claro, a criança estava faminta. Mamou o biberão, e mamava mais se houvesse.

 

Voltei a ligar: vamos começar a dar suplemento imediatamente.

 

É por situações destas que fico frustrada com a obsessão pela amamentação. Com esta brincadeira, o meu filho esteve a passar fome semanas. Era mesmo necessário? Eu não sei se o meu leite era fraco, ou era pouco, ou o que raio se passou. Mas para quê insistir em algo que não está a ser benéfico para a criança? Se eu não tivesse insistido que algo não estava bem, todos os profissionais de saúde que nos acompanham teriam deixado passar esta situação.

 

Começamos a suplementação com leite artificial aos quatro meses e meio, e o monstrinho atirou-se ao biberão como se não houvesse amanhã. Continuei a amamentar - primeiro mama, depois biberão, até ao dia em que decidi parar. Assim, sem floreados: aos cinco meses e meio, escolhi parar.

 

Não o fiz de ânimo leve. Amamentar estava a ser uma tortura para ambos. Chegava a hora de comer, ele cheio de fome, mamava dois ou três minutos, forçado, entre lágrimas e gritos. Para quê?! Falei com a pediatra, expliquei a situação e concordamos que era melhor parar. É claro que me senti culpada, nostálgica, falhada, má mãe. Mas ultrapassei. O meu filho bebe leite artificial. E não há mal nenhum nisso.

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Acho tão giro

por Mia, em 08.02.18

Não sei o que estou a fazer. Ora agasalho demasiado o puto, ora tem roupa a menos. Arranhou-se na cara porque sou uma incompetente a cortar as unhas. Tem sempre fome. Tem sempre sono. Chora quando acaba de acordar e mil pessoas o sufocam? Culpa minha. Tenho a mania que sei tudo. Tenho a mania das modernices, como usar compressas para limpar o rabo, dar-lhe banho num balde, não usar talco, não lhe dar chá, usar produtos de uma marca específica. Leio demasiados livros e faço demasiadas pesquisas. Não deixo que o abanem, chateio-me se andam sempre com ele no colo. Obrigo as pessoas a lavar as mãos antes de lhe pegar, e não deixo que lhe dêem beijos nas mãos. Não falo baixo nem deixo de fazer barulho durante o dia, e incentivo a que ele faça sestas nessas condições. Sou uma péssima mãe. Mas depois é ouvi-los dizer à boca cheia: "o meu" menino é tão bem disposto; é tão saudável, nunca ficou doente; tem uma pele tão limpinha; tem boas rotinas; dorme a noite toda; nunca vi um bebé assim; está tão gordinho; é tão cheiroso; tem um ar tão feliz. Sou uma mãe terrível, e ainda assim, sendo eu sozinha responsável por uma boa percentagem da educação desta criança, parece que as coisas correm bem. Imagino se fosse uma boa mãe.

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Monstrinho foi à natação

por Mia, em 07.02.18

A pediatra autorizou a partir dos três meses, mas queríamos esperar até aos seis e até começar a primavera para dar início, no entanto comecei a fazer pesquisa na semana passada. Queria uma piscina sem cloro, por causa da pele e coisa e tal, e aqui na zona só havia um ginásio com outro tipo de tratamento de água. Fomos então saber condições. 30€ por mês, pareceu-me excessivo mas consideraria, só que depois veio o extra: claro que um dos pais teria que se inscrever também no ginásio, porque vão usar a nossa piscina e tomar cá banho, ora então acresce a módica quantia de 60€, perfazendo um total de 90€ para o menino ir nadar em águas sem cloro. Quatro vezes por mês.

 

Abusivo.

 

Lembramo-nos então que aqui a 2 minutos de casa há piscinas municipais. Fomos perguntar, e a diferença de preços era brutal - 18€/mês, e vai na mesma um de nós com ele para a água. No entanto, disseram-nos que não o inscrevêssemos. Que não ia gostar. Que não ia aguentar a aula. Que era muito pequeno. Que era asneira colocá-lo numa piscina tão novo. Convidaram-nos a experimentar uma vez, e decidir depois se continuavamos ou não, e assim fizemos.

 

Antes de continuar, explico-vos que não decidi por o menino na natação só porque sim. Em primeiro lugar, porque temos uma piscina em casa. E com toda a vigilância, com toda a segurança, com todas as barreiras, basta um momento de distracção que os acidentes acontecem. Em segundo lugar, achei que ele estava preparado. Sim, tem só seis meses. Mas é um menino activo, grande, com muita força muscular. É uma criança que está bem em todo o lado, muito curioso, que não se aborrece com facilidade, e que adora água desde que nasceu. Achei que ele ia delirar com a piscina, senti que era o momento certo, e não me enganei.

 

No sábado lá fomos nós, de fralda impermeável, com os calções de banho mais fofos e uma mini touca. Caguei nos tampões de ouvidos porque não lhos consegui enfiar. Ao entrar na água estranhou, mas 10 segundos depois já estava a chapinhar. Foi ao colo do professor, que o ajudou a boiar, na maior. Brincou com uma menina que lá estava, com os brinquedos da água, e até nadou ao colo de outra mãe. Ficamos imenso tempo os dois na água, ele encostadinho a mim enquanto o deslizava pela água, parecia que estava num spa. Vê-lo tão relaxado fez-me sentir que tomei a decisão certa. O professor explicou-nos que ele não aprenderá a nadar tão cedo, claro, mas o objectivo é que não tenha medo de água. Saímos da aula 10 minutos antes do fim, por recomendação do professor, mas acho que se dependesse do monstrinho ainda lá estávamos.

 

No final, a parte mais complicada: sair da água e tratar dele e de mim em toda a confusão que é um balneário, sem o pai para ajudar. Felizmente as outras mães foram impecáveis e todas deram uma mãozinha, e a coisa compôs-se. Quando o pus no ovo ele estava tão cansado e tão relaxado que aterrou imediatamente! Agora estamos a vigiar se a pele faz alguma reacção ao cloro, mas até ao momento tudo pacífico. Fiz a inscrição, e a partir de agora vamos começar com a natação "a sério".

 

Mães dos blogs, e vocês? Já se meteram nesta aventura?

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Ao primeiro raio de sol, o homem sai-me de casa de mangueira em punho, tira os resguardos da mobília de jardim e limpa tudo para "começarmos a tomar o pequeno almoço lá fora". No dia seguinte estava a chover.

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publicado às 15:21

Não condeno quem viva de um blog, não contesto que façam publicidade. A diferença está entre dizer: recebi esta mala em casa e adorei, ou a marca X convidou-me a experimentar o produto Y e é a ultima maravilha do universo, ou, por outro lado, eh pa descobri agora que toda a minha família é intolerante à lactose, mas por sorte a mimosa lançou este leite sem lactose que é top - e depois escrever em letrinhas pequeninas que o post é patrocinado, ou nem escrever, who cares. É a diferença entre o leitor saber, à cabeça, que está a ler um post publicitário, ou tentar indromina-lo com uma ladainha inventada com o único propósito de vender. É a diferença entre respeito, e a falta dele.

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6 meses depois: a mãe

por Mia, em 04.02.18

A mãe está feliz. Nunca fui tão feliz como neste momento. Ser mãe é tudo o que eu imaginava, e mais um pouco. Sim, eu sei, estar em casa ajuda, não ter grandes problemas neste momento ajuda, ter um bebé fácil ajuda. Tenho noção disso, e valorizo a minha sorte todos os dias. Todinhos.

 

Tenho cada vez mais confiança na mãe que sou, e acho que isso se reflete bem no meu filho. Acredito que, em parte, o facto de ele ser uma criança calma e feliz é minha responsabilidade. O resto é sorte, não sei se já disse.

 

A Mia mulher também está diferente. Já aqui tinha falado sobre isso: gosto mais do meu corpo desde que fui mãe. De repente, não me incomoda aquele pneuzinho, ou o pêlo que escapou à depilação. Não deixo de entrar nas fotos porque me sinto gorda. Aliás, não me sinto gorda - mas estou. Já não me visto só de preto nem compro tudo em tamanho L para esconder o corpo. Estou feliz e isso nota-se na minha imagem: dizem-me que estou mais luminosa, e sei que é verdade.

 

Mas gostar de mim não é sinónimo de desleixo! Pelo contrário. Inscrevi-me num ginásio e estou a fazer dieta, seguida por uma nutricionista. Deixo o monstrinho com o pai e faço pilates duas vezes por semana, e surpresa! As minhas dores de costas quase desapareceram. Pela primeira vez na minha vida, estou a fazer as coisas com calma. Não quero perder peso para ontem, não quero planos de treino mirabolantes nem dietas restritas que não vou cumprir. Vamos andando devagarinho, os resultados vão aparecendo, e eu estou bem com isso.

 

Então e o casal? Nunca estivemos tão bem. Falamos muito, fizemos cedências de parte a parte, e conseguimos ultrapassar o afastamento inicial. Sinto que não reencontramos o nosso equilíbrio, mas criamos um novo, melhorado. Temos uma nova dinâmica, somos três agora, mas continuamos a ser um casal. Ter tirado férias no mês de licença dele ajudou a fortalecer o que já estava bom. Foi um mês de namoro a três, e foi maravilhoso. Fosse eu milionária e fazia disto vida. Ele também está mais confiante no papel de pai e isso desarma-me. Derrete-me o coração vê-los juntos, conseguiria passar horas nisso.

 

Confesso que estou surpreendida, e, porque não dizê-lo, orgulhosa da pessoa que sou neste momento. Não me imaginava tão calma, e com a vida tão controlada como está neste momento. Sou feliz.

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6 meses depois: o bebé

por Mia, em 04.02.18

MEIO ANO. Que loucura, parece que foi ontem.

 

Pequeno monstrinho é um bebé feliz. Não há outra forma de o descrever. Sempre risonho, sempre bem disposto. Sorri para estranhos, sorri ao acordar, gargalha com a maior facilidade. É um gosto conviver com esta criança.

Continua a ser um bebé muito calmo e tranquilo. Faz as suas sestas durante o dia e dorme bem à noite. Vamos tentar mudá-lo de quarto hoje, e ver como corre. Já praticamente não mama. Iniciou a alimentação diversificada, e adora tudo o que come, seja sopa - sem sal, blhéc - fruta, papa ou iogurte. Agora que já sabe engolir direitinho, come num instante e sem fazer grande chavascal. A mãe e o pai agradecem. Descobriu que os gatos existem e é o delírio quando os vê: abana braços e pernas e faz barulhinhos. Falando em barulhinhos, não se cala! Está sempre a palrar, nada com sentido, claro, mas tem piada vê-lo a explorar os sons que consegue fazer. Descobriu que tem pés e agora estão sempre na boca. Se tiver sapatos, não descansa enquanto não os tirar e puser os pés na boca. Aliás, tudo o que agarra vai directo para a boca. Não há nem sinal de dentes, por enquanto. Teve a primeira virose aos cinco meses e meio: uma pequena constipação que curou em poucos dias, nada de grave. Senta-se muito bem com apoio, e mais ou menos sem - volta e meia ainda cai. Faz força para se sentar sozinho, tem cada vez menos paciência para estar deitado, e adora por-se de pê. Quando em pé, começa a dar uns passinhos, mas tentamos não incentivar isso porque ainda não tem força suficiente nas pernas. Adora o banho e já brinca com a sua baleiazinha quando vai para a banheira. Tenta dar beijinhos, mas é tão desajeitado que acaba, invariavelmente, por nos comer a cara. Agarra tudo, brinca imenso, carrega em botões, roda as pecinhas de rodar, puxa as alavancas que são de puxar. Está sempre atento a tudo, se estivermos na rua parece um catavento, sempre a querer apanhar tudo o que passa à volta dele. Se estivermos num sítio com pessoas a passar, sorri para cada uma delas. Começa a reclamar quando lhe tiram os brinquedos ou quando não lhe dão o que quer. Quando tem fome, reclama entre colheradas de sopa. Já olha quando o chamamos, apesar de não responder a um nome em específico - mea culpa, chamo-lhe mil coisas diferentes. Se me esconder e depois aparecer, gargalha todas as vezes - dantes se me escondia ele passava a dar atenção a outra coisa qualquer. O homem diz que nos saiu o jackpot, e eu concordo, é um bebé mesmo bom, nem acredito que tem meio ano!

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