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E então casamos - o dia

por Mia, em 24.08.20

Já aqui contei tantos pormenores que parece que falei sobre o dia todo. Mas ainda há mais um bocadinho.

Tínhamos decidido não dormir juntos nessa noite, mas mudamos os planos à ultima - porque sim. Acordamos juntos e eu fui ao cabeleireiro com uma das minhas damas de honor, enquanto ele ficou com o miúdo. Entretanto a minha mãe chegou e ele foi para casa do padrinho.

Cabelos tratados, e regressei a casa. Estava com o estômago embrulhado, apesar de não me sentir nervosa. Pus uma torrada a fazer, quando tocaram à campainha - era a menina com as flores. Demos dois dedos de conversa, trouxe o ramo, coroas e flor de lapela para o meu pai, e fui procurar espaço no frigorífico para as guardar. Entretanto queimei a torrada.

Chegou a maquilhadora - tinha-me ligado 50 vezes e eu nem tinha o telemóvel perto. Estava perdida e podia ter corrido tudo mal, mas correu tudo bem. Maquilhou a minha amiga, a minha mãe, e eu quis ficar para o final, para ir com a maquilhagem o mais 'fresca' possível.

Terminada a maquilhagem, hora de vestir. Pelo meio vesti o meu filho, fiz ondas na cabeça de uma das minhas meninas das flores. Vesti-me, e a minha madrinha de casamento chegou mesmo no momento de me apertar os mil e quinhentos botões das costas. Foram chegando mais pessoas - o meu pai e madrasta, cavalheiros de honra e damas de honor. Não fiz em casa aquela recepção tradicional nem recebi o fotógrafo, por opção. Em vez disso tinha comigo as pessoas essenciais para que o momento decorresse com calma. 

Tinha prometido ao Padre que não me atrasaria, e ele não acreditou em mim, por isso fiz questão de cumprir. A saída de casa foi, por isso, um pouco apressada e atribulada. Olhando para trás, hoje focaria mais em mim e menos em garantir que toda a gente estava bem. Mas lá fomos. A chegada à igreja foi um pouco stressante: não sabia se ia ter lugar de estacionamento, o Padre estava cá fora (tinha-me garantido que podíamos fazer a bênção do menino no altar e não à porta, para poder fazer a entrada tradicional de noiva, e nesse momento tive medo que se tivesse esquecido). Mas tudo se resolveu. Entrei, já um pouco nervosa. Ele estava de costas, porque o padrinho se esqueceu de lhe dizer que se virasse, mas rapidamente o fez. A entrada na igreja é qualquer coisa de mágico. Sentia o meu Pai a tremer enquanto caminhávamos. Vi os meus amigos, a minha família, quase todos os que são importantes para mim, e senti-me profundamente feliz. Quando cheguei até ele, cumprimentou-me com vários "uau!", e a dada altura tive mesmo que lhe sussurrar um "stop it!" que o homem não se calava!

 

A cerimónia foi magnífica. O Padre que escolhemos, amigo da família dele, deu um sermão leve e descontraído. Em muitas das fotos estamos a rir imenso, provavelmente em momentos como aquele em que ele disse ao meu marido que não sabia como é que ele tinha tido a sorte de ter sacado uma mulher assim, ou aquele outro momento em que o Padre mencionou "todos os homens que passaram pela vida da Mia", e por toda a igreja se ouviram risinhos - parvalhões. Nenhum de nós se enganou no nome do outro, ninguém interrompeu a missa para protestar contra o casório, e trocamos tranquilamente alianças.

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(sim, eu sei, as alianças 'normais' não são em ouro branco - mas: nosso casamento, nossas regras)

 

E o miúdo? Pequeno monstrinho foi exemplar do início ao fim. Aguentou a cerimónia tranquilamente, levou com água na cabecinha, e ainda adorou o momento em que o deixaram soprar a vela. Meu rico filho.

Saímos da igreja, levamos com 3kg de arroz e outro tanto de pétalas de oliveira, demos milhões de beijinhos. O fotógrafo foi-se embora logo após a saída da igreja, mesmo tendo eu pedido explicitamente para tirar uma foto com todos os convidados nos degraus - o meu avô só iria à igreja, e era a única foto que teria com ele. Felizmente, um dos convidados levava máquina e salvou o dia.

 

Fomos para a quinta no nosso carro, nada de coches, carruagens ou carros de corrida. Paramos ainda um pouco à entrada para o menino dormir, e seguimos com a festa. Já vos falei um pouco sobre o momento de corte do bolo de baptismo e largada de balões. De seguida, foi só festa. A comida tinha um ar divinal, e, diz quem comeu, que não era só o aspecto. Tinha jurado que ia provar tudo e não seria este cliché de noiva que mal come, mas guess what? É muita emoção, um dia cheio de actividades. Queria falar a todos, acompanhar o meu filho, participar em todos os momentos, mas sinto que o dia passou a voar e não fiz nada. Mas a festa foi bonita, oh se foi. Estava um belo dia de verão, que nos proporcionou uma festa ao por do sol. As pessoas estavam felizes, e nós também.

 

Entretanto, todos subiram para a sala de refeição, e nós fomos fazer a sessão fotográfica. Um aparte para vos contar que o fotógrafo foi a coisa que correu pior nesse dia. Um exibicionista prepotente que não cumpriu com nada do que pedimos. Pagamos a peso de ouro, prometeu entrega em dois meses e, quase um ano depois, ainda estamos à espera. Não foi minimamente cuidadoso com as fotos, falhou momentos chave, tratou mal alguns convidados. Não tenho uma única fotografia minha sozinha, temos pouquíssimas de casal sem ser no meio de actividades, e as que temos têm sempre qualquer coisa de estranho, como uma pose má, ou uma noiva com o ramo esquecido, ou caras esquisitas. Adiante. Fizemos a sessão, e tive que relembrar ao desgraçado que aquilo também era um baptizado, caso contrário não teríamos uma única foto com o menino. Ah, pormenor importante que me esqueci: dois dias antes o monstrinho ia a correr pelo corredor e escorregou, tendo batido com a bochecha na ombreira da porta... portanto tinha toda a bochecha negra, e passaram o dia a achar que alguém o tinha borrado com batom e a tentar limpar...

 

Mas bom, tiramos fotos, subimos para a sala, música, palmas, sorrisos e tal, muito giro. Deixem que vos diga que a organização da sala foi toda uma epopeia. Porque A não se dá com B, e B odeia C, e nós a gerir isso? Muito mais complexo do que parece. Optamos por cortar os nossos pais da nossa mesa (divórcios, padrastos, madrastas, sabem como é) e jantamos com os padrinhos de baptismo do miúdo. Pusemos cada pai/mãe numa mesa diferente e canto oposto. Afastamos os tios que não se dão. Dividimos os amigos em 3 mesas, os javardos, os que tinham miúdos e os que não conheciam mais ninguém. Primos e crianças foram para o lado mais próximo da porta, para poderem entrar e sair à vontade e estar resguardados do barulho da pista de dança. Avó calorenta debaixo do ar condicionado, avó que sofre com o a/c no canto oposto. Estão cansados de ler? Imaginem nós.

 

O jantar estava óptimo, ainda que não o tenha conseguido terminar. Os jogos foram uma animação, o brinde dos padrinhos foi emocionante. O momento do corte do bolo foi lindo, o fogo, a dança com os pais, foi tudo maravilhoso. O meu filho adormeceu a meio da noite, e ainda dormiu uma pequena sesta no cantinho. Tinha-o confiado à minha mãe e dama de honor, e, ao fim da noite, fui muda-lo e vestir-lhe o pijama para que o levassem para casa. Pouco tempo depois recebia uma mensagem a dizer "the eagle has landed", e começou a festa.

 

O barman, amoroso, não precisava que lhe dissesse nada. Bastava aproximar-me dele com o copo vazio, ou mencionar esse facto, que de imediato me aparecia um gin cor de rosa nas mãos. Passei a noite a beber gin e comer gomas - sou muito adulta - e dancei até não poder mais. Os nossos amigos mais antigos acompanharam-nos até às 7h da manhã, e quando saímos já estavam a começar a preparar a quinta para o casamento do dia seguinte. Dançamos, cantamos, foi uma noite tão memorável...não falemos da ressaca de dois dias que se seguiu.

 

Várias pessoas disseram que, para além de boa comida, havia uma energia fenomenal, que se sentia o amor no ar. E eu acho mesmo que sim. Que sortudos somos. Foi uma festa maravilhosa, e casava de novo amanhã.

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publicado às 08:15

E então casamos - a decoração

por Mia, em 21.08.20

Já vos disse que havia um board no pinterest. O que não vos contei foi que a nossa wedding planner pegou em tudo o que eu tinha sugerido, elevou ao infinito, e fez algo ainda melhor. 

Toda a decoração assentou no mesmo: simplicidade. Não queria brilhos, veludos, pedrarias ou castiçais gigantes.

Escolhemos casar na igreja onde os meus avós o fizeram há mais de 50 anos, igreja essa com uma decoração pesada e forte nos dourados, pelo que não havia grande margem para aventuras. Pedi velas brancas com fartura e flores em rosa claro e branco. Arranjos baixinhos, lanternas, e muitos verdes. Na véspera do casamento fomos com as decoradoras à igreja e foram lá deixados todos os materiais para decorarem na manhã seguinte. Quando lá chegaram, alguém se tinha esquecido de avisar que haveria um batizado a terminar mesmo na hora em que o meu casamento começava. É nestas alturas que agradecemos a existência de uma wedding planner, certo? Eu não soube disto até depois do casamento. Tudo foi tratado à velocidade da luz, arranjos a postos para entrar mal terminasse o baptizado, carrinho com águas à porta, cartões nos bancos, tudo como planeado. E quando cheguei, a igreja estava linda, e à minha espera.

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Ramos e flores decorativas: mais uma vez, tudo meio rústico, como eu pedi. Não queria nada muito 'forçado', arranjos simples e bonitos. A condizer com o meu ramo, uma flor para a lapela dele e outra para a do meu pai. O porta alianças levava flores iguais, e as meninas coroas também na mesma linha. Optei por ter apenas um ramo, não me fez sentido ter um para mim e outro para atirar.

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À chegada à quinta, optamos por fazer o corte do bolo de baptizado. Quando lá chegamos o menino dormia a sua sesta, e por isso ainda esperamos um pouco no carro. Depois saímos, brindamos com os convidados e procedemos ao corte do bolo do monstrinho. À nossa espera, um cantinho decorado para o efeito, e um pequeno bolo, cópia exacta do que eu tinha encontrado no pinterest e pedido.

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Seguiu-se uma pequena largada de balões. Rejeitei essa ideia para o corte do bolo de noiva por causa do impacto ambiental, não só do plástico mas também das luzinhas e pilhas. Mas depois para o momento de celebração do baptizado, deram-me a volta. Ainda assim, reduzi o número de balões para menos de metade. Cada um deles levava escrito um desejo - amor, saúde, alegria, felicidade, etc.

Toda a quinta estava decorada no mesmo estilo rustico-chique, e sempre na mesma linha. Os marcadores de mesa eram também aros de bordar - como o porta-alianças - com os nomes pendurados num pequeno laço cor de rosa. Na sala onde decorreu a refeição, escolhemos mais uma vez arranjos baixos para que as pessoas se pudessem ver, e claro, luzinhas por todo o lado. 

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Tirando o facto de as toalhas não serem as que eu escolhi - tinha optado por umas menos 'presunçosas', tudo o resto estava, para mim, perfeito. 

Por último, o corte do bolo. Foi debaixo de uma pérgula decorada com panos brancos e flores, atrás da qual surgiu depois uma cortina de fogo. O caminho até lá, ladeado por convidados com sparkles formava um corredor de luz. Sou a pessoa mais suspeita para falar disto, claro, mas estava tudo tão giro!

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E então casamos - as crianças

por Mia, em 19.08.20

E porque a festa não foi só nossa, alguns pormenores muito importantes :)

Pequeno monstrinho e meninas das flores vestiram estes conjuntos da amor com laço, com quem tratei de tudo à distância e correu às mil maravilhas, mesmo quando, a uma semana do casamento, me apercebi de que a roupa do pequeno tinha vindo no tamanho errado. Ainda assim, tudo se resolveu rapidamente e no dia não faltou nada.

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Os sapatos dele foram estes, e elas calçaram sabrinas brancas.

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Na cabeça as meninas levavam coroas de flores iguais ao meu ramo. Pequeno monstrinho levava um aro de bordar decorado com flores (também iguais ao ramo), e um laço que prendia as nossas alianças. 

Para o batizado, a vela foi personalizada pelos padrinhos, e utilizamos a concha e toalha que tinham sido do meu marido.

 

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Já toda a gente tinha perdido a esperança. Estamos noivos desde 2015, unidos de facto há uma porrada de anos. Eu refiro-me a ele como o meu marido e ele diz que tem uma esposa. Concebemos uma criança em pecado. Algum dia tinha que ser, não é verdade? Ontem estava aqui a pensar no assunto e lembrei-me de perguntar:

 

- Olha. 28 de Setembro de 2019. Casamos?

- Não me parece mal.

 

E pronto, decidimos. Só nos vai levar quatro anos desde o noivado ao casamento, parece razoável. Aproveitamos e baptizamos o miúdo ao mesmo tempo e fica já tudo tratadinho. Agora vou esquecer este assunto até ao fim do verão, e depois logo se vê.

 

 

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