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No centro de saúde, a dar a primeira vacina, acompanhados de familiar. Não aguentei ver o menino a ser picado e saí da sala, mas assim que o ouvi berrar não consegui manter-me afastada e entrei de rompante. Uma pessoa com dois dedos de testa abriria alas para a mãe chegar à criança, certo? Esta não só não o fez como se enfiou à minha frente, pegando no meu filho, e impedindo-me de lhe chegar. Sabeis lá vós o milagre que é eu ainda não ter perdido a compostura. Sabeis lá.

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Mas.. mas... ele tem dois meses! DOIS. Dois mesinhos pequeninos. Que loucura...??

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E depois há aquela pessoa de idade que insiste que quer pegar no miúdo, mas não admite conselhos de ninguém. Não quer saber das nossas recomendações, não segue qualquer tipo de indicação, responde a tudo com "eu sei" ou "eu já peguei em muitos", enquanto ignora tranquilamente o que lhe pedimos. Pouco me importa se pegou em três milhões de crianças, nenhuma delas era minha, e no meu, garanto, não pega equilibrando-o nas palmas das mãos e sem suportar a cabeça. O que acontece a essas pessoas? Levam um Não redondo, quando dizem: passe-me o menino. Assim, a frio, sem sequer me dar ao trabalho de inventar desculpas, porque a paciência tem limites e a minha já foi esticada ao extremo.

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Chegamos a um aniversário de família, após a sessão fotográfica. Monstrinho tinha pouco mais de um mês, estava cansado e irrequieto de não ter dormido a tarde toda, e claramente a precisar de descansar. Mal entramos, pessoa abeira-se da alcofa e afasta a manta para pegar nele. O pai da criança diz-lhe que não pegue, que estamos a tentar que ele durma. Pessoa fica chateada mas afasta-se. Passado uns dez minutos, vem pedir-me se pode pegar no menino e volto a repetir o mesmo, salientando que ele tem mesmo que descansar porque senão vai entrar depois naquele estado de sobre-estimulação em que nem está bem acordado, nem consegue dormir. Tudo bem. Afasto-me para atender uma chamada deixando o menino acompanhado da dita pessoa, e, minutos depois, olho e vejo a alcofa a um canto, debaixo de uma janela. Tu queres ver que me deixaram o puto sozinho? Aproximo-me, não havia criança. Olho para o lado, está ao colo da dita pessoa, e já rodeado de gente, todos a falar alto e a mexer-lhe. Respiro fundo e vou procurar o homem - afinal de contas é a família dele - para que ponha ordem na pocilga, e eis que ele me diz: ela pediu se podia pegar e eu disse que sim. A ver se nos entendemos. Depois de ter levado duas negas, e de eu - mãe da criança - ter dito explicitamente que não menos de 3 minutos antes, ela vai nas minhas costas e, numa total atitude de desafio pela minha autoridade, pede ao pai?!?! Nunca aquela criança saiu tão rápido de um colo e de volta à alcofa.

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Aquela pessoa que, depois de saber do susto, liga e diz:

- Tens que o deixar vomitar.

 

Ah! Ainda bem que me avisa. Assim sendo vou já tirar a rolha que lhe tinha enfiado na boca, que tolice da minha parte.

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publicado às 07:20

E depois há aquele familiar chegado que revira os olhos a tudo o que digo - essas regras desnecessárias que as mães inventam quando ele sabe perfeitamente o que fazer e não precisa de conselhos para nada. Ora é porque eu insisto que não é para pegar porque o puto tem que dormir, ora é porque eu digo que lhe ponha uma manta antes de o tirar do berço - o puto tinha uma semana, pelo amor de Deus - ora é porque exijo a desinfecção das mãos depois de fumar (na verdade por mim não se aproximava do bebé num raio de 3 metros). Enfim. As minhas regras são mariquices e eu já tinha notado o revirar de olhos e o desagrado, mas este fim de semana passamos mesmo às boquinhas foleiras. Quando a esposa lhe passa o miúdo para os braços, atira com esta:

- E o livro de instruções? Tens aí o livro de instruções?

 

Fiz de conta que não ouvi - uma arte que tenho vindo a desenvolver desde que fui mãe, mas ele insiste, olhando para mim com ar de desafio e muito orgulhoso da sua boca rasca:

- Tens o livro de instruções?

 

*inspira*

*expira*

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Bebé tem estado com vómitos, pelo que é preciso ter particular atenção ao tempo que o deixamos arrotar, e garantir sempre que fica pelo menos 15 minutos ao alto, sem grandes abanicos, sossegadinho. Tinha visitas em casa, por isso depois de lhe dar de mamar resolvi ir arrotá-lo para a sala - não podendo andar ao colo de outros, ao menos viam o miúdo e já ficavam contentes, achava eu.

 

Grande erro.

Nunca aprendo, e sempre que tento ter alguma consideração ou dar um pequeno miminho às pessoas, sai-me furado.

 

Entro na sala e estende-se logo um par de braços para pegar nele. Disse que não, que ele estava na hora de arrotar e que precisava de estar sossegado. Pessoa desiste.

 

Dou mais dois passos, novo par de braços para agarrar o miúdo. Digo que não, blá blá blá que tem que arrotar, blá blá vómito, a pessoa ignora-me completamente e começa a retirar a fralda que tenho ao ombro e a pô-la no seu próprio ombro. Continuo: que o puto não pode ser abanado, que tem que estar um bocado sossegado, blá blá blá - pessoa arranca-me literalmente o miúdo dos braços e fica com ele ao colo.

 

Surreal.

 

O total desrespeito pelas minhas vontades enquanto mãe não deixa nunca de me surpreender. Não acho, nem pode ser normal. Tento não me chatear, não armar confusões, não comprar guerras com a família chegada porque é chato, porque não estão muito com ele - estão demasiado!!!! - mas um dia vai-me saltar a tampa. E aí não vai ser bonito.

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À quantidade de barbaridades que oiço e a que assisto, o simples acto de não responder e continuar a manter relações cordiais com a generalidade das pessoas é um verdadeiro milagre. Posto isto, inauguro aqui a rubrica: uma lamparina por dia nem sabe o bem que lhe faria, onde tenciono partilhar momentos particularmente parvos aos quais tenho sido sujeita. Pode ser que ajude a ver-me livre de alguma da raiva que tenho acumulada.

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Thank you captain obvious

por Mia, em 12.09.17

O meu filho tem um nome que é frequentemente abreviado. Da mesma forma que os Franciscos são Chicos, os Josés são Zés e as Margaridas são Guidas. Imaginemos, para efeitos deste post, que o monstrinho se chama José. Conseguem adivinhar quantas vezes este diálogo (ou equivalente) já se repetiu??

 

- Como se chama?

- José.

- Ah, que nome tão bonito. Sabes que vai de certeza ser conhecido por Zé...

 

83721784.jpg

 

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Aquela amiga que liga e:

por Mia, em 04.08.17

- Então, está quase! estás nervosa?

- Não.

- Deves estar com tanta ansiedade, não?

- Nem por isso, para já estou calma.

- Imagino, deves estar mesmo ansiosa.

- .... (dizer o quê?!)

- Tens passado bem?

- Sim, só ando com algumas insónias.

- Pois, é dos nervos, de certeza.

 

 

Pronto, então está bem.

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Embirrações

por Mia, em 03.08.17

Sabem aquelas pessoas que se referem aos seus filhos como "o meu Manel" ou "a minha Joaninha"? Sempre "o meu..." antes do nome da criança? Enervam-me. Muito. Mas mais do que isso, enerva-me quando fazem isso com o meu filho, e se referem a ele como "o meu X". Ainda hoje ouvi a frase: "ai nem acredito que dentro de dias vai nascer o meu X" e fiquei piursa, fico sempre. Como lhe explicar que o puto é meu e não dela?!

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"a tua barriga está imensamente descaída, isso está mesmo quase"

e

"ui, ainda demora, tens a barriga tão subida!"


Decidam-se.

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Bem sei que ando irritadiça q.b.

por Mia, em 03.08.17

Mas aquele comentário: "vi uma foto tua no sítio X!" ou "vi uma foto tua a fazer Y!", quando a foto em questão foi postada por mim numa rede social onde me segues porque eu deixo... é mesmo necessário? E sendo, é preciso fazê-lo sempre que eu posto alguma coisa? Pelo amor da santa, não me enervem.

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Conversa de circunstância

por Mia, em 14.07.17

- Então, já está quase não?

- Sim, sim.

- É para quando?

- A qualquer momento.

 

 

O pânico na cara das pessoas é qualquer coisa de impagável.

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Ainda nas compras

por Mia, em 12.07.17

Levava comigo um saco de gomas. A menina da caixa olha para as gomas, olha para mim, e comenta: isto é que não devia comer, não era?

 

 

Sorrir e acenar, Mia, sorrir e acenar.

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Então e a piscina?

por Mia, em 06.07.17

Pergunta recorrente com que me brindam quase todos os dias, às vezes várias vezes ao dia. E enerva-me. Tanto.

 

 

A partir do momento em que fazes uma casa que calha de ter uma piscina, nada mais importa e as pessoas perdem toda e qualquer noção de limites.

 

 

Estou ansiosa que a tua piscina fique pronta, diz aquela amiga afastada que nunca na vida te visitou. No próximo verão não saio da tua piscina, diz aquele primo que nem o teu segundo nome sabe. Este ano não vou de férias para lado nenhum, passo uns dias na tua casa - também já ouvi.

 

 

Acho curioso que, no inverno, quando nos mudamos, não vi tanta ansiedade em ajudar a carregar caixotes.

Nem nos primeiros tempos, quando a casa não tinha aquecimento, ou isolamento, ouvi  alguma dessas pessoas perguntar se estávamos confortáveis, se precisávamos de alguma coisa, sei lá, se nos podiam emprestar um aquecedor ou assim.

 

 

Ninguém teve vontade de nos visitar no inverno.

 

 

Mas de repente o tempo começa a aquecer e está tudo aflito com a piscina. Então e a piscina? Ainda não está pronta? O que falta? Quando vai ficar? As mesmas pessoas, em loop, recorrentemente.

 

 

Ide todos pró caralho.

 

 

A piscina não está pronta, porque nós decidimos assim, porque optamos por deixar o mais supérfluo para o fim e garantir primeiro coisas básicas como isolamento, saneamento, aquecimento, esses "detalhes". E sabem o que mais? Fizemos a melhor opção, mesmo que não agrade a muita gente.

 

 

Estou seriamente cansada disto e a um passo de começar a responder torto. Não quero amigos-andorinha, amigos sazonais que estão sempre cá enfiados quando é verão e depois no inverno partem para paragens mais quentes. Quero os meus amigos de sempre, que aparecem por cá mesmo que esteja a chover, e não me falham quando preciso.

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Mas depois tenho dias como ontem, em que vejo num restaurante uns pais em amena cavaqueira com os amigos enquanto o puto brinca com o extintor, tentando desactivar a patilha de segurança com as mãos e com a cara mesmo em frente à zona de saída do gás, e dou por mim a pensar: se estes idiotas conseguem manter uma criança viva, eu também hei de conseguir.

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