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Ando zangada

por Mia, em 26.12.18

Tenho andado sem tempo para o blog, mas cá andava, depositando pensamentos mais ou menos profundos em post-its electrónicos que um dia passaria para aqui. Depois um belo dia fui ver e tinham-se sumido todos. Fiquei piursa, raisparta a tecnologia, não quis escrever mais, nunca mais, numa birra de criança a quem negaram o brinquedo que tanto queria.


Estou zangada porque o natal não é o que era, a família anda toda de candeias às avessas, a magia sumiu-se, e eu perco-me no meio das confusões, num emaranhado de dias estranhos e noites povoadas de sonhos sem sentido - ou com mais sentido do que gostaria de admitir, e não digam a ninguém mas se acabam as putas das festas nem acredito, só quero dias 'normais' de volta.


Ando triste e não sei porquê, numa espécie de TPM que dura há uns bons quinze dias e me faz esquecer que ainda ontem estava tão contente com a minha vida, o novo trabalho, o casamento que aí vem, o meu filho - hei de vos contar como anda este monstrinho que é adorável mas já começa a ter personalidade, e raios me partam se ele não tem o feitiozinho da mãe, ri-se o karma.


E falando em TPM, na última semana fiz dois testes de gravidez à conta de um atraso que não foi atraso nenhum mas sim uma ausência total, e um feeling de que algo de errado se passa comigo. Não consigo afastar esta ideia, é o cansaço, má disposição, as alterações hormonais, os ouvidos que tapam, a cabeça que doi, as tonturas - contei-vos do dia em que desmaiei? - as mãos que tremem, os dentes que doem, a garganta, as amígdalas, os olhos, e sei lá o que mais, e não, não estou grávida, e sim, tenho uma bateria de consultas agendadas e uma preocupação sem fim e aquele sentimento manhoso que me assombra e me fez ter dois ataques de ansiedade nos últimos dias, e pensar constantemente que é agora, que se calhar não vale a pena planear o amanhã porque ele pode não existir.


E o cansaço? O cansaço de noites mal dormidas, de uma criança que deixou de adormecer sozinha e comer em condições porque ora são dentes (cinco ao mesmo tempo, senhores, cinco!), ora é a puta da febre aftosa ou pés mãos boca, ou lá o que é que me deixou o miúdo num sofrimento sem fim - um grande obrigada aquela mãe que levou a criança contagiosa para o colégio porque era dia da fotografia, e Deus nos livre de faltar ao dia da fotografia, que se foda o resto do mundo.


Para não falar no casamento, oh esse dia tão bonito que devia ser sobre nós e celebrar o amor, mas vai-se a ver e é só mais uma merda de um malabarismo de egos, já não aguento a sogra a ligar dia sim dia sim porque TEMOS que dar o trabalho de fotógrafo ao cunhado mesmo não querendo, a tia que não quer sentar ao lado do tio, o pai que não se dá com a mãe, as opiniões que não pedimos de todos sobre tudo, e eu que tenho vontade é de mandar tudo pro caralho, agarrar no homem e no puto e ir casar à Cochinchina e ninguém mete o nariz e pronto, fim de conversa.


Estou cansada, triste, preocupada, zangada com o mundo. E ainda por cima é 26 de Dezembro e estou a trabalhar.

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