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Não se atropelem, cabemos todas

por Mia, em 10.04.18

Tem dias em que esta coisa da maternidade parece uma corrida. Muita pressa para tudo, uma competição desmedida para ver qual macaquinho bebé faz a maior habilidade e em primeiro lugar. Não contem comigo para essas merdas.

 

Quando falo com uma outra mãe e conto qualquer coisa que o meu filho fez, estou genuinamente a querer partilhar uma coisa que é importante para mim. Foco no para mim, porque tenho perfeita noção que o facto de o meu filho ter aprendido a virar a chupeta ao contrário não é tão interessante para o resto do mundo como se poderia pensar. Mas, dizia eu, partilho porque quero partilhar. E não raras vezes a dita mãe (nenhuma específica, pode ser qualquer uma) atira-me com  uma habilidade do seu rebento que, claro, tem que ser muito melhor do que o que eu acabei de contar.

 

Sosseguem a passaroca.

 

Somos todas diferentes, os nossos filhos são todos diferentes. Uns são melhores numas coisas e outros noutras, algumas mães agem de determinada forma, e outras de outra, e isso não é giro? Porque não podemos apoiar-nos, em vez de entrar nesta competição desmedida?

 

Tenho aqui ao lado uma mãe de um bebé um mês e meio mais velho do que o meu. Falamos bastante sobre as nossas crias, partilhamos experiências, fotos e vídeos das gracinhas que eles fazem. Provavelmente não podíamos ser mais diferentes, logo desde os primórdios da gravidez: ela foi seguida no público e eu fui parir ao privado. Ela teve uma gravidez de risco e eu tive uma gravidez normalíssima. O meu filho nasceu de cesariana "electiva" e ela teve um parto natural. O filho dela tomou suplemento desde cedo, o meu mamou em exclusivo até aos quatro meses. Por outro lado o meu deixou a mama aos cinco e ela continua na luta. O meu filho é um badocha, o dela é todo fit. A minha criança vai já para a creche, a dela não. O meu filho dorme a noite toda desde que tem um mês e meio, esta desgraçada já não se lembra o que é dormir mais do que duas ou três horas seguidas. O filho dela diz mamã, olá e bate palminhas, e o meu nem tenta falar, e palminhas é quando lhe apetece. O meu filho dorme no quarto dele há dois meses, e ela partilha a cama com o dela. Ela não dá o tablet ao bebé, o meu leva com bonecos volta e meia quando está mais chato. Somos diferentes. Somos ambas boas mães, não tenho a menor dúvida disso, e mais importante do que isso: não nos atropelamos. Pelo contrário. Já perdi a conta às vezes que lhe enviei mensagens que começavam com: já alguma vez te aconteceu <inserir aqui qualquer dúvida existencial sobre bebés>? E fico genuínamente contente quando ela me conta/mostra uma nova habilidade deste bebé que acompanho desde que era ainda um projecto. Não era giro se pudéssemos interagir assim umas com as outras, sem apontar de dedos, sem competição, sem ódio?

 

Já vieram aqui apontar-me posts de outras mães que fazem qualquer coisa que eu critiquei aqui, e também já vi o meu blog mencionado noutros naquela de: olha-me esta puta que faz o oposto do que tu fazes. Caguem nisso.

 

As nossas escolhas, condicionadas ou não, são as que consideramos melhores para os nossos filhos, e nenhuma de nós é melhor ou pior por isso. E isto é assim com todas as mães. Nenhuma mãe toma uma decisão sobre a educação do seu filho enquanto pensa: vou fazer desta forma porque é uma merda e vai ser mau para ele. Fazemos o que sabemos e podemos. E se calhar estava na altura de deixarmos o ódio e a inveja um bocadinho de lado, aceitarmos as nossas diferenças, e aproveitar. Ou não estamos todas no mesmo barco?

 

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8 comentários

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De nervosomiudinho.blogs.sapo.pt a 10.04.2018 às 09:13

Opa tenho um post escrito na cabeça desde ontem e vou tentar agr em 5 minutos no telefone mas só para aparvalhar. Acho que as diferenças são salutares, se há coisas que não faço porque não calhou. Se ele fosse mais complicado para comer e descobrisse que o tablet era a única coisa que o acalmava era na hora. Whatever Works sem julgamentos. Não há mães perfeitas, e ainda bem. As que são perfeitinhas, não tenham dúvidas, estão a mentir. Todos temos prioridades e há sempre um campo onde facilitamos dentro dos nossos ideiais. E os ideais também mudam e não vem drama ao mundo. Os bebés são todos diferentes como nós somos pessoas diferentes e temos de reagir ao nosso bebé, podemos comparar para tirar ideias e tentar abordagens novas mas só isso. Gosto tanto de ver o teu bebé a crescer, já temos julgamentos que cheguem conscientes ou não de outras pessoas que já esqueceram de como é, fazer isso a alguém na altura em que estamos a passar pelas coisas é só parvo. O teu menino tem as bochechas mais fofas ❤️
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De Mia a 10.04.2018 às 13:51

"As que são perfeitinhas, não tenham dúvidas, estão a mentir." Já perdi a conta à quantidade de vezes que disse esta (ou variações) frase. Aquelas mães cujas crianças são boas em tudo? Lol. Não me façam rir.
Oh pá o teu diz mamã, enquanto o meu não fizer isso já sabes que estás a ganhar nesta nossa competição
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De Margarida a 10.04.2018 às 09:28

É por isso que eu (que nem sou mãe)gosto tanto deste blog :)
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De Mia a 10.04.2018 às 13:49

Beijinho, Margarida*
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De Chic'Ana a 10.04.2018 às 09:33

Cdaa mãe é uma mãe, cada bebé é um bebé. O certo e o errado? Cada coração de mãe saberá o que é melhor.
Cada um tem desenvolvimento diferente, cada um atinge etapas de forma diferente..
O importante? É terem um sorriso no rosto! O resto, tudo vem com o tempo =)
Beijinhos
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De Mia a 10.04.2018 às 13:48

Exacto. Por norma, cada mãe faz o melhor que sabe e o que pode. E nós até podemos julgar uma ou outra coisa (somos humanos), mas todas temos telhados de vidro e havemos de errar em algum momento.
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De Psicogata a 10.04.2018 às 12:02

Claro que não estamos no mesmo barco, e não é só em relação à maternidade mas em tudo.
Tudo serve para competir, estou convencida que com os filhos se elevam as coisas a outro patamar porque há muitas mães literalmente sem vida, que só vivem a dos filhos.
Não tenho filhos, se algum dia tiver recusar-me-ei a entrar nessa competição parva.
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De Mia a 10.04.2018 às 13:47

Pois não estamos, mas é uma pena. Também recuso. Comento, claro, as gracinhas do meu filho, e oiço as dos outros, e quando a coisa começa a entrar no nível da competição limito-me a ouvir. O meu filho não é um macaquinho a exibir truques.

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