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O romance foi o que fodeu isto tudo. A vida era boa, eu estava feliz, os passarinhos cantavam e o sol brilhava. Ou assim parecia na minha cabeça.

 

Desde o primeiro mês após o parto que tomo a pílula de amamentação. "Dra, mas isto é um contraceptivo como outro qualquer?" "É sim, não se preocupe". E não me preocupei, pois está claro. Monstrinho deixou de mamar ia eu no início de uma caixa, e decidi levar até ao fim, evidentemente. E depois um dia tive uma coisa que não interessa falar num blogue assim em bom como este, mas vá, chamemos-lhe um inconveniente intestinal, daqueles que cortam o efeito da pílula, mas quem é que pensa nessas merdas?

 

Passam uns dias, sei lá, uma semana e uns trocos, e estou eu em casa tranquilamente a ver fotos quando sinto aquela dorzinha básica no útero. Ora, contextualizemos: há duas coisas que me levam a sentir esse tipo de dor - ou estou naquela altura do mês, ou estou grávida. Oh que diabo. É que, não sei se vocês sabem, mas a pílula de amamentação inibe a menstruação.

 

Tudo a suster a respiração desse lado? Daqui também.

 

Passo então a tarde toda com dores - de útero e de alma. Mas que raio, na volta é algum desarranjo aqui por todas as alterações hormonais, sei lá eu. Ao fim do dia, uma ou duas gotinhas de sangue. Não sei se estão todos familiarizados com o conceito de sangramento de implantação, mas se não estão, ide procurar. Vá, eu espero.

 

Todos a bordo?

Daqui também, com o bónus de, neste momento, já termos uma Mia em pânico a pensar que se calhar há mais um a bordo e isso não estava mesmo nos planos.

Conto ao homem e instalo o caos, evidentemente. Dias de pânico, drama, horror. Ele, que dias antes tinha proferido a frase "se não fosse um risco para a tua saúde eu gostava de ter outro filho já", descobriu que afinal se calhar não gostava assim tanto que fosse já já. Eu, que andava com saudades da barriga e de um bebé pequenino, descobri que se calhar não eram assim tantas saudades que não pudessem esperar dois anitos.

 

Faz um teste, repetia ele incessantemente, mesmo que lhe tenha explicado 2573 vezes que mesmo se estivesse grávida, era muito cedo para um teste dar positivo.

 

Daí a uns dias tinha consulta de rotina na ginecologista, pensamos então esperar até lá. Entretanto, dias de pânico, não sei se já disse. É que entre o parto e a amamentação, eu recuperei o poder sobre o meu corpo há cinco minutos, e já vem outro pequeno ditador tomar posse?? E vocês já pensaram bem na logística de ter duas crianças com um ano e pouco de diferença?! Compram-se dois trocadores? Dois carrinhos? E partilham quarto, ou nem por isso? Ai valha-me Deus o que fomos nós fazer.

 

Contei a uma amiga que só se ria e dizia: ai monstrinho que tu dás demasiado tempo livre aos teus pais. Muita piada.

 

Chegado o dia da consulta, claro, grávidas aos magotes na sala de espera. Começa-me a dar aquela nostalgia. Começo a pensar que se calhar nem é assim tão dramático.

Entro no consultório e começo a explicar a historinha  toda. A cada nova coisa que eu dizia, a Dra. fazia aquela cara de "estás tão fodida". Explicou-me que seria melhor fazer exame de sangue, porque a ecografia tão cedo poderia não ser conclusiva, mas teria de esperar até ao fim do dia pelos resultados.

 

Tudo bem. Mais uma picadela, mais uma voltinha, e vai a Mia para casa aguardar pela chamada com o resultado enquanto pensa que se calhar até não é assim tão mau ter mais um monstrinho agora.

 

Três da tarde o telefone toca:

- estou, Mia? Boas notícias. Não está grávida.

- que bom, obrigada.

 

E agora estou aqui, um bocado triste, porque sei lá, sou parva.

 

 

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publicado às 01:43


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