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E não estou contente com isso.

 

 

Parece confuso?

 

 

É aquela palavrinha ali que me faz espécie, "electiva". Que diz que "escolhi" fazer uma cesariana, que me faz sentir mais fraca, menos capaz, de alguma forma menos digna.

 

 

Não sou de fanatismos: já aqui disse que queria um parto natural, pelas vantagens comprovadas, mas se tivesse que fazer uma cesariana aceitaria pacificamente. Mas não "tive que". Foi-me recomendado que o fizesse, devido ao peso da criança e à perspectiva de um parto complicado, mas em ultima instância a decisão foi minha, nossa, e decidimos os dois que não valia a pena correr o risco. Decidimos que o bebé, eu, e a nossa família somos a prioridade.

 

 

Então porque me sinto assim? Porque sinto que estou a falhar? Porque é que tenho vergonha da minha opção, como se escolher evitar um parto traumático fosse uma coisa terrível?

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Overly attached uterus

por Mia, em 27.07.17

38 semanas hoje, e não há meio de esta criança sair daqui...

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De repente, todas as grávidas que me faziam companhia já tiveram as suas crias, e eu continuo aqui, à espera...

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Ora entao foda-se.

por Mia, em 26.07.17

Tenho estrias. Já falei aqui disso, e sei bem que fiz asneira no início da gravidez, mas foi agora, no final, que elas resolveram aparecer. E não é uma ou duas, daquelas que toda a gente tem e com as quais se vive (relativamente) bem.

 

Nada disso.

 

São pretas/vermelhas. Grandes, gigantes. Sei que não ajuda ter um bebé pesado que deu a volta muito cedo. Sei que a barriga caiu com o peso, e nota-se bem que a pele esticou até partir. Vê-se bem onde está o peso acumulado, e tenho o baixo ventre todo marcado, mas fogo. Eu pus creme todos os dias. Eu pus óleo, eu usei a porra da cinta para ajudar com o peso. E agora??

 

Tenho aplicado um sérum corrector, dizem que ainda é possível minimizar os danos enquanto estiverem assim vermelhas, mas será mesmo? E vocês, o que acham/recomendam? Se conhecem algum remédio infalível, agora seria uma boa altura para o partilhar com esta alma desesperada.

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Cada um a puxar para o seu lado, num excitex louco de quem quer que o puto nasça no seu dia. Eu? Eu gostava muito que o meu filho tivesse um dia só dele...

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Oscilar entre o "tirem-me o puto daqui JÁ" e o "vou ter taaaaantas saudades de o sentir a mexer aqui dentro da barriga".

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Comprei um fato de banho de grávida nos saldos de inverno, mas o que falta para concluir a piscina está a demorar tanto tempo que, se tiver que apostar, tenho a criança ainda antes de o poder estrear.

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Gravidez não é doença.

 

E eu ia ser a prova viva disso. Não ia engordar muito. Não me iam inchar os pés nem as mãos. Iria trabalhar até quase ao final. Não me ia queixar das dores. Não ia tirar fotos à barriga. Não ia andar à pato. O cérebro de grávida não me ia afectar.

 

 

Ah ah ah. Sou tão engraçada, a pensar que controlo alguma coisa, não é?

 

 

A minha barriga cresceu tanto neste ultimo mês que já é recorrente ouvir o típico "tens a certeza que não são gémeos?" ou "estás prestes a explodir". Já estou de baixa há quase dois meses. Tiro fotos à minha barriga quase todos os dias - ainda que não as poste em lado nenhum, valha-me nossa senhora do bom senso. Larguei todos os anéis há meses, e desde a semana passada que os meus tornozelos não existem e os meus pés estão de um tamanho astronómico. Toda eu sou queixumes e gemidos, e quando tenho a bexiga cheia pareço uma pata choca. O meu cérebro virou pudim. Toma lá que é para aprenderes.

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Toda a vida tive medo de um parto natural e achei que a cesariana seria a saída fácil e segura. Até engravidar.

 

Não que tenha perdido o medo, longe disso. Mas toda a literatura e opiniões com que somos bombardeados descreve a cesariana como o demónio. És menos mulher, menos mãe, estás a colocar-te e à criança em risco desnecessário se optares por isso. Assim como acontece com o polémico tema da amamentação, ninguém se precave para aquelas situações em que não há alternativa, vai tudo a eito e se fazes isso não prestas.

 

 

Tudo bem.

 

 

Mentalizei-me que teria um parto natural, e mais importante: que era isso que queria. Li tudo o que havia para ler, planeei - tanto quanto se pode planear uma coisa tão imprevisível - em conjunto com a obstetra, definimos plano de parto, tudo a postos. Malas feitas, hospital escolhido, criança bem encaixada de cabeça para baixo, e... 3,5kg de peso estimado às 36 semanas, sem sinal de que o parto esteja eminente. "Estas coisas mudam do dia para a noite", diz a médica. Sei que sim. Sei que hoje ele pode não estar com vontade e amanhã pode decidir nascer. Mas e se não decidir? Ninguém no seu juízo perfeito provoca um parto antes das 38 semanas sem que haja um motivo clínico forte, e ser um bebé gordinho não o é. E a este ritmo, às 38 semanas já o monstrinho terá chegado aos 4 kg, sendo que nesse momento o parto natural deixa de ser uma opção.

 

 

E agora?

 

 

Agora tenho vontade de pegar em todos os livros de gravidez que li e fazer uma fogueirinha das boas. Agora tenho a cabeça cheia de lugares comuns e ideias preconcebidas sobre o fim do mundo que é fazer uma cesariana. Agora estou aqui morta de medo e sem saber para onde me virar. Pois então obrigadinha por nada, sim?

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Conversa de circunstância

por Mia, em 14.07.17

- Então, já está quase não?

- Sim, sim.

- É para quando?

- A qualquer momento.

 

 

O pânico na cara das pessoas é qualquer coisa de impagável.

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Pergunto

por Mia, em 13.07.17

Como é que uma mãe de primeira viagem que não tenha outro acompanhamento além do providenciado pelo SNS está tranquila num momento destes?

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A médica de família encaminhou-me para o hospital público da minha zona às 32 semanas de gravidez, com a indicação de que o bebé estava a medir duas semanas além do tempo e poderia nascer umas boas semanas antes. A obstetra do privado diz que ele provavelmente quererá nascer lá para as 37. O hospital marcou-me a primeira consulta às 37 semanas e uns dias.

 

Quão estranho será se eu aparecer na consulta já com a criança nos braços?

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Ainda nas compras

por Mia, em 12.07.17

Levava comigo um saco de gomas. A menina da caixa olha para as gomas, olha para mim, e comenta: isto é que não devia comer, não era?

 

 

Sorrir e acenar, Mia, sorrir e acenar.

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Aquele estranho à vontade que as pessoas sentem para falar connosco sobre tudo e mais um par de botas. Ontem a menina da caixa do Continente descreveu-me, em detalhe, as alterações de corrimento que lhe aconteceram nos dias que antecederam o parto.

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Estarei rodeada de idiotas?

por Mia, em 10.07.17

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Sim, tenho barriga, estou grávida. Não, não podes tocar-lhe. Sim, tenho a certeza que é só um. Não, não vou explodir. Não, não me podes tirar fotografias, não sou um macaco no zoo. Como assim estou maior de semana para semana?! Choque. Não tens nada a ver com quanto engordei. Sim, sim, já sei, agora ocupo mais espaço. Não, não podes postar nas redes sociais essa foto que tiraste mesmo depois de eu dizer que não quero ser fotografada. Sim, gostava imenso de acumular horas de sono antes de o bebé nascer, mas isso não funciona assim. Ainda bem que me contaste que a prima da tua avó morreu no parto, adorei saber. Sim, ele é o pai (seriously?!). Se sei o que é? Estou a apostar tudo num pónei. Sim, sei muito bem o que posso ou não comer e em que quantidades. Apagas o caralho da foto que te proibi de tirar E de postar da merda das redes sociais sff???

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Fresca e fofa

por Mia, em 05.07.17

Quando idealizamos a casa, optamos por não colocar ar condicionado. Porque tem custos energéticos e de manutenção elevados, porque é mau para o ambiente, porque pode agravar problemas respiratórios, porque seca os olhos a quem - como eu - usa lentes de contacto, porque não me soava bem, porque vivi toda a vida sem ar condicionado e não havia de precisar dele agora, porque "quem tiver calor que se atire à piscina, ora essa!".

 

Investimos antes no aquecimento central - que sou uma pessoa friorenta - numa boa caldeira e painéis solares, mais ecológico e económico.

 

 

Mas depois chegou o verão. E eu estou gravidíssima.

 

 

Não estava a aguentar.

 

Esta casa vai ter excelente exposição solar - disseram eles. Pois vai. Sol o dia todo, puta que os pariu, 39º na rua e 29º dentro de casa, num forno que nem é  bom pensar. Comecei a alucinar. Deixei de dormir, deixei de estar bem fosse de que forma fosse, começamos os dois a panicar com a história da morte súbita e de como o calor pode ser prejudicial ao bebé. E decidimos voltar atrás.

Por precaução, tínhamos optado por deixar feita a pré-instalação do ar condicionado na casa toda. Entre tomar a decisão e avançar para a colocação, foi um instante, e sou agora uma pessoa muito mais feliz - e arejada. O ambiente que me perdoe.

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Aquela pessoa que mal conheces mas que te encurrala no meio da rua e te dá uma seca de 40 minutos enquanto disserta sobre como não deves dar ouvidos às opiniões dos outros, que todos têm a mania que sabem mais do que as mães, e ao mesmo tempo te vai deixando sábios conselhos sobre como deves educar o teu filho...

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...quando pessoas que vês frequentemente se começam a despedir com a frase "bem, se não nos virmos antes, desejo-te uma hora pequenina".

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Fala-se sobre o pós-parto, e eu finalmente percebo porque é que só começamos com as aulas na recta final da gravidez: porque é assustador.

 

 

Saímos da aula e o meu único pensamento era: parem o carro que eu quero sair.

 

 

E agora??

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Então e esse bebé?

por Mia, em 29.06.17

Ora, ainda bem que perguntam. Com 34 semanas de vida (pela contagem inicial), esta pequena lontra pesa quase 3kg, e a tendência é continuar a aumentar. Continua a medir mais de duas semanas à frente, e já é possível observar movimentos respiratórios, o que faz com que o bichinho tenha soluços todos os dias. Faz as caras mais fofas, deita a língua de fora e mexe aquelas bochechas gordas como se estivesse a comer. Tem uma cabeça enorme!

 

Eu? Eu estou em pânico, ora essa. O meu ganho de peso é neste momento inferior ao ganho dele, o que significa que esta lombriga não só rouba tudo que eu como, mas ainda me vai buscar as reservas - eu já desconfiava - e por isso nem há dieta que me valha, e isto vai mesmo acontecer: vou ter um bebé gigante. Como?? Pois. Quando descobrir conto-vos.

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