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A festa do ano - parte 3

por Mia, em 14.08.18

Então e a festa propriamente dita?

Já vos contei aqui que pouco antes da festa começar, estava em pleno ataque de ansiedade. Pedi reforços, e chegaram num instante: padrinhos, primos, avós, amigos. De repente a casa encheu e eu só via pessoas a passar com comida, a encher balões, a preparar pratos, sei lá o que mais. Tirei uns minutos para ir tomar um duche e preparar-me para a festa. Nada de muito fancy, queríamos uma coisa descontraída e foi isso mesmo que aconteceu.

 

Tinha comprado t-shirts matchy-matchy para nós (body para o menino):

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Calção, chinelo de dedo, cabelo molhado e sem maquilhagem. Mais relaxado do que isto impossível.

 

As pessoas foram chegando e vinham no mesmo espírito: fato de banho, calções, pé na relva, boa disposição. E apesar do calor que não deu tréguas (dia mais quente do século, não sei se já disse), esteve-se bem. Acima de tudo porque estavam quase todos cá: a família e os amigos chegados.

 

O pessoal foi dando uns mergulhos ao longo do dia, havia música, havia comida, havia bebida. A meio pus a piscina de bebé com água e o monstrinho ainda deu uns mergulhos e acabou por cantar os parabéns só de fralda.

 

Os parabéns foram inesquecíveis. Parecia que entendia o que se estava a passar, gargalhou e bateu palminhas, uma delícia, já passou mais de uma semana e ainda tenho pessoas a comentar o quão bem disposto ele estava. De resto, aguentou-se como um herói: apesar de ter acordado da sesta às 16h, ficou na festa até depois das 22h, sempre bem disposto, sempre de colo em colo, sempre sorridente.

 

Depois de cortar o bolo sentamo-nos no chão, entre os convidados, a abrir os presentes. Uma chuva de prendas todas tão atenciosas, algumas verdadeiramente originais e que demonstravam grande esforço criativo. Que sorte tem este meu filho.

 

Para terminar, e à boa maneira nortenha: caldo verde e bifanas, acompanhados de mais uns quantos mergulhos, numa festa que durou até bem perto das 2h da madrugada.

 

Não foi tudo perfeito, não correu tudo exactamente como idealizei. Fiz bolo de anos (2 andares, 5 camadas cada!), segundo bolo, gelatinas, bolachas decoradas, cupcakes. Tratei de compras, decoração, organização, preparação de comida. Tudo com um bebé pequeno, um pico de trabalho que me obrigou a horas extra todos os dias da semana, uma formação dificílima em curso e hóspedes em casa. Vendo bem as coisas, como não fritar da cabeça?! Houve alguns momentos de sufoco (não parei até ele ir dormir), alguns stresses, não consegui dar a devida atenção a toda a gente, mas no final foi um dia muito feliz e eu só posso desejar que se repita por muitos e muitos anos.

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A festa do ano - parte 2

por Mia, em 13.08.18

A decoração foi pensada meses antes. Queria qualquer coisa simples, dentro do tema, e deitei mãos à obra. Planeei cinco mesas:

 

As mesas da comida

Duas mesas compridas com doces e salgados. Toalhas coloridas (verde, laranja e amarelo), pratos descartáveis nas cores o arco-íris  com a comida (no fim foi só deitar tudo ao lixo, e festa arrumada), nuvens, arco-íris e estrelas espalhadas pelas mesas para decoração (muitas noites a recortar bonecada).

 

A mesa das crianças

Uma mesa literalmente à altura delas, com snacks saudáveis: sumo de laranja natural, garrafinhas de água (fiz rótulos a condizer com o tema), snacks bio para bebés, fruta em polpa, gelatina sem açúcar, geladinhos caseiros de banana e leite de côco. Monstrinho adorou tudo, e ainda se afiambrou aos restos no dia seguinte.

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A mesa do bolo

A ideia que tinha era muito clara: qualquer coisa como isto:

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Para as nuvens usei k-line branco. As grinaldas de estrelas comprei já feitas, em cinza e branco, no AliExpress. Desisti da ideia das fotos porque achei muito pesado, e transferi-as para a mesa de suporte. Por aqui, simplifiquei: só mesmo  nuvens e estrelas suspensas como pano de fundo. Toalha azul, e aqueles snacks mais bonitos espalhados pela mesa: os bolos, pacotinhos de pipocas que comprei em azul e rosa e decorei com autocolantes que fiz iguais ao resto do tema, gelatinas e mousses em copinhos transparentes com colheres coloridas, bolachinhas decoradas em forma de nuvem e estrela, cupcakes (também comprei e decorei formas, à semelhança das pipocas), gomas e marshmallows, uma moldura com um 1 impresso no tema da festa, cake pops que desmaiaram com o calor e viraram brigadeiros e cartões, porque me apeteceu. De cada lado, dois ramalhetes de balões-estrela em azul e branco.

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A mesa de suporte

Não odeiam quando estão numa festa e querem um prato/colher/copo/guardanapo e têm que andar a pedir licença a todos os que estão à volta da mesa para lá chegar? Não? Sou só eu? Bem, eu não gosto disso. Ou quando há uma mesa de apoio mas está enfiada num canto inacessível, ainda há dias estive numa festa assim: a mesa de suporte estava num canto só acessível por um espaço mínimo que estava sempre ocupado por ser zona de passagem. Vai daí, decidi fazer uma mesa de suporte só para essas coisas. Toalha rosa (a cor que faltava), e como decoração umas molduras de papel em tom de cartão e branco penduradas num cordel, com fotografias dos 12 meses atrás da mesa. Em cima da mesa a caixa de luz com uma mensagem de parabéns que pedi aos padrinhos para escrever (dizia: monstrinho, és o maior <3), pratos e copos descartáveis. Usei frascos de vidro para colocar talheres e palhinhas (de papel, coloridas, AliExpress), cada frasco tinha um lacinho numa das cores do arco-íris. Mais uns quantos balões com estrelinhas a flutuar atrás da mesa (comprei uma pequena botija de hélio no toys'r'us), guardanapos coloridos, garrafinhas de água com rótulos a condizer e dois potes de torneira: um com sumo de laranja e outro com sangria. Um dos potes tinha base em metal, o outro empilhei em círculos de tronco. O resto das bebidas, dado o calor infernal, optamos por colocar no chão em baldes (das vindimas) cheios de gelo.

 

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Outros aspectos de decoração:

- Uma mesa baixinha semelhante à das crianças entre duas poltronas de jardim, que continha: um frasco com canetas (com o devido lacinho), cartões vazios, e uma caixa com estrelinhas. E um cartãozinho onde pedia às pessoas que escrevessem uma dedicatória para o monstrinho ler quando fosse crescido, e guardassem na tal caixinha. Fez tanto sucesso que os cartões não chegaram! Tinha também um letterboard com mensagem de parabéns.

 

- Mantas, pufes e almofadões espalhados por todo o lado, assim como caixas com brinquedos para os mais pequenos. Tinha comprado bolinhas de sabão mas esqueci-me. E tinha inicialmente pensado por o teepee dele no jardim, mas no dia optei por não o fazer.

 

- Dentro de casa, no tecto da sala (para onde fugiram os mais velhos por causa do ar condicionado) pairavam balões coloridos com o número 1.

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 - À chegada tínhamos também balões coloridos com estrelas que formavam a alcunha do miúdo, e o número 1.

 

- Preparei mais uma pequena mesa para se tirarem fotografias. Comprei acessórios em papel (óculos, bigodes, chapéus) e fiz alguns específicos para o aniversário: o número 1, uma estrelinha com o hastag que criei para o dia, mensagens de parabéns, etc. Tinha feito também uma moldura gigante em k-line, mas parte da decoração da moldura incluía um conjunto de balões em forma de arco-íris que não se aguentou com o calor, por isso foi posta de parte.

 

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A festa do ano - parte 1

por Mia, em 10.08.18

Monstrinho fez um ano no dia 4 de Agosto, e nós planeamos uma festinha no jardim. É claro que esse foi o momento em que os astros se alinharam para proporcionar o dia mais quente do séc.XXI. Adorável.

 

Entre os meus ataques de ansiedade e um bafo descomunal que só se aguentava debaixo do ar condicionado, acabou por correr tudo bem. A festa, essa comecei a prepará-la ainda durante a licença de maternidade alargada.

 

Nunca fiz questão de fazer um festão. Mas dá-se o caso de ambos termos família próxima muito extensa, e era impossível cortar pessoas da comemoração. As alternativas eram: faz-se festa para 80 pessoas, ou não se faz nada. E embarcamos nessa loucura aventura.

 

Comecei em Março a encomendar coisas do ali express. O tema, esse foi escolhido logo: nuvens e arco íris. Essencialmente por três motivos: porque é provavelmente o único aniversário dele em que sou eu que escolho o tema; por causa de todo o simbolismo do arco-íris; porque quero e posso.

 

Queria ser eu a fazer tudo - e acho que foi o que em parte me tramou.

 

O bolo:

Tenho algum domínio na cena da pasta de açúcar, mas queria um bolo ligeiramente diferente. Vasculhei a net em busca de bolos arci-íris e esta foi a minha inspiração:

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Mais difícil do que parece. Vi tutoriais, fiz três bolos de teste. Red velvet com cobertura de mascarpone, o bolo da moda que me pareceu ideal para uma tarde de verão. Acertei com a receita na primeira, com a consistência no segundo teste, mas a estética estava-me a matar. Entre o 2º e o 3º ensaios pensei desistir. Tentei contratar quem me fizesse o bolo, mas estavam todos ocupados para a data. Mais tutoriais, introduzi o conceito de aros de corte, e a coisa deu-se. No dia, acho que apenas duas coisas correram mal. Três, vá. Primeiro, experimentei uma marca de corante nova e as cores saíram mais desmaiadas do que esperava. Depois não nivelei as camadas. Como o bolo tinha dois andares, a altura do andar de cima ficou maior do que gostaria. por último, planeei canudos internos no andar de baixo para impedir o bolo de afundar, mas não para cima. Com o peso e calor, o bolo começou a pender para o lado, mas nada de crítico. Estava bom e foi feito com carinho, não é o que mais importa? Em cima levou jelly beans e uma velinha com um 1. Simples assim.

 

Mas não ficamos por aqui! Porque eu achei que tinha pouco o que fazer, e então fiz mais um, só porque sim, desta vez em pasta de açúcar, inspirado neste:

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Inspirado, mas não igual, até porque era significativamente mais baixo. Com o calor que estava, não arrisquei por o arco-íris em pé. As nuvens tinham cara igual aos convites - sim, fiz convites - E não tinha borboletas. Sem falsas modéstias: ficou bonito, tão fofo que ninguém teve coragem de o partir.

 

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1 ano depois: o bebé

por Mia, em 04.08.18

Um ano. Um ano inteiro. Parece que ainda há dias estava grávida, mas ao mesmo tempo não sei já como era a vida antes dele. Um ano incrivelmente feliz, apesar de nem tudo serem sempre rosas. Um ano a dar graças todos os dias pela criança maravilhosa que me calhou e pela sorte que temos.


Pequeno monstrinho, de pequeno não tem nada. Está muito comprido e menos rechonchudo, ainda que continue com aquela barriga deliciosa de bebé e aquelas coxinhas cheias de pregas. Tem olhos castanho-mel como o pai, que com o sol ficam meio esverdeados, e agora com o verão está cada vez mais loirinho - engraçado sendo eu morena de olhos escuros como me foi calhar uma cria tão pálida e "deslavada".


Como todas as crianças, desenvolve-se ao seu ritmo. E nós apoiamos, sem pressas. Notamos que é um bebé com maior competência para o desenvolvimento da componente física: começou cedo a segurar a cabeça, com 5 meses já pressionava as pernas contra o chão e tentava andar se o segurássemos, sentou mais cedo do que é habitual. Começou a gatinhar perto dos 9 meses, e com isso deixou de querer andar por uns tempos. Agora levanta-se e anda agarrado às coisas, às pessoas, ao andador. Se o deixamos em pé fica com medo e senta-se.


Por outro lado, não mostra grande interesse em falar. Diz muito "papá", mas desconfio que ainda sem perceber bem o sentido porque tanto diz quando vê o pai chegar a casa, como quando está comigo. "Oiá" (olá) é cada vez mais frequente. Volta e meia solta um aba (água), bebé, ou a alcunha que lhe chamamos, mas é complicado perceber ainda se é por acaso ou intencional. Temos tempo e tentamos não sobre-estimular. De resto, os habituais "tatata", "dadada" ou "bababa". Mamã nicles, pequeno ingrato.


Começa a interagir com objectos e é delicioso de ver. Leva a colher à boca (toda torta, metade da comida cai pelo caminho), e se pedir "dá papinha à mamã" põe-me a colher na boca, ou apanha comida com a mão para por na minha - é um bebé tão meiguinho. Dá miminho, diz xau-xau. Se lhe dermos a escova, tenta pentear o cabelo. Se dermos o telefone, coloca-o no ouvido. Estas pequenas aprendizagens acontecem todos os dias e enchem-nos de orgulho - os pais desse lado vão perceber.


Continua a ser um bebé muito musical, dança imenso, faz coreografias que aprende na escola. Aponta para todo o lado e adora ver fotografias e apontar para as pessoas. Se lhe pergunto "onde estão os olhinhos da mamã?" enquanto pisco os olhos, ele aponta para eles e diz "qui". O nariz da mamã também funciona. A partir daí perde o foco e é só risota. Adora sons de animais, especialmente o porco. Se perguntar como faz o leão levanta as mãozinhas - o gesto que eu costumo fazer para imitar o leão.


As rotinas desta criança são um dos meus maiores orgulhos enquanto mãe. Monstrinho segue uma rotina sem grandes desvios todos os dias, e acredito que isso contribua para o seu crescimento saudável e sem grandes picos de humor. Continua a comer bem, e agora depois da sopa damos-lhe um pequeno prato com comida "normal", e ele vai experimentando. É engraçado ver as reacções a cores, texturas e sabores. Deixamos que explore com as mãos e talheres, e temos notado grande evolução ao longo do tempo. No colégio dizem que ele é um "legumeiro", e é verdade: adora brócolos, ervilhas, feijão, espinafres.

 

As noites são simples e pacíficas, o que ajuda muito também ao nosso equilíbrio. No final de jantar toma banho, veste o pijama, contamos as luzinhas do quarto. Beijinho ao pai, beijinho à mãe, bons sonhos, e deita-se o menino no berço, no quarto dele, às escuras. Fechamos a porta e vamos à nossa vida. Na maior parte dos dias está cansado e adormece de imediato. Outras vezes dá umas voltinhas na cama, acabando por adormecer também. Não há choros, não há birras, não há necessidade de o adormecer. Esta rotina não foi fácil, claro. Custou-nos muitas noites de experiência, algumas regressões. Encontrar o equilíbrio entre proporcionar conforto ao bebé, não o deixando chorar ou sentir abandono, e ao mesmo tempo dar-lhe autonomia não é fácil, e aqui o colégio ajudou muito. 20h30/21h temos a criança na cama lavada, alimentada e cheirosa. E isso é espectacular.


A nível de personalidade, notamos algumas diferenças nos últimos meses. Continua a ser bastante sociável, mas dentro da sua zona de conforto. Já não se atira para desconhecidos, pede mais a mãe e o pai, e muitas vezes não quer ir ao colo de outras pessoas. Tentamos respeitar ao máximo - uma criança não é um brinquedo e também tem vontade própria! No entanto continua a sorrir para toda a gente, agora muitas vezes acompanhado do aceno e do 'oiá'.


Brinca muito, e muito bem sozinho. Tem uma obsessão por tudo o que não seja brinquedo: comandos, chinelos, fios, ratos, revistas, livros, molduras. Gosta cada vez menos de ficar preso no parque, só está bem a andar ou gatinhar pela casa fora. Persegue os gatos e ri-se imenso. Há dias levou uma patadinha de um e ficou um pouco sentido, coisa que durou uns 30 segundos mas não foi suficiente para o deixar com medo. Anda muito de triciclo, cavalo de baloiço (no nosso caso zebra de baloiço). Adora brincar com jogos de encaixe, bolas, e basicamente qualquer coisa que faça som.


365 dias deste pequeno monstrinho que há um ano atrás, exactamente a esta hora, saía da minha barriga para este mundo. 365 dias desde que nos fez mãe e pai - um dia hei de vos falar sobre isso - desde que se tornou o centro do nosso universo (não o era já, mesmo antes de nascer?). 365 dias de felicidade, cada um deles. Parabéns, meu amor.

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Acho uma atitude de profundo egoísmo.

 

Nenhuma criança merece que se coloque nos seus ombros o peso de manter uma relação que está a falhar. Como filha de pais divorciados, acho que tenho legitimidade para falar sobre o assunto do ponto de vista da criança. Os meus pais separaram-se pela primeira vez quando o meu irmão nasceu, tinha eu quatro anos. Lembro-me de me explicarem as coisas, e de ir com a minha mãe viver para casa dos meus avós por uns tempos, mas não me lembro de muito mais. Sei que pouco depois já vivíamos todos juntos outra vez. Lembro-me de os meus pais discutirem, mas isso eram os bons tempos. Recordo-me de o meu pai oferecer muitas vezes presentes à minha mãe, que eu fui começando a identificar como "presentes de culpa", ou seja, uma tentativa de remediar quando tinha feito alguma borrada, ou de irem passar fins de semana fora, num esforço de recuperar algo que já estava perdido há muito. Os anos foram passando, e nunca tive o casamento dos meus pais como um exemplo. Com o avançar do tempo, o ambiente familiar foi-se ressentindo, e a gota de água foi quando a minha mãe decidiu voltar a estudar. O meu pai, pessoa extremamente possessiva e ciumenta, tomou aquilo como um ataque pessoal. Nas noites em que a minha mãe tinha aulas, jantávamos à pressa e deitavamo-nos cedo, para que ela ao chegar encontrasse uma casa escura e silenciosa e se sentisse culpada. Quando estávamos todos em casa, o ambiente era de cortar à faca e eles nem se olhavam nos olhos. Perto do fim, já faziam vidas totalmente separadas, apenas partilhavam o mesmo tecto, "por nós".

 

Será este ambiente mais saudável do que o divórcio?

 

Eu respondo: não. Não é. Quando os meus pais se separaram definitivamente, eu e o meu irmão voltamos a ter uma família. Nunca mais vivemos todos debaixo do mesmo tecto, mas passamos a conversar mais, a ter tempo de qualidade com cada um dos nossos pais. Ganhamos a atenção deles. Pessoalmente, ver os meus pais recomeçarem a sua vida e reerguerem-se após uma situação complicada, foi para mim uma inspiração - e não é isso que os pais querem ser para os seus filhos?

 

E vocês? O que pensam sobre este assunto?

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Numa festa de aniversário, enquanto se corta o bolo, alguém comenta que o monstrinho daqui a uns meses já comerá também bolo, ao que o pai responde: Não. Não tencionamos dar-lhe qualquer tipo de açúcar refinado antes dos dois anos.

 

Meus amigos. Isto que vos vou contar pode parecer um exagero, mas afianço-vos que é um retrato fiel do que se passou.

 

Houve gritos, houve amuos, houve cara feia. Toda uma mesa em alvoroço. A expressão "coitadinho do menino" saiu das mais diversas bocas. Argumentos como "tu lá podes controlar o que a criança come" ou até mesmo a ameaça "não come açúcar? Vais ver se não come açúcar." foram proferidos.

 

A ver se a gente se entende. Há algum motivo válido para uma criança comer açúcar? Juro que se me derem um, unzinho que seja, eu reconsidero. Até lá, não obrigada.

O açúcar - e quando falo em açúcar aqui refiro-me aos bolos, chocolates, rebuçados, sumos, e afins, e não ao açúcar que obtemos naturalmente através dos alimentos - não tem qualquer vantagem para as crianças. Não tem valor nutricional. Cria vício. Faz mal aos dentes. Fomenta a obesidade infantil. Torna as crianças mais hiperactivas. Cria maus hábitos.

 

Coitadinho do menino.

 

Coitadinho porquê, mesmo? Porque tem pais que se preocupam com ele? Uma criança que desconhece o que são doces, não vai sentir falta. Quanto mais tarde introduzirmos este veneno na alimentação dos nossos filhos, mais provável é que eles aprendam a gostar de coisas mais saudáveis.

Quando um adulto dá um doce a uma criança, não o faz pelo miúdo, fá-lo por egoísmo. Porque a criança vai gostar, e estará assim a "comprar" o seu afecto. Porque não ganhar esse afecto de outra forma, por exemplo, sei lá, brincando com ele?

 

Estes casais modernos têm todos as mesmas manias.

 

Hum, pergunto-me se haverá um motivo para isso. Será porque temos hoje mais informação do que havia há 30 anos atrás? Será porque estas manias têm algum fundamento?

 

Mas tu lá consegues controlar o que a criança come!

 

Como assim?! Por onde andará o meu filho de dois anos, que eu não terei controlo sobre o que ele come? Na creche não entra comida do exterior. Em casa eu controlo, obviamente, as refeições. Em casa de familiares eu estou por perto, ou deixarei indicações sobre como alimentar a criança. Francamente, se isto não é má vontade, não sei.

 

E perguntam vocês, então mas esta argumentação ajudou em alguma coisa?

Nicles.

Zero.

Niente.

Nada.

Entrou por um ouvido, saiu pelo outro. Somos maus pais porque não queremos dar bolinhos ao menino. Antevejo aqui um grande problema no futuro.

 

 

 

 

Ah, e em resposta à ameaça do "vais ver se não come açúcar", o meu homem saiu-se com esta: "dás-lhe uma vez e garanto que não dás a segunda", grande orgulho.

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Em casa de familiares, acabei de trocar a fralda ao miúdo, e prestes a vestir-lhe o pijama, estando o bebé apenas com a fralda e o body interior vestidos. Normalmente quando vamos a algum lado de noite levo o pijama e um casaco quentinho, e assim ele adormece no carro e já só acorda de manhã. Estava então a meio do processo quando o dono da casa entra no quarto, olha para ele e diz:
- Mas que bem que ele está!


Sorrio. Insiste.


- Mas que bem que ele está assim de perna ao léu!


Sorrio. Continua.


- Que bem que ele está, assim é que ele havia de andar sempre!


Tento ignorar a crítica implícita à forma como visto o meu filho, e sorrio de novo. Insiste.


- Assim é que ele devia andar sempre!


Não aguento ficar calada e respondo:


- Estão 10 graus lá fora!


wtf.

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Bebé em contacto com um cão pela primeira vez. Tudo muito bem, tudo muito pacífico: o cão saltitava para tentar ver o puto e ele ria-se. Mas que bom, Mia, a criança a habituar-se a animais, que giro, que fofo - não é?
Então alguém me explique a necessidade de vir uma pessoa ao pé da criança dizer-lhe: ai que o au au vai-te dar uma trinca!


É coisa que me tira do sério. Criticam-se as crianças que são medrosas: que fogem dos cães e dos gatos, que têm medo do escuro, que não largam as saias  da mãe. No entanto, da mesma boca de onde saem essas críticas saem frases como "o au au vai-te dar uma trinca", "o papão vem aí para te roubar os soluços" e "a tua mãe vai-se embora e tu ficas aqui comigo". Não me chegava ter que educar a criança, ainda tenho que desfazer todas estas ideias de merda que me metem na cabeça do puto?!

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Pessoa está com o bebé ao colo e eu aproximo-me. O monstrinho abre um grande sorriso, eu sorrio de volta e afasto-me ligeiramente - tento dar algum espaço para que se habitue a outros colos que não sempre o meu. Bebé, imediatamente começa a choramingar e a atirar-se na minha direcção. Eu começo a falar com ele, sem lhe pegar, para que perceba que estou ali, só não estou com ele ao colo. Monstrinho começa a chorar "a sério" e sempre a tentar atirar-se para cima de mim. O que faz uma pessoa normal, ao ver que uma criança quer ir ao colo da mãe e a mãe está mesmo ali ao lado? Passa-a à mãe, ou agarra-se a ela à força toda, deixando-a chorar desalmadamente até que a mãe seja forçada a tirar-lhe o puto? Pois.

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publicado às 07:48

Aquela familiar idosa que sabe tudo, mas depois vamos dar com ela a "embalar" o menino dentro do carrinho, movimentando-o para trás, e contra a parede... para trás, e contra a parede...

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publicado às 08:00

Cenário: jantar de família, monstrinho acordado há horas a socializar com todos e a passar de colo em colo enquanto distribui sorrisos, até que começo a notar-lhe os sinais de cansaço: coçar os olhos, bocejar constante, ar de quem fumou umas ganzas potentes. Pego nele e aconchego-o deitado no meu colo, chupeta na boca, festinhas na testa, e ele começa a fechar os olhos e a adormecer quase imediatamente. Acto contínuo:

 

- Estás a adormecer o menino?!

- Sim.

- Porquê??

 

*faço de conta que não ouvi*

 

- Para que é que estás a adormecer o menino? Se ele quisesse dormir dormia!

 

*viro costas e saio*

 

 

Alguns dirão que a maternidade me deixou mais mal educada. Claramente são os que não sabem o que me apeteceu dizer nesse momento, caso contrário entenderiam que sair foi a atitude mais polida que alguma vez poderia ter tido.

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E agora, digo-lhe, ou deixo andar?

por Mia, em 07.11.17

Em criança, tive um cão chamado Putchi (eu e meio mundo, eu sei). Ora adivinhem lá qual foi a alcunha que a minha sogra arranjou para o pequeno monstrinho?

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Agora que - finalmente - temos cortinados nos quartos, abro as persianas sem medos. Dantes, por uma questão de privacidade, não o conseguia fazer, e por isso só agora pude reparar a sério na vista. O quarto do meu filho, como todos, aliás, dá para o jardim. Da cama conseguimos ver o relvado verdinho e o azul da piscina. Dou por mim a pensar em como foi tortuoso o caminho até chegar aqui, mas como sabe bem esta sensação de dever cumprido.

 

Obviamente, seríamos igualmente felizes num apartamento, ou numa casa mais modesta. Nunca tive a mania das grandezas, nem coisa que o valha. Mas para entender a importância que isto tem para mim, precisamos de recuar até à minha infância.

 

Os meus pais foram-no demasiado cedo. Um acidente de percurso que atirou dois adolescentes para um casamento forçado e uma vida remediada. Não tivemos luxos, mas nunca me faltou amor. Sei que o dinheiro não traz felicidade porque fui uma criança feliz, apesar de às vezes não haver dinheiro para comprar pão. Não pensem que alguma vez me faltou o que quer que fosse, longe disso. Mas fui desde cedo uma criança perspicaz, e sempre tive consciência de que vivíamos "à rasca".

 

Admiro, do fundo do meu coração, o esforço e ginástica que os meus pais fizeram para nos dar uma infância memorável. Nunca saímos do país no verão, mas íamos passar dias à praia aqui ao lado. O meu pai fazia as melhores construções na areia, e todas as crianças das redondezas vinham brincar connosco. Nunca tive festas de aniversário dignas de pinterest, mas a minha mãe fazia-me os bolos mais originais e nunca esquecerei o ano em que o meu pai encheu dezenas de balões até que o chão do sótão ficasse completamente coberto, ou das luzinhas de natal que ele espalhou pelas paredes e que criaram o cenário mais mágico de sempre. Não tinha um brinquedo caro no natal, mas tinha vários da loja dos trezentos, e delirava com cada um deles. Mesmo após o divórcio dos meus pais, durante a minha adolescência, nunca deixaram que o falhanço no casamento impactasse o nosso bem estar.

No entanto, desde que me lembro que me preocupo com dinheiro. Recordo-me de ser criança, e no café me perguntarem se queria um bolo e dizer que não, por não querer que gastassem dinheiro comigo. Ou de escolher o gelado mais barato em vez do que realmente queria. Ou de não contar aos meus pais que a mochila estava rasgada, para não terem que comprar outra.

 

 

Tracei, desde cedo, um plano para a minha vida. Havia de me formar. De arranjar um bom emprego. De estabilizar as minhas finanças. E depois teria filhos. Planeei recriar com eles tudo de bom que os meus pais fizeram comigo, com um pequeno twist: estabilidade financeira. Não quero que os meus filhos tenham preocupações, quero que sejam apenas crianças, felizes e seguras. Quero corrigir neles a única coisa que falhou na minha infância. Certamente cometerei outros erros.

 

 

As coisas demoraram mais do que eu previa. Gostava de ter sido mãe aos 25, mas a vida não mo permitiu. Olhando para trás, sinto-me grata por ter tido o discernimento para não dar esse passo. Não era sequer emocionalmente estável o suficiente para ser mãe. Atrasamos a decisão de ter filhos por nós, pelo nosso emprego, pela casa - um sonho que nunca pensei ver sair do papel e que de repente se realizou. Houve alturas em que me arrependi dessa decisão, mas neste momento sinto que as coisas aconteceram quando tinham que acontecer. Olho lá para fora e penso como seremos ainda mais felizes na próxima primavera quando estender uma manta na relva e nos sentarmos os três a brincar. Nas memórias que criaremos quando no verão estivermos os três na piscina, ao fim de um dia de trabalho. Em como vão ser espectaculares as festinhas de anos no jardim, crianças a correr por todo o lado, quem sabe não alugaremos um insuflável. Penso neste natal que se aproxima e em como ele já adora luzinhas e tenho a certeza que vai delirar com a árvore de natal gigante que colocaremos na sala. Nos domingos em frente à lareira. No quentinho da nossa casa, de onde podemos ver a chuva a cair lá fora.

 

Demorou, mas sinto que cheguei onde queria. E isso é maravilhoso.

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Ter que mentir à família porque estão todos doentes com uma virose contagiosa e não queremos correr riscos com o monstrinho, mas se dissermos a verdade sobre o motivo pelo qual esta semana não estaremos com eles temos quase a certeza que não só aparecerão cá em casa para o ver, como passarão a omitir-nos quando estiverem novamente doentes.

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Aquele familiar que antigamente nem ligava se passávamos muito ou pouco tempo lá em casa, e agora fica ofendido porque, depois de já lá termos feito uma refeição durante a semana, no domingo passamos por lá apenas para uma visita "rápida" de mais de uma hora. Sendo que fica a 40km da nossa casa. E o homem trabalhava no dia seguinte. E ainda não tínhamos parado desde essa manhã. E o puto estava meio adoentado. Mas sim, é um ultraje não lhe termos dedicado mais tempo, pois claro. Problema de fácil resolução: se as visitas rápidas ofendem, acabam-se as visitas, de todo.

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publicado às 06:31

Aniversário de família, mais de 20 pessoas na sala, bebé a dormir há horas e todos em pulgas para que ele acordasse. Alguma vez viram pessoas GRITAR os parabéns? Eu também não, até esse dia. Não se pouparam esforços para acordar "sem querer" esta criança, e quase que aposto que, houvesse panelas por perto, e tinham andado a bater com elas.

 

Ele? Nem pestanejou.

Riqueza da sua mãe.

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publicado às 07:54

Pessoa com o puto ao colo sai-se com esta pérola:

- tens que o libertar da fralda.

 

say whaaaat???

 

E continua:

- tens que o libertar da fralda. Alargá-la para ele estar mais à vontade.

 

*Mia revira interiormente os olhos, sorri, e:*

 

- não posso fazer isso, senão em menos de nada ele tem cocó até ao pescoço.

- e pronto, deixa-o fazer. Melhor assim.

 

 

Melhor. Assim.

Porque toda a gente sabe que dormir numa caminha de fezes é do melhor para a pele do bebé.

Sorrir e acenar, Mia. Sorrir e acenar.

 

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No tempo deles, era-se pai nos vintes. Depois de a criança estar cá fora, seguiam-se cegamente as instruções dos pais. Em alguns casos - na nossa família aconteceu com ambos - mudavam-se para casa dos pais, para que estes ajudassem com a criança. Eram os avós quem ditava as regras e os pais obedeciam. E hoje, quando os nossos pais se tornam avós, têm extrema dificuldade em entender que as coisas mudaram. Não somos jovens de vinte anos. Já estamos nos trinta, com tudo aquilo que isso acarreta. Temos vidas bem estruturadas, não estamos a ter filhos em cima do joelho. Lemos muito, temos acesso a muita informação e não só sabemos o que estamos a fazer (pelo menos em teoria), como temos noção de que o que se fazia há 30 anos atrás está ultrapassado e algumas coisas são hoje vistas como prejudiciais. Não precisamos de ir para casa dos nossos pais, nem que nos digam o que fazer, muito menos que queiram ditar leis na nossa vida. Não precisamos que nos passem atestados de incompetência ou que critiquem as nossas "modernices". Precisamos que sejam avós carinhosos e presentes, sem sufocar nem a criança nem os pais. Se fizerem isso, já está bom. Precisamos que oiçam e respeitem as nossas regras e conselhos. Estamos a dispostos a ouvir também os deles, claro que sim, que prepotência seria não o fazer. Mas eles estão dispostos a ouvir os nossos? É muito cansativo estar constantemente a lutar contra velhos do Restelo, sentir que não somos levados a sério. Há tempos disseram-me: "és mesmo uma mãe galinha". O tom era crítico, mas sinceramente não estou a ver onde é que isso está errado. Que seja uma mãe galinha, sou a mãe que quero ser.

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Cenário: bebé com dias de vida, nós em casa há literalmente três dias. Eu inundada de hormonas e baby blues, ambos com forte privação de sono, exaustos, visitas non-stop num entra e sai frenético. Não tínhamos passado nenhum dia ainda sozinhos os três, uma loucura.

 

Pessoa liga e comunica que vem passar três dias cá a casa: domingo, segunda e terça. Por circunstâncias várias, o homem não tem coragem de dizer que não e avisa-me do sucedido. Se eu estava mal, pior fiquei. A perspectiva de ter o meu lar invadido por uma visita que não vai embora por três dias aterrorizou-me. Só queria paz e sossego, fechar todas as portas e janelas e fazer de conta que não está ninguém em casa. No dia seguinte, consulta de rotina, e eu com as tensões nos píncaros. Passa mais um dia, e a coisa repete-se. Análises de urgência, horas no hospital, para se constatar o que eu já sabia: tudo bem comigo excepto os níveis de stress absurdamente elevados.

 

O homem panica, ganha tomates e liga a dizer que não dá. Que não pode ser, que não estamos em condições de ter hóspedes, que eu preciso de paz. Situação chata para todos, um ambiente de merda, mas passa. Combinamos jantar na segunda cá em casa, para compensar.

 

Chega domingo, e pessoa vem visitar. Tudo muito bem, terminada a visita, vai o homem levá-la à porta e sai-se com esta: pronto, então amanhã venho jantar e fico cá a dormir para terça. Tunfas. Assim, enrabado a frio. E como se diz que não neste momento? Não se diz. Leva-se com um hóspede em casa. Aguenta-se dois dias com uma visita que não sai e ainda por cima vem de trombas porque sabe que não é bem vinda. Aguenta-se dois dias a fazer quase tudo sozinha, porque alguém tem que "fazer sala" e entreter a visita. Tenta-se não fritar da puta da cabeça porque alguém, do alto do seu egoísmo profundo, achou que só a sua vontade é que importava e uma família acabada de se formar não precisa de paz e sossego. Nadinha.

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No centro de saúde, a dar a primeira vacina, acompanhados de familiar. Não aguentei ver o menino a ser picado e saí da sala, mas assim que o ouvi berrar não consegui manter-me afastada e entrei de rompante. Uma pessoa com dois dedos de testa abriria alas para a mãe chegar à criança, certo? Esta não só não o fez como se enfiou à minha frente, pegando no meu filho, e impedindo-me de lhe chegar. Sabeis lá vós o milagre que é eu ainda não ter perdido a compostura. Sabeis lá.

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