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O parto - parte II

por Mia, em 01.09.17

(primeira parte aqui)

 

Tinham-me avisado que seria muito rápido. A parteira tinha combinado com o pai que quando estivesse mesmo quase avisaria para ele fotografar o relógio, e em menos de nada lá vinha o aviso: pai, é agora! Não consigo descrever a emoção de saber que o meu filho ia nascer naquele instante. De repente não havia medo de nada.

 

Mas a coisa não estava fácil.

 

Toda eu abanava com o esforço que estava a ser feito para puxarem o bebé - sempre sem qualquer tipo de dor - e não acontecia nada. Olhei para ele e estava pálido. Perdi a conta ao número de vezes que perguntei "estás bem?" e ele dizia que sim, mas eu via-lhe a preocupação nos olhos. Naqueles segundos que pareceram horas, continuava o esforço e o bebé não queria sair. Vi a obstetra fazer sinal a uma das pessoas da equipa, e de repente tinha uma pessoa em cima de mim, a fazer pressão abaixo do peito para empurrar o bebé. Soube mais tarde que foi também necessário recorrer a uma ventosa porque a coisa estava mesmo difícil, e que o pai se apercebeu de tudo, daí o pânico. Mas nem tive percepção do que aconteceu.

 

 

Tenho quase a certeza que o mundo parou por um segundo quando o ouvi chorar pela primeira vez.

 

 

Não chorei, talvez porque o choro fosse uma emoção tão banal quando comparada com a grandiosidade desse momento, mas o que senti foi tão indescritível que não hei de conseguir nunca explicar.

 

 

Do lado de lá da barricada, ouvia-se: "que grande!", e "oh que nenuco!". Mas quando chegou ao pé de mim, a única coisa que consegui dizer foi: é tão pequenino. Encostaram-no à minha cara por uns segundos, e voltaram a levá-lo. Era preciso limpar, pesar, medir, vestir. O pai estava completamente abananado, de sorriso no rosto, e foi preciso dizer-lhe "vai com ele!" para que reagisse. E foi. Lá foram os meus dois homens, enquanto eu era cosida.

 

 

A pediatra voltou num instante e informou-me que estava tudo bem com o bebé, um rapagão de mais de 4kg com uma cabecita tão grande que "nunca na vida sairia por baixo". Acho que só aí senti validada a minha opção de fazer uma cesariana. Foi a melhor opção. Tomamos a melhor decisão, por todos.

 

 

Estava tão em paz, tão feliz, que até dormi um bocadinho.

 

 

Naquilo que me pareceu um instante, ouvi dizer do outro lado: Mia, já está, já vai para o recobro. Trouxeram-me o meu filho - o meu filho, que coisa tão incrível - e lá fomos, os três.

 

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publicado às 08:28


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