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É só isto meus amigos, até ver só há vestido. 

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Comprei um vestido de noiva

por Mia, em 07.11.18

Comecei por estabelecer bem o que não queria. Depois o que precisava, o que me favorecia, o que não podia nunca usar com o meu tipo de corpo. Depois alinhavei uma lista com as características do que gostava. Depois ignorei isso tudo e após experimentar uns 523 vestidos escolhi o que gostei.

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Cá por casa tudo igual, tudo diferente. Deixei o meu emprego e comecei o novo, e a adaptação, ainda que tenha custado nos primeiros dias, tem sido uma agradável surpresa. Trabalhar na minha cidade é tudo o que eu esperava que fosse: saio com 30 minutos de antecedência de casa, vou deixar o monstrinho à creche, visto-lhe a bata, dou beijinhos, "a mamã adora-te e volta logo", e vou-me embora, a pé. Chego ao trabalho 5 a 10 minutos antes da hora. Ao fim do dia, o percurso inverso, desço a rua e em 6 minutos estou a abraçar o meu pequeno. E não há nada que pague isso. 

 

Para ele, a mudança foi um pouco mais difícil. Estive com redução de horário até sair da empresa antiga, e ainda que trabalhasse a uma hora de distância, no máximo às 17h ele estava a sair. Passar a sair uma hora mais tarde foi doloroso. No primeiro dia cheguei e já só estava ele e outra menina, e o meu coração de mãe partiu-se em mil pedacinhos. Questionei todas as decisões que tinha tomado, mas depressa concluí que se tivesse continuado onde estava, e terminada a amamentação, passaria a ir buscá-lo ainda mais tarde (nunca antes das 19h30), por isso vamos ter que nos adaptar. Todos. Tivemos choro de manhã, birras de cansaço ao final do dia, mas aos poucos a coisa vai estabilizando.

 

E falando em monstrinho, as coisas que esta criança aprende de dia para dia? Não vos vou contar grandes feitos, não direi que é um prodígio ou sequer avançado para a idade no que quer que seja. É um miúdo normal, cada vez menos bebé e mais menino, e eu saboreio cada pequena conquista. Começou a andar (e mais recentemente a correr) e agora o mundo é dele. É curioso, astuto, aprende rápido. É meigo e carinhoso, tira comida da boca dele para nos dar se pedirmos, faz miminho, sorri e dá abraços com fartura. Mas também tem mau feitio: aprendeu a birra e agora atira-se para trás quando é contrariado, chora, deita-se no chão. Não damos importância para que não veja isso como 'arma' para conseguir o que quer. Come bem, dorme bem (ultimamente nem tanto, ora são dentes, ora gastro, ora constipação, uma ramboia), não dá chatices. É um bom menino.

 

Começamos a preparação para o casamento e já estou exausta. Amanhã faço a primeira incursão no mundo dos vestidos de noiva, logo vos conto como correu, mas vou com expectativas baixinhas baixinhas. Já as quintas são toda uma outra epopeia. Só queríamos um espaço amplo, mesas de madeira corridas e cadeiras simples, já agora a preço de gente. Aparentemente é pedir demais, e ainda não vimos nada que fugisse ao clássico: mesas de vidro, poltronas, veludo, pérolas, cristais, véus a cair do tecto, dragões a cuspir fogo... esta última pode ser exagero mas vocês perceberam a ideia. Passamos dois dias a ver quintas e quase desisti de casar. Não há de ser nada.

 

Na correria da vida, o blog passou para 76352º plano. Adorava vir cá com mais frequência, faz-me falta escrever e ler-vos (ainda está por aí alguém?), mas o tempo voa, uma pessoa escreve posts mentalmente enquanto está no duche ou antes de adormecer, mas depois nunca os passa para o papel (salvo seja), outros blogs são lidos de fugida nas salas de espera de consultórios ou em tempos mortos - que são cada vez menos - passam-se dias, semanas, meses e pronto. A ver se consigo vir cá mais vezes. 

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publicado às 17:33

Já toda a gente tinha perdido a esperança. Estamos noivos desde 2015, unidos de facto há uma porrada de anos. Eu refiro-me a ele como o meu marido e ele diz que tem uma esposa. Concebemos uma criança em pecado. Algum dia tinha que ser, não é verdade? Ontem estava aqui a pensar no assunto e lembrei-me de perguntar:

 

- Olha. 28 de Setembro de 2019. Casamos?

- Não me parece mal.

 

E pronto, decidimos. Só nos vai levar quatro anos desde o noivado ao casamento, parece razoável. Aproveitamos e baptizamos o miúdo ao mesmo tempo e fica já tudo tratadinho. Agora vou esquecer este assunto até ao fim do verão, e depois logo se vê.

 

 

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Desculpem lá qualquer coisinha...

por Mia, em 28.10.15

... mas haverá coisa mais parola do que abrir a pista de dança com a música do Dirty Dancing?

Ainda não sei que música quero, mas tenho a certeza absoluta que não será esta.

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Sim, leram bem

por Mia, em 16.09.15

Eu disse 2017. A correr bem, na loucura talvez 2018. Imaginem só a quantidade de posts sobre casamento com que vão levar...

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publicado às 16:45

...

por Mia, em 16.09.15

 Por outro lado, dado que o casório vai ser só lá para 2017, sou gaja de ter tempo para abater esses 10kg.

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publicado às 16:44

Andava a navegar na net, só a fazer prospecção de mercado como quem não quer a coisa, a ver florzinhas e rendinhas e folhinhos e vestidos cai-cai pirosões - alguém me explica a panca com os cai-cai??? - dizia eu, andava eu a ver pirosada atrás de pirosada quando bati olhos nele.

 

É lindo, foi amor à primeira vista, tem o meu nome escrito, dava um dedinho do pé por ele. Só há aquele pequeno problema de eu ter que perder uns 10kg para ficar bem com aquilo vestido, mas fora isso tudo bem.

 

Ah, e o preço. Não fazer ideia do preço também pode vir a revelar-se incómodo.

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Sondagem

por Mia, em 13.09.15

Digam de vossa justiça:

 

Casar pela igreja, sim ou não?

 

Sendo que:

- Eu tenho uma relação complicada com a religião. Já fui católica praticante, já acreditei muito em deus, e depois um dia apercebi-me da merda que existe no mundo, acompanhei de perto a injustiça que algumas pessoas sofrem, comecei a reparar em toda a hipocrisia e incoerência que a igreja nos ensina, e virei-lhe as costas. Hoje já não sei. Quero, gostava muito, de acreditar em alguma coisa, mas não sei se sou capaz, tenho dúvidas, só dúvidas.

 

- O homem, ainda que dizendo que não, liga a essas coisas.

 

- Os meus pais não ligariam peva. Apesar de eu achar que o meu pai talvez gostasse daquela coisa de me levar ao altar.

 

- Os sogros ficariam bastante agradados se isso acontecesse, para eles seria importante.

 

- A maioria avós, acham que essa questão nem se coloca, é um sim, sem qualquer sobra de dúvida.

 

- Os meus avós do coração, pessoas mais importantes do mundo, não se importariam se não o fizesse. Mas embora saiba que nunca o dirão, gostariam que sim.

 

 

Go!

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Tenho um amigo, que já foi mais do que um amigo sem nunca ser tanto quanto ele queria, mas que me está no coração. Que é para mim uma pessoa importante. Que quero ter ao meu lado, em quem penso nos momentos tristes e com quem quero sempre partilhar as minhas alegrias. Que é hoje para mim um amigo-irmão. 

 

Que já deixou de me falar durante anos porque as nossas expectativas não são, nunca foram, as mesmas.

 

Que um dia invadiu novamente a minha vida de um dia para o outro e voltou a ser meu amigo (na verdade nunca deixou de o ser, penso eu).

 

Tenho um amigo que já voltou a querer mais do que um amigo e por isso se afastou de outra vez de mim.

 

E voltou.

 

E caímos nos mesmos erros, ele quer uma coisa, eu quero outra, ele foi embora outra vez.

 

E voltou.

 

E a história repetiu-se e lá foi ele.

 

E voltou.

 

E mesmo a maior das amizades tem o seu limite e chega a um ponto em que atinge o nível de desgaste, e quando o meu amigo voltou a querer ser mais do que um amigo e, sendo negado, disse que ia sair outra vez da minha vida, e foi avisado de que se o fizesse, seria a ultima vez.

 

E ficou.

Ficou, e somos amigos. Ou assim queremos crer, os dois, ainda que eu desconfie que esta amizade seja frágil, tão frágil que não sei se vai sobreviver à notícia do noivado e ando aqui às voltas desde o dia em que enfiei o anel no dedo, sem saber como raio vou descalçar esta bota.

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Indecente, mas mesmo indecente, foi o homem ter-me deixado ir à manicure e pintar as unhas de rosa néon (don't ask, é a puta da silly season) no dia em que me ia pedir em casamento. Um heads up teria sido de valor.

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...

por Mia, em 02.09.15

Não, não há data. Não há nada em concreto. Não andamos a ver quintas, não vamos a expo-casamentos, não fazemos sequer ideia em que ano será.

Sim, é uma bandalheira. Não se apoquentem, que eu também não.

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Não sei como dizer isto sem vos chocar, quando eu própria ainda estou meio abananada, mas pronto, cá vai.

Estou noiva.

Era só isto.

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