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Tenho. Nem vos consigo descrever quanto.

 

 

Uma amiga que teve um aborto espontâneo contou-me que, a coisa de que mais se arrepende na gravidez seguinte foi não ter aproveitado o momento. Que estava tão paralisada de medo que se recusava a falar sobre o assunto, a tirar fotografias, a contar que estava grávida, a fazer planos.

Isto ficou-me na cabeça.

 

 

Todos os dias tenho medo que as coisas corram mal, todos, sem excepção.

 

Quando expus a gravidez no blog, tive medo.

Quando anunciei no facebook, perante amigos, colegas e conhecidos, que estava grávida, tive medo.

Sempre que vejo alguém entusiasmar-se com o bebé, morro de medo.

Mas vai correr tudo bem. TEM que correr tudo bem, não é?

 

 

Não quero ser eu a dizer, daqui a uns meses, que não aproveitei o suficiente, que vivi retraída com medo.

 

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Ando assim

por Mia, em 13.03.17

Ora mal-humorada, derrotista, triste e deprimida sem motivo, ora estupidamente feliz só porque sim.

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02.12.2016

por Mia, em 08.02.17

Dia em que o meu filho nasceria. Acordo cedo, apesar de estar de férias. Não me sinto muito normal, não sei explicar. Tiro a temperatura, 36.8º, tão alta para mim e já há tantos dias. São da cama devagarinho para não o acordar. Contorno caixotes, tropeço em coisas aleatórias, tremo de frio, raios partam os homens da obra que nem o puto do aquecimento terminaram e já cá estamos há quase uma semana!

 

 

És uma mulher ou és um rato?, penso. Sou um rato, que pergunta. Mas só por hoje vou engolir o medo.

 

 

Entro na cozinha e começo a abrir caixas e caixinhas. Nada. Procuro nas da sala, nada. Entro na lavandaria. Parece impossível, ando há dias a tropeçar em loiça descartável e HOJE não a encontro? Vasculho desenfreadamente pelo meio dos caixotes, olha copos de champanhe descartáveis! Hão-de servir. Voo para a casa de banho. As mãos tremem-me quando mergulho a tirinha no copo. Uma risca. Ok, espera mais um pouco. Os três minutos parecem-me três horas, mas de repente lá está ela, a segunda risca, nem consigo acreditar!

 

Acalmo-me. É muito clara, se calhar não é verdade, diz a vozinha na minha cabeça. Não pode ser, racionalizo, não há falsos positivos.

 

 

Entro no quarto de rompante e acordo-o: acho que estou grávida.

Desperta de imediato, e senta-se na cama: o quê??

Explico. Peço-lhe que vá à farmácia comprar outro teste, e ele vai.

Sinto que demorou três dias, mas ele diz que foram 20 minutos.

 

Mais um xixi, mais uma voltinha, mais duas riscas.

 

Inspiro. Não sei se estou contente ou se estou em pânico.

 

Estou grávida.

 

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Bom fim de semana

por Mia, em 03.02.17

A tempestade desta noite fez-me doer a cabeça. Não sei se há uma explicação científica para isso ou se estou a inventar, mas acordei com a mioleira a estourar e vou culpar a tempestade.

 

Nem me importa se faço sentido.

 

Doí-me a cabeça desde que acordei e nem o ben-u-ron que enfiei goela abaixo me ajudou. Estou maldisposta e até ligeiramente enjoada, e só queria encostar-me um bocadinho.

Hoje está a ser um dia de cão, e nem o facto de ser sexta-feira está a ajudar a atenuar a neura.

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2017

por Mia, em 05.01.17

Não fiz resoluções. Não prometi perder peso, ser mais saudável, ser melhor profissional ou coisa que o valha. Pedi desejos, 12 pelas passas mais 30 por cada vela do meu bolo. Talvez não 42 desejos, mas quatro ou cinco, em loop.

 

Só quero que 2017 seja bom para mim e para os meus.

 

E já agora para vocês também.

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publicado às 11:19

Amanhã faço 30 anos.

por Mia, em 23.12.16

E cada vez mais concluo que a vida passa num fósforo.

 

A todos os que passam por aqui, que tenham um bom Natal!

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...

por Mia, em 22.11.16

Não sou uma pessoa sociável. Não vale a pena estar com falinhas mansas: não gosto de pessoas, no geral, não faço fretes, não promovo play dates, nem faço o mínimo esforço por me aproximar de quem quer que seja. Não é defeito, é feitio, acho que as coisas quando têm que ser são, muito naturalmente, não é necessário esforço. As minhas amizades mais próximas aconteceram todas assim. Não surpreendentemente, a grande maioria dos que me são próximos são "péssimas pessoas", mas com um grande coração, lealdade, amizade. Acho que não gabo o suficiente os meus amigos, mas foda-se, são do caralho.

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Os blogues também podem ser isto

por Mia, em 18.11.16

Se me dissessem que alguma vez iria conhecer pessoalmente uma pessoa da bloga, nunca, em mil anos, acreditaria. Mas depois, num dia mau, ela estendeu-me a mão e eu aproveitei. Não sei explicar exactamente o que me levou a fazê-lo, mas fui: agendamos um café, sem pensar muito na coisa, e de repente estávamos à conversa como se nos conhecêssemos há anos. Sem silêncios estranhos, sem meias palavras, tão natural que nem faz sentido.
Se tivesse que escolher a melhor coisa que este blogue me trouxe, diria, sem qualquer duvida, que foi ela: que saltou do pc para a vida a sério e que tantas vezes tem estado mais presente do que pessoas de anos. Caraças, há alturas em que é mesmo bom ter um blog.

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When life gives you lemons...

por Mia, em 17.11.16

Ultimamente ando MESMO especialista nessa coisa de ver o copo meio cheio.

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Goals

por Mia, em 21.10.16

Sleeping-Woman.jpg

 

Uma noite inteira.

Numa cama.

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Não vou ao ginásio há três semanas. Ando permanentemente com a testa contraída. Adormeço assim que me encosto a qualquer coisa. Não me lembro do que é jantar antes das 22h (em dias bons...). Sinto-me constantemente preocupada. Comi bolo três vezes na semana passada.

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Hoje é um deles

por Mia, em 12.10.16

Há dias que são uma colossal montanha de bosta, dias que nos fazem questionar tudo e mais um par de botas, dias em que nem lá fora o sol brilha, para não falar na tempestade que vai cá dentro.

 

Há dias que não são dias.

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Uma rapariga que conheço está grávida.

Não tem qualquer vocação para ser mãe, é egoísta, tem a mania, tem o rei na barriga. É burra como um cepo. Nunca quis muito ter filhos, não tem um emprego fixo, leva uma gravidez descuidada e sem preocupações, porque corre tudo bem.

 

Uma rapariga que conheço está grávida, e eu não.

Nem vos conto o quanto já chorei hoje.

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Com o tempo aceito-as, reergo-me, re-planeio. Com tempo.

Hoje está a ser um dia mesmo difícil, caraças.

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Wishful thinking

por Mia, em 02.09.16

Hello_September_Instagram.jpg

Adoro este mês.
Setembro é para mim sinónimo de recomeços. Talvez esteja ainda muito presa à ideia do regresso às aulas, mas continuo a achar que é agora que se inicia um ano novo.
Setembro é o mês de voltar ao trabalho ainda com a pele dourada. De começar uma nova agenda. De começar a preparar o Outono. De comprar roupa nova. De planear o Inverno que vem aí. De rever colegas.

Setembro é o momento de acalmar.



Este ano Setembro traz-me mais coisas boas, mais planos que se retomam, problemas que ficam resolvidos, o encaixotar de uma vida velha para começar de novo, num sítio novo, na casa que sonhamos, planeamos e desenhamos, e onde havemos de ser tão, tão felizes.


Decidi que este ano que começa (shhh, para mim começa agora), vai ser bom. E vai.

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É assim que me sinto.

Desde que perdi o bebé, muito pouco me interessa. Não me importa se é dia de trabalho ou fim de semana, se chove ou está sol, se fico em casa ou tenho algum programa mais interessante para fazer. Não quero saber, tudo me enerva, tudo me entedia.

Sei, se usar a cabeça, que não me posso deixar dominar por estes sentimentos. Que não me trazem nada de bom. Que não posso chorar sobre o leite derramado. Sei de cor todas as frases motivacionais, oiço todos os conselhos de algibeira que as pessoas vão partilhando comigo mesmo que eu não peça. Sei que a vida é mais que isto, que não é o fim do mundo, que podia estar muito pior. Que não morri, e não posso agir como se mais nada me importasse. E ainda assim, a razão perde para a emoção e eu sou só uma casca, sem alma, que aqui anda.

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O aborto, esse bicho papão

por Mia, em 15.06.16

Sei que este assunto já enjoa aqui pelo blog.
Nunca gostei muito das pessoas que se definem por aquilo que lhes acontece: eu tive um aborto mas sou mais do que a pessoa que perdeu um bebé. Eu continuo a ser a Mia, o aborto foi algo que me aconteceu e que, inevitavelmente, marcou a minha vida, mas eu sou mais do que uma má experiência. Feita esta pequena introdução, sinto a necessidade de, por mais um bocadinho, continuar a falar sobre o assunto. Prometo que não me demoro.

Desde o início da gravidez (ou até antes), somos formatadas para ter cautela. Não falar muito do assunto. Não contar a ninguém. Toda a grávida tem aquela meta das 12 semanas, altura em que já passou o pior, já "podemos" começar a contar (baixinho!) às pessoas mais próximas, já podemos respirar de alívio... mas será mesmo assim? Quantas mães acham, realmente, que vai acontecer alguma coisa má nessas primeiras 12 semanas? Toda a gente sabe que essas coisas só acontecem aos outros. Quantos casos de aborto conhecemos, na realidade? Há aquela amiga, aquela colega, a cunhada da prima... e pouco mais. Então, se pela nossa vida passam tantas grávidas, e apenas dois ou três casos de perda, não há de ser uma coisa normal, não há de nos acontecer a nós.


E depois acontece.


Não vou discorrer aqui sobre toda a misturada de sentimentos que uma mulher vive numa altura como esta, até porque não sei de todas as mulheres, sei de mim. Hoje vou falar de um pensamento específico, que me atormentou durante semanas: há qualquer coisa de errado comigo.

 

Despistadas todas as teorias sobre "onde é que eu errei" - em lado nenhum, era uma anomalia congénita, diz a vozinha sensata na minha cabeça - começam a soar os alarmes. Porque isto não é normal. Porque não acontece a mais ninguém. Porque para acontecer uma coisa destas, é porque algo está muito errado. Pode estar, claro que sim, não vou estar aqui com falinhas mansas.
O facto de sermos socialmente formatados para esconder um aborto, a meu ver, transforma-o num bicho estranho e assustador, cria uma aura de medo e pânico em torno de algo que, infelizmente, é normal.

 

Lia, há semanas, o testemunho de um pai que passou por uma situação semelhante, em que ele dizia qualquer coisa do género: quando perdes um familiar, um amigo, um cão, toda a gente sabe, as pessoas compadecem-se da tua situação, dão-te apoio e carinho. Quando perdes um bebé ninguém sabe, afinal, vais chorar publicamente a morte de uma pessoa que ainda não existia?
Este tabu, esta necessidade de esconder a situação, faz com que, aos olhos do mundo, ela nunca tivesse acontecido. Então, quando acontece connosco, sentimo-nos uma ave rara e, logicamente, algo só pode estar muito errado, porque "não é normal".


Esta ideia consumia-me. Andei semanas a martelar mentalmente no mesmo assunto: os médicos dizem que é comum, que acontece, que não é assim tão estranho... mas então porque é que não se ouve falar disso? Não sei se se nota, pelo que escrevo, que posso por vezes deixar-me absorver em demasia pelos meus pensamentos. E este andava em loop na minha cabeça. Um dia, resolvi fazer uma lista de pessoas que conhecia que tinham passado por um aborto. Contei 11. Onze pessoas das minhas relações já passaram pelo mesmo que eu, e dessas onze apenas duas não são, ainda, mães.

 

Se calhar não sou assim tão anormal.

Se calhar não é o fim do mundo.

Se calhar as coisas ainda podem correr bem.

 

Mas então, se é uma coisa assim tão comum, porque é que não se ouvem relatos daquelas pessoas famosas que nos entram pelos olhos todos os dias? Uma pesquisa de dois minutos deu-me uma lista de 50 celebridades que já tiveram um ou mais abortos. CINQUENTA!!

Assim de repente, contei 61 pessoas que já passaram por isto, e, de alguma forma isso trouxe-me conforto. Não me interpretem mal, não me consola saber que o mal que eu vivo já aconteceu a alguém, mas antes comprovar que, efectivamente, o aborto... acontece!

O aborto é uma coisa comum. Não acontece só aos outros. Sei que para algumas mulheres falar é bom, enquanto que outras se sentem melhor resguardando-se e guardando para si e para os seus. Mas noto que a sociedade nos condiciona a mostrar apenas o lado bonito da gravidez, e a esconder os "podres". E talvez, só talvez, falar mais sobre o assunto pudesse ser uma mudança positiva.

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Uma questão de perspectiva

por Mia, em 15.06.16

Preparava-me para fazer o balanço de meio do ano e declarar aqui, com toda a convicção, que 2016 já ganhou o prémio para ano mais merdoso de sempre. Depois pus a mão na consciência, e apercebi-me que no meio de tanto caos (e foi mesmo muito, vocês não têm noção), tudo acaba por se compor. As feridas saram e a pele regenera, pronta para o próximo embate, e, na verdade, não poderia tudo ter sido tão pior?

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*suspiro*

por Mia, em 14.06.16

... quando aquela ultima pessoa que sabia do bebé, mas a quem não te passou pela cabeça contar que o perdeste, te pergunta ingenuamente se ainda é segredo ou se já é do conhecimento geral que estás grávida.

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Passamos o dia a desinfestar a casa. Bichos desparasitados e trancados na varanda, tudo o que podia ir à máquina enfiado em sacos pretos para ser lavado a 40º, casa limpa, spray anti-pulga em todos os cantos, uma canseira. Não reclamou uma vez. Não se queixou do facto de eu ter trazido os animais para casa, sacanas que já o conquistaram e ele nem gostava de bichezas. Não insinuou que provavelmente foi esta minha mania de mexer em tudo o que é vadio, a causa da infestação. Fez o trabalho mais sujo, o mais pesado, e nem pestanejou.

Ao fim do dia fui ao pé dele e abracei-o, enquanto pensava na sorte que tenho por ele existir. Nesse exacto momento, ele diz-me ao ouvido: "ao menos temo-nos um ao outro".

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