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O parto - parte I

por Mia, em 29.08.17

Estava agendado, seria uma cesariana, e apesar de normalmente toda eu ser nervos, consegui manter-me relativamente calma até ao dia, tendo dormido bem na noite anterior e tudo. Estava cansada de estar grávida, ainda que não estivesse naquela ânsia de conhecer o pequeno. Tinha tempo.

 

 

No dia acordei e demorei o meu tempo a arranjar-me. Escolhi a roupa de saída do hospital, tirei as últimas fotografias à barriga, tiramos as últimas fotografias a dois, e acho que só aí os nervos começaram a atacar. Ele reclamou que eu estava a demorar muito tempo com as fotografias, e eu desabei a chorar, ainda em casa, sem que nada o fizesse prever. Só aí me apercebi que se calhar os nervos me iam atraiçoar.

 

Chegamos ao hospital um pouco depois da hora marcada. Zero contracções, zero dores, parecia uma visita social - só que não era. Fizemos a admissão e partimos para o bloco. Choraminguei quando a obstetra chegou e me abraçou, contente, e disse: é hoje! Choraminguei quando vestia a bata. Choraminguei enquanto dobrava a roupa e separava as primeiras roupinhas do bebé. Choraminguei quando me puseram o cateter no pulso... Enfim, acho que conseguem ter uma ideia do quão choramingas eu estava nesse dia. Ainda assim, não me sentia nervosa. Deitei-me, e partimos para o bloco.

 

 

Apesar de o pai poder assistir à cesariana no hospital que escolhemos, a epidural é apenas com a mãe, por isso levaram-no para se vestir para o parto e nesse momento fiquei sozinha pela primeira vez. A equipa médica era enorme e muito simpática, e estiveram sempre a conversar comigo e a tentar manter-me calma. A analgesista explicou-me, passo a passo, o que iria fazer, e foi-me guiando sobre que posição assumir para que a epidural fosse dada com sucesso. Senti dores, muitas dores, quando começou a apertar-me as costas e os flancos, mas mais dor ainda quando mencionou que eu estava "um bocadinho gordinha e era por isso que custava tanto a encontrar o sítio". Facada no meu coração. Senti dores variadas durante uns minutos. Percebi que algo não estava a correr bem,  mas a coisa acabou por avançar. Avisei que me sentia normal do lado direito e apenas um ligeiro formigueiro do lado esquerdo. Fez-se qualquer coisa. Fui dizendo o que sentia, mais daqui, menos dali, agora comichão, agora as pernas pesadas, agora sei lá eu, e de repente estavam a deitar-me e a preparar todo o estaminé para a cirurgia. De repente, uma onda de calor, nervos, e aquela sensação que conheço tão bem:

 

 

Vou desmaiar.

 

 

Avisei, e em menos de nada, estava de cabeça baixa e a receber oxigénio. Confirmei que estava bem, e quando dei conta já sentia que estavam a começar, mas... e o pai???? Paniquei um bocado, queres ver que me tiram a criança e ele nem está aqui ainda? Mas esteve. Sentaram-no ao meu lado, vinha com ar apreensivo. Passei o tempo todo a perguntar-lhe se estava bem, ele dizia que sim mas não enganava ninguém.

 

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publicado às 17:25


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