Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Tinha acabado de saber, e por isso aquela necessidade histérica de gritar ao mundo. Mas não se pode, diz que dá azar, que devemos ser contidos, que não podemos preocupar os outros com uma coisa que pode ainda correr tão mal, egoísmo nosso. Então escolhi postar no blog, escondida atrás do meu anonimato, porque eu não sou a Mia, a Mia é a pessoa que escreve aqui no blog, e quem me havia de reconhecer, não é? Oh que alegria, poder dizer aquelas palavrinhas "em voz alta".


Assim que publiquei arrependi-me. Ai meu Deus que ainda alguém descobre quem eu sou. Ai que nem sequer contei à minha mãe e espetei com a notícia na net, o que fui eu fazer? Apagar estava fora de questão. Então pensei que o melhor seria esperar mais uns tempos para voltar a falar sobre o assunto. Talvez não até às 12 semanas, uma eternidade, mas até aquela ecografia quase no fim das nove, aí já estaria mais segura.

O tempo foi passando, e eu fui sossegando. Escrevia posts que guardava em rascunhos, para mais tarde partilhar. Estava tudo a correr tão bem, porque haveria de falhar agora tão perto dessa meta que é o primeiro trimestre? Aos pouquinhos, fomos contando às pessoas mais próximas, porque afinal, se corresse mal não iríamos querer o apoio delas?

As nove semanas chegaram, e estava tudo pacífico. Melhor que pacífico aliás, imagine-se que até os enjoos me deram descanso. O peito não me doía tanto. Até já tinha conseguido voltar a dormir uma noite inteira, que maravilha! Havia uma vozinha cá dentro que me dizia que não estava certo, que não era suposto ser assim. Mas ao mesmo tempo muitas vozes cá fora diziam que não, que isso é stress de mãe de primeira viagem... e o que sei eu, na verdade? Nove semanas quase no fim, e a tão esperada ecografia era ontem. E não foi preciso a médica dizer nada para eu perceber o que se passava. O coração não batia, o bebé não mexia. Soube no segundo em que o vi, que tinha acabado ali.

Agora não sei como reagir, oscilo entre a apatia e a depressão, e às vezes passo pela raiva e dou um pulinho ao optimismo e penso que (também) isto vai passar, e que para a próxima correrá melhor.

Uma grande amiga que há uns tempos passou pelo mesmo disse-me, nesse dia: "Não é o fim do mundo. Mas é o fim do meu bebé."
Acho que nunca tinha compreendido verdadeiramente o significado dessas duas frases. Até ontem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15


2 comentários

Imagem de perfil

De Miss Fox a 17.05.2016 às 16:38

Lamento imenso, e acho que tens de fazer o luto à tua maneira. É uma situação difícil e só quem passa por isso a compreende...
Beijinho
Imagem de perfil

De Mia a 18.05.2016 às 12:18

Obrigada*

Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Oh, não gostaste do que escrevi?