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Cenas de um casamento #7

por Mia, em 12.04.19

Foda-se o caralho do padre, que se Deus existe há de arder no puto do inferno. Pronto, já disse.

 

Pois que para casar precisamos da autorização da paróquia onde residimos, apesar de não irmos casar lá, nem ser esse o pároco que vai celebrar o casamento. Pois que sua excelência o sr. padre lá da terra é pessoa muito ocupada, e tudo para ele é um "processo muito moroso", diz-nos, enquanto vai mencionando não tão ao de leve que temos que pagar mais isto e mais aquilo, naquela de: não só obrigados, mas é costume. E entretanto o processo arrasta-se desde Dezembro e ainda nem chegamos à parte de levar os papéis à arquidiocese, pois tá certo.

 

Na penúltima interacção lá foi o homem, munido de toda a paciência e boa vontade. E o sr padre tão ocupado, ui, que transtorno, que agora era preciso a noiva - aka eu - lá ir, e que tinha que preencher a autorização, mas tinha que ser com calma, e depois claro, teremos que pagar, que não é obrigatório mas "é costumeiro", sim sim, pois pois, ora voltem daqui a 15 dias.

 

15 dias depois foi ontem. Recebeu-nos de trombas, que não era um dia nada bom porque estamos na altura da páscoa e tem tanto para fazer - na volta vai ressuscitar Jesus Cristo, sei lá eu - "e ainda por cima trouxeram o miúdo e isto assim não dá jeito nenhum", ao que a pessoa responde semi-educadamente: "ora não queria que eu cá viesse? Ele ainda não fica sozinho em casa". E lá continuamos, a excelência a preencher na hora a declaração que queria preencher com calma em 15 dias, enquanto reclamava acerca de um bebé que chorava lá fora, que "as pessoas são horríveis, vêm para aqui com as crianças", e continua a preencher a declaração e o questionário com os nubentes, sem perguntar fosse o que fosse, que se foda se as declarações são verdadeiras ou falsas, vamos é despachar esta merda, pois ora bem, assinem aqui, então casamento e baptizado e direitos paroquiais, vocês vão pagar na arquidiocese mas coiso e tal a paróquia e a comunidade, noves fora passem pra cá 100€ fáxabor. E a pessoa está cansada pq foda-se, são cinco meses nesta merda, e diz que sim senhor, assalte-me lá à vontade sr padre, a ganância não é pecado nem nada, sa foda aquela cena de viver de forma modesta e assim, onde é que eu ia mesmo? Ah sim, ok, temos então que ir ao multibanco, digo, ao que levo com um "ai não vieram prevenidos? Então vão, eu fico aqui com isto até me trazerem o dinheiro, que já sei como é, ha muitos casais que dizem que vão e nunca mais cá voltam a trazer o dinheiro". E a pessoa vai, e entrega lá o caralho do dinheiro, porque afinal de contas estamos reféns deste tirano padre que tem o poder de decidir se podemos ou não casar, e pronto, assim se perdem três membros da comunidade que juro pelas alminhas nunca mais lá hei de por os cascos enquanto me lembrar deste filho da puta - e eu tenho memória de elefante.

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Cenas de um casamento #6

por Mia, em 27.03.19

E nem me façam falar da igreja. Todo o processo é tão moroso que se não fosse pelo baptizado do puto se calhar já tínhamos cancelado a cerimónia religiosa. É preciso ir à igreja onde vamos casar buscar a papelada. E depois à igreja da nossa freguesia. E depois ir a cada uma das igrejas onde fomos baptizados e fizemos a primeira comunhão. E depois voltar à da nossa freguesia. E depois à arquidiocese. E depois à igreja onde vamos casar. E algures no meio, cortar os pulsos.

 

E o padre garganeiro da nossa freguesia? Adoro. Primeiro chega num carrão que mete o meu num chinelo. Qual vida modesta qual quê. Reclamou que as pessoas fogem à igreja (pergunto-me porquê). Perguntou-me se o meu filho era doente por estar de óculos de sol. Disse mal da nossa casa e do sítio onde a tínhamos construído. Torceu o nariz porque escolhemos casar noutra igreja - pedido do meu avô, que gostava que eu casasse no mesmo sítio onde eles casaram. Depois queixou-se que o processo era muito complexo. Que tínhamos que pagar para ele tratar dos papéis. E mais uma multa porque não vamos casar lá. E mais um dia de salário de cada um de nós por cada ano que vivemos na freguesia. Em 3 interacções que tivemos, pediu-nos dinheiro 3 vezes. Posso estar desactualizada, não leio a bíblia vai para uns vinte anos, mas tenho quase a certeza que a ganância era pecado.

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Cenas de um casamento #5

por Mia, em 25.03.19

E os convidados? Era uma coisa pequenita, só familia directa e os amigos mais chegados, 100 pessoas no máximo. E de repente temos uma lista de 120 pessoas, que inclui pessoas que odeio e exclui outras de quem gosto bastante porque excedem o budget. Mas se odeias porque convidas? Poupem-me. A sério. Como se fosse viável não convidar uma prima e convidar a irmã. Ou excluir os amigos de faculdade do noivo. Ou como se cortar da lista a minha tia não fosse dar um desgosto ao avô. Tão dificil gerir as necessidades dos outros. Mas o dia é vosso! Uma ova.

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Cenas de um casamento #4

por Mia, em 21.03.19

A saga da entrega dos convites. Ou o inferno, já que é praticamente a mesma coisa. Soubésseis vós quantas vezes já me arrependi de não ter feito um convite online... Falta pouco mais de 5 meses, e tenho 13 de 60 convites por entregar. Parece-me um bom balanço. Juro que até ao final do mês termino. Acho.

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Cenas de um casamento #3

por Mia, em 28.01.19

Só se casa uma vez na vida, certo?

 

Pelo menos assim com toda a festa, igreja, the whole shebang. E se é para fazer, que seja bem feito. E assim sendo, na minha igreja haverá um violinista e um pianista, a tocar músicas que fazem parte da nossa história.

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Cenas de um casamento #2

por Mia, em 25.01.19

O drama da quinta.

 

Para começar, os olhares horrorizados das pessoas quando mencionávamos que queríamos casar daí por um ano e não tínhamos nada. Há quintas já com todos os fins de semana fechados até 2021, que loucura é essa?!

 

Depois: vamos falar sobre a parolice que são os espaços que se arrendam para casamentos? Meu. Deus. Ele é veludos, cadeirões, vidros, pérolas, tule por todo o lado. Castiçais maiores do que eu, luzes néon, vimos de tudo, sabeis lá. Nós que só queríamos um espaço amplo, com chão em madeira, mesas simples, cadeiras de madeira, muitos verdes e meia dúzia de velas.

 

2.png

 

Parecia missão impossível. Vimos quintas atrás de quintas, cada uma pior que a anterior. As que eram acessíveis eram parolas, as que eram bonitas levavam-nos um rim e meio pulmão. A cada um! Visitamos o showroom de uma event designer e a marca falou-nos ao coração. Era tudo o que queríamos e mais. A pessoa responsável era amorosa, o conceito era maravilhoso, os parceiros pareciam perfeitos. Tudo ótimo até chegar o primeiro orçamento. Bolo de noiva? 500€. Aluguer de sofás para exterior? 800€. E a lista continuava por aí adiante, somando a módica quantia de 10.000€ só de "extras", sem contar com quinta, catering, e outros pormenores igualmente importantes. Um exagero, pusemos de parte. Em compensação aproveitamos o contacto de um designer parceiro, que nos fez os convites mais rustico-chiq-fofos de todo o sempre.

 

Já com pouca esperança numa opção pouco azeiteira, contactamos uma outra event planner que tínhamos conhecido na expo-noivos. Agendamos a visita a duas quintas com quem tinham parceria, mas a primeira roubou-nos logo o coração. Espaço rústico muito simples, decoração à nossa medida, espaço interior e exterior agradável e um pacote de preços que não só estava dentro do nosso orçamento como incluía mais do que esperávamos. Problema: a data que queríamos (primeiro fim de semana de outubro) já estava ocupada. Solução: o último fim de semana de Agosto estava livre. E foi assim que antecipamos o casamento um mês, e ficamos com a quinta resolvida.

 

 

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Cenas de um casamento #1

por Mia, em 23.01.19

Ainda não tínhamos data, quinta, padre, fotógrafo… já eu andava preocupada com o vestido. Prioridades.

 

Sabia muito bem o que queria. Era este:

 

sem nome.png

 

Foi amor à primeira vista. Olhei, e tinha que ser este. A quem possa interessar, é da Pronovias, modelo Matiz. Marquei então um sábado chuvoso no início de Novembro. Juntei a minha mãe, cunhada, duas amigas e lá fomos em busca do vestido ideal. Ia com as expectativas rasteirinhas e a agenda cheia, que se é para dedicar o dia a isso pois que seja em grande.

 

Começamos, claro, na Pronovias. Tinha ligado mais de uma semana antes e pedido explicitamente pelo vestido que queria. Pois que sim, que o teriam lá à minha espera. E é claro que não tinham. Para ser sincera, toda a experiência deixou muito a desejar: desde ficar imenso tempo à espera, ao facto de não terem o vestido que eu tinha ido de propósito experimentar (sabe que eles às vezes não estão cá, disse-me a menina - como assim?! saem para dar uma volta?) até terem-nos encafuado às cinco num provador minúsculo para o efeito. Na minha cabeça, a prova de vestidos implicaria um grande provador, flutes de champanhe, e as acompanhantes cá fora, ao estilo say yes to the dress. Não aconteceu.

 

A funcionária também não era propriamente um doce. Mas era um dia especial, e uma pessoa releva.

 

O primeiro vestido arrancou lágrimas a algumas das pessoas presentes. A sensação de me ver vestida de noiva foi estranha, mas surpreendentemente agradável. Experimentei mais dois ou três vestidos, nenhum me falou ao coração. A ajudar, o facto de os vestidos serem pequenos - algo transversal a todas as lojas onde fui, excepto a última. Que loucura é essa? Não sendo pessoa magra, habitualmente enfio o corpinho num 38 ou tamanho M. Pois em dezenas de vestidos, se meia dúzia apertavam já era muito. Ridículo, pessoas, ridículo.



Ao vir embora, saio do provador onde me tinham enfiado com as meninas, e dou de caras com uma jovem a experimentar um vestido cá fora em frente ao espelho, e comento: aquele também é bonito. Não era o tipo de vestido que compraria - ou assim pensava naquele momento - mas era bonito, e eu estava apenas a comentar. Ao que a menina da loja me diz de imediato: é, mas não é para toda a gente. Não é qualquer corpo que fica bem naquele vestido. Ok. Entendi a mensagem. E risquei da minha lista. Bitch.

 

Adiante. Passamos à segunda loja. Mais uma vez todas a monte numa salinha minúscula, uma funcionária com pressa para almoçar e vestidos enfiados uns atrás dos outros. Gostei de alguns, não adorei nenhum, pausamos para ir almoçar.

 

No fim de almoço seguimos viagem, desta feita na única loja que correspondeu às minhas expectativas. Um provador só para mim, elas todas cá fora à espera da saída triunfal, chocolates, e uma menina simpática que não só foi incansável e me trouxe tudo o que eu pedi como ainda sugeriu o que achava que me ficava bem. Mais uma vez gostei de alguns, o meu coração chegou até a palpitar por dois, mas não tinha a certeza de nenhum.

 

Viemos embora com um ligeiro sentimento de frustração. Tínhamos ainda mais uma loja para ver, mas já não tinha expectativas de encontrar 'O' vestido. A última loja era de bairro, já mais antiga e com cheiro meio estranho. O meu preconceito disse-me logo que não estava ali a fazer nada... e não podia estar mais enganada. Talvez fosse cansaço, talvez estivesse relacionado com o facto de os vestidos efectivamente me servirem e por isso assentarem melhor no corpo. Facto é que gostei de tudo o que experimentei. E depois experimentei aquele. Aquele que era tudo o que eu disse que não queria num vestido. Experimentei, gostei. Obtive consenso do meu comité. Dei voltas e voltas. Ensaiei a subida ao altar. Troquei para outro, e voltei ao mesmo. E comprei.

 

Não sei se haveria algo que fosse mais a minha cara, não sei se foi o que me ficou melhor, não sei se foi a melhor escolha. Algumas pessoas dirão que sim, outras que não. Sei que é lindo e que foi o vestido que me fez sentido. E pronto. Foi assim que, no dia 2 de Novembro, sem sequer ter data para o casório, passei a ter vestido de noiva.

 

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É só isto meus amigos, até ver só há vestido. 

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Comprei um vestido de noiva

por Mia, em 07.11.18

Comecei por estabelecer bem o que não queria. Depois o que precisava, o que me favorecia, o que não podia nunca usar com o meu tipo de corpo. Depois alinhavei uma lista com as características do que gostava. Depois ignorei isso tudo e após experimentar uns 523 vestidos escolhi o que gostei.

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Cá por casa tudo igual, tudo diferente. Deixei o meu emprego e comecei o novo, e a adaptação, ainda que tenha custado nos primeiros dias, tem sido uma agradável surpresa. Trabalhar na minha cidade é tudo o que eu esperava que fosse: saio com 30 minutos de antecedência de casa, vou deixar o monstrinho à creche, visto-lhe a bata, dou beijinhos, "a mamã adora-te e volta logo", e vou-me embora, a pé. Chego ao trabalho 5 a 10 minutos antes da hora. Ao fim do dia, o percurso inverso, desço a rua e em 6 minutos estou a abraçar o meu pequeno. E não há nada que pague isso. 

 

Para ele, a mudança foi um pouco mais difícil. Estive com redução de horário até sair da empresa antiga, e ainda que trabalhasse a uma hora de distância, no máximo às 17h ele estava a sair. Passar a sair uma hora mais tarde foi doloroso. No primeiro dia cheguei e já só estava ele e outra menina, e o meu coração de mãe partiu-se em mil pedacinhos. Questionei todas as decisões que tinha tomado, mas depressa concluí que se tivesse continuado onde estava, e terminada a amamentação, passaria a ir buscá-lo ainda mais tarde (nunca antes das 19h30), por isso vamos ter que nos adaptar. Todos. Tivemos choro de manhã, birras de cansaço ao final do dia, mas aos poucos a coisa vai estabilizando.

 

E falando em monstrinho, as coisas que esta criança aprende de dia para dia? Não vos vou contar grandes feitos, não direi que é um prodígio ou sequer avançado para a idade no que quer que seja. É um miúdo normal, cada vez menos bebé e mais menino, e eu saboreio cada pequena conquista. Começou a andar (e mais recentemente a correr) e agora o mundo é dele. É curioso, astuto, aprende rápido. É meigo e carinhoso, tira comida da boca dele para nos dar se pedirmos, faz miminho, sorri e dá abraços com fartura. Mas também tem mau feitio: aprendeu a birra e agora atira-se para trás quando é contrariado, chora, deita-se no chão. Não damos importância para que não veja isso como 'arma' para conseguir o que quer. Come bem, dorme bem (ultimamente nem tanto, ora são dentes, ora gastro, ora constipação, uma ramboia), não dá chatices. É um bom menino.

 

Começamos a preparação para o casamento e já estou exausta. Amanhã faço a primeira incursão no mundo dos vestidos de noiva, logo vos conto como correu, mas vou com expectativas baixinhas baixinhas. Já as quintas são toda uma outra epopeia. Só queríamos um espaço amplo, mesas de madeira corridas e cadeiras simples, já agora a preço de gente. Aparentemente é pedir demais, e ainda não vimos nada que fugisse ao clássico: mesas de vidro, poltronas, veludo, pérolas, cristais, véus a cair do tecto, dragões a cuspir fogo... esta última pode ser exagero mas vocês perceberam a ideia. Passamos dois dias a ver quintas e quase desisti de casar. Não há de ser nada.

 

Na correria da vida, o blog passou para 76352º plano. Adorava vir cá com mais frequência, faz-me falta escrever e ler-vos (ainda está por aí alguém?), mas o tempo voa, uma pessoa escreve posts mentalmente enquanto está no duche ou antes de adormecer, mas depois nunca os passa para o papel (salvo seja), outros blogs são lidos de fugida nas salas de espera de consultórios ou em tempos mortos - que são cada vez menos - passam-se dias, semanas, meses e pronto. A ver se consigo vir cá mais vezes. 

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Já toda a gente tinha perdido a esperança. Estamos noivos desde 2015, unidos de facto há uma porrada de anos. Eu refiro-me a ele como o meu marido e ele diz que tem uma esposa. Concebemos uma criança em pecado. Algum dia tinha que ser, não é verdade? Ontem estava aqui a pensar no assunto e lembrei-me de perguntar:

 

- Olha. 28 de Setembro de 2019. Casamos?

- Não me parece mal.

 

E pronto, decidimos. Só nos vai levar quatro anos desde o noivado ao casamento, parece razoável. Aproveitamos e baptizamos o miúdo ao mesmo tempo e fica já tudo tratadinho. Agora vou esquecer este assunto até ao fim do verão, e depois logo se vê.

 

 

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Desculpem lá qualquer coisinha...

por Mia, em 28.10.15

... mas haverá coisa mais parola do que abrir a pista de dança com a música do Dirty Dancing?

Ainda não sei que música quero, mas tenho a certeza absoluta que não será esta.

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Sim, leram bem

por Mia, em 16.09.15

Eu disse 2017. A correr bem, na loucura talvez 2018. Imaginem só a quantidade de posts sobre casamento com que vão levar...

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publicado às 16:45

...

por Mia, em 16.09.15

 Por outro lado, dado que o casório vai ser só lá para 2017, sou gaja de ter tempo para abater esses 10kg.

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publicado às 16:44

Andava a navegar na net, só a fazer prospecção de mercado como quem não quer a coisa, a ver florzinhas e rendinhas e folhinhos e vestidos cai-cai pirosões - alguém me explica a panca com os cai-cai??? - dizia eu, andava eu a ver pirosada atrás de pirosada quando bati olhos nele.

 

É lindo, foi amor à primeira vista, tem o meu nome escrito, dava um dedinho do pé por ele. Só há aquele pequeno problema de eu ter que perder uns 10kg para ficar bem com aquilo vestido, mas fora isso tudo bem.

 

Ah, e o preço. Não fazer ideia do preço também pode vir a revelar-se incómodo.

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Sondagem

por Mia, em 13.09.15

Digam de vossa justiça:

 

Casar pela igreja, sim ou não?

 

Sendo que:

- Eu tenho uma relação complicada com a religião. Já fui católica praticante, já acreditei muito em deus, e depois um dia apercebi-me da merda que existe no mundo, acompanhei de perto a injustiça que algumas pessoas sofrem, comecei a reparar em toda a hipocrisia e incoerência que a igreja nos ensina, e virei-lhe as costas. Hoje já não sei. Quero, gostava muito, de acreditar em alguma coisa, mas não sei se sou capaz, tenho dúvidas, só dúvidas.

 

- O homem, ainda que dizendo que não, liga a essas coisas.

 

- Os meus pais não ligariam peva. Apesar de eu achar que o meu pai talvez gostasse daquela coisa de me levar ao altar.

 

- Os sogros ficariam bastante agradados se isso acontecesse, para eles seria importante.

 

- A maioria avós, acham que essa questão nem se coloca, é um sim, sem qualquer sobra de dúvida.

 

- Os meus avós do coração, pessoas mais importantes do mundo, não se importariam se não o fizesse. Mas embora saiba que nunca o dirão, gostariam que sim.

 

 

Go!

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Tenho um amigo, que já foi mais do que um amigo sem nunca ser tanto quanto ele queria, mas que me está no coração. Que é para mim uma pessoa importante. Que quero ter ao meu lado, em quem penso nos momentos tristes e com quem quero sempre partilhar as minhas alegrias. Que é hoje para mim um amigo-irmão. 

 

Que já deixou de me falar durante anos porque as nossas expectativas não são, nunca foram, as mesmas.

 

Que um dia invadiu novamente a minha vida de um dia para o outro e voltou a ser meu amigo (na verdade nunca deixou de o ser, penso eu).

 

Tenho um amigo que já voltou a querer mais do que um amigo e por isso se afastou de outra vez de mim.

 

E voltou.

 

E caímos nos mesmos erros, ele quer uma coisa, eu quero outra, ele foi embora outra vez.

 

E voltou.

 

E a história repetiu-se e lá foi ele.

 

E voltou.

 

E mesmo a maior das amizades tem o seu limite e chega a um ponto em que atinge o nível de desgaste, e quando o meu amigo voltou a querer ser mais do que um amigo e, sendo negado, disse que ia sair outra vez da minha vida, e foi avisado de que se o fizesse, seria a ultima vez.

 

E ficou.

Ficou, e somos amigos. Ou assim queremos crer, os dois, ainda que eu desconfie que esta amizade seja frágil, tão frágil que não sei se vai sobreviver à notícia do noivado e ando aqui às voltas desde o dia em que enfiei o anel no dedo, sem saber como raio vou descalçar esta bota.

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Indecente, mas mesmo indecente, foi o homem ter-me deixado ir à manicure e pintar as unhas de rosa néon (don't ask, é a puta da silly season) no dia em que me ia pedir em casamento. Um heads up teria sido de valor.

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...

por Mia, em 02.09.15

Não, não há data. Não há nada em concreto. Não andamos a ver quintas, não vamos a expo-casamentos, não fazemos sequer ideia em que ano será.

Sim, é uma bandalheira. Não se apoquentem, que eu também não.

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Não sei como dizer isto sem vos chocar, quando eu própria ainda estou meio abananada, mas pronto, cá vai.

Estou noiva.

Era só isto.

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